Autárquicas 21: ‘Viva Aveiro’ ‘puxa’ pelo simbolismo do Rossio para atrair apoio eleitoral

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Jardim do Rossio, Aveiro (Foto do movimento 'Cidadãos por Aveiro' de ação de campanha da coligação PS-PAN).
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A coligação ‘Viva Aveiro’ (PS-PAN) encerrou o périplo de apresentação das listas para as freguesias no jardim do Rossio, no centro da cidade. Um local de forte simbolismo, atendendo à oposição que tem feito ao projeto, já em curso, de construção da cave de estacionamento naquele local nobre, ao ponto de candidatar à União de Freguesias da Glória e Vera Cruz David Iguaz, o ‘rosto’ do movimento cívico que mais contestou a obra lançada pela maioria PSD-CDS-PPM.

“Acabou o parque de estacionamento, falta só ratificar isso. Quem diz em surdina ou assume diga a 26 de setembro: acabou mesmo”, apelou Manuel Oliveira de Sousa, cabeça-de-lista para a Câmara, convito que a resposta dos eleitores no domingo vai sufragar aquele compromisso dos partidos e dos cidadãos independentes, bem como para travar a continuidade da coligação de direita.

“Sabemos que o PSD não está com a ‘Aliança com Aveiro’, também diz acabou”, acrescentou, mostrando-se sensibilizado com a presença, de bandeira de Portugal na mão, de José Rodrigues, munícipe e assumido militante social democrata, que é conhecido por ser presença regular e interventiva nas sessões públicas da Câmara, onde muitas vezes expôs preocupação com o impacto do parque subterrâneo. “Luta como nós, pela identidade, património e sustentabilidade do Rossio. Independentemente das cores e dos partidos, as pessoas querem ter vida e serem felizes nesta cidade, obrigado por essa carga simbólica, temos de estar cada vez mais unidos e sermos a voz dos aveirenses, somos só a voz dos aveirenses”, referiu o candidato do PS-PAN.

Na Glória e Vera Cruz, Manuel Oliveira de Sousa questionou a ação camarária em outras áreas: “Transportes, que dizem os aveirenses ? Diabólico; Habitação, com praticamente 300 pessoas a ficar fora do último concurso, o que se fez ? Requalifica-se é verdade, mas o que falta fazer ? Diabólico; Fora da cidade, nas freguesias, que são centralidade para tanta atividade, o que temos ? Diabólico; No património e identidade de Aveiro, na responsabilidade climática,  agravou-se. Diabólico; Olhamos para o património edificado, se não tomarmos mão nisto, Aveiro fica irreconhecível. Os aveirenses dizem diabólico”, denunciou.

Sobre a candidatura de David Iguaz, elogiou o seu empenho na causa do Rossio: “Teimoso, porque persistente quando entram pela casa atentados que não suporta; quando viu o que acontece no Rossio, o coração da cidade, pegou nessa bandeira, juntou outros; uma pessoa que vem de longe e vem lutar por nós, não concorda com tudo, mas junta a sua voz e força para termos mais força e voz”, acreditando no seu contributo como autarca da freguesia para “olhar com mais futuro, na ciência e conhecimento, na habitação, no cuidado aos que mais precisam”, pois “não se acomoda, agita e faz os outros andar para a frente”.

Falta pouco para atingir o recorde pessoal dos 2 mil plátanos abatidos em Ílhavo”

Já o candidato à Junta, conhecido pelo envolvimento na associação ‘Juntos pelo Rossio’, mostrou-se confiante no retrocesso da cave: “Acredito numa viragem e podemos garantir categoricamente que o jardim não será destruído, mas requalificado”.

As queixas foram alargadas ao “abate indiscriminado de árvores contra a vontade residentes” em vários pontos da cidade, deixando um lamento: “falta pouco para atingir o recorde pessoal dos 2 mil plátanos abatidos em Ílhavo quando Ribau Esteves foi presidente”.

Insurgiu-se, também, contra “a destruição” da Troncalhada, com a adjudicação de um arranjo urbano na zona da salina mais próxima da cidade, “uma semana antes das eleições e que implica uma segunda ponte”, pondo em causa a “gestão financeira criteriosa” de investimentos que, juntamente com o Rossio, podem atingir 20 milhões de euros mas “ainda podem ser poupados”.

David Iguaz apontou o dedo, ainda, ao presidente da Câmara porque “não foi solidário com o comércio da Avenida, quando pedia para a obra aguardar pelo desconfinamento” e comprometeu o ‘Movimento de cidadãos por Aveiro’ com a dinamização de “conselhos de bairro” onde os residentes poderão deixar contributos e propostas a remeter aos orgãos autárquicos locais em “democracia constante”.

Criticou “o virar de costas para a Ria”, quando é necessário “olhar aquele espaço com cuidado, repor muros, os palheiros, tratar do património degradado que lá está e preservar aquela área natural”. Entende, também, ser “importantíssimo preservar a antiga lota, num processo participado com os cidadãos, pelo menos para não ser construído mais um hotel”. Na Junta, pretende lançar um novo relacionamento com a Universidade de Aveiro, que “parece muitas vezes uma instituição distante e tem muito a dizer sobre o desenvolvimento de Aveiro, temos de voltar a ter essas conversas que deixaram de existir há oito anos, como os próprios estudantes dizem isso e têm muitas propostas”. A finalizar, David Iguaz deixou a esperança de “devolver a Glória à freguesia da Glória e Vera para não termos de suportar mais cruzes nos próximos quatros anos”.

Discurso direto

“O David Iguaz corporiza um movimento de insubmissão à vontade de um presidente em contramão com a história, que despreza os valores da descarbonização e a sustentabilidade e, tendo sistematicamente recusado ouvir a voz da razão, teve o mérito de iniciar um movimento de cidadãos que tomou para si a condução da justíssima reivindicação de quem quer viver melhor, que também diz respeito como morador nesta freguesia, e também eu participei nas primeiras manifestações contra o absurdo da transformação do que deve ser um espaço verde alinhado no imperativo de renaturalização e reforço do arvoredo urbano numa inóspita lage de betão. A Junta não pode continuar a ser uma voz acrítica e reverente com a vontade de um presidente autocrata, isso não pode suceder” – Filipe Neto Brandão (mandatário da coligação PS-PAN).

“Estamos no local, o exemplo de uma maiores contradições protagonizadas pelo executivo cessante, onde se quer praticar o maior furto aos aveirenses, do nosso jardim do Rossio. Estivemos todos contra este ataque à identidade de Aveiro, que só poderia ser cometido por alguém que não conhece Aveiro, não sente as suas gentes, os bairros, que quer governar aleatoriamente, uma cidade descaracterizada, anunciar a smart citie ou a steam city, conceitos que nem ele consciencializa, sem compreender a essência de Aveiro ou as expetativas de quem aqui reside. É uma obra sem qualquer sentido. Sabemos nós, que ficaremos cá a gerir um disparate ignóbil que um parque subterrâneo na zona mais delicada da cidade. E o que dizer do deserto em forma de praça à superfície, desvirtuando totalmente um espaço que para nós sempre foi um jardim, com árvores, sombra, felicidade. Desvirtua completamente o Rossio e desde cedo os moradores mostraram discórdia, um profundo e desolado sentimento de frustração tem assolado os aveirenses que se manifestaram em vários momentos e formas, às quais o executivo cessante respondeu com falsas presunções da utilidade da obra e simulada auscultação, com desrespeito profundo por todas as opiniões, independentemente da sua proveniência política ou técnica. Esta obstinação só pode ser parada pela coligação Viva Aveiro” – Rui Alvarenga (porta-voz PAN e candidato a vereador).

“Nós tínhamos e tivemos durante anos e décadas uma cidade que estava aberta para o futuro, aberta no sentido em que todos nós enquanto cidadãos tínhamos de facto expectativa de crescimento expectativa de conversarmos e debatermos ideias uns com os outros e sermos ouvidos. De facto, nós estamos nos últimos anos a este nível a viver com alguma dificuldade e é, por isso, preciso mudar, mudar a bem de Aveiro, a bem do futuro das nossas freguesias e em particular a bem do futuro desta freguesia.” – Fernando Delgado, professor e gestor escolar, foi cabeça-de-lista pelo distrito de Aveiro do partido ‘Aliança’ nas legislativas de 2019.

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