As marinhas, o parque das “janelas do céu”

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Salinas de Aveiro (Foto de José C. Mota).
Magneton 728

Talvez esteja na altura de começarmos a pensar de forma planeada e coletiva este território e a integrá-lo de forma plena como um parque natural e urbano único de Aveiro, com tamanho equivalente a cinco vezes a dimensão da cidade.

Por José C. Mota *

Aveiro é um lugar mágico. Não há muitas cidades que dispõem de um parque natural a dois passos do centro.

Na verdade, não é bem um parque natural porque parte dele foi construído pelo homem, num equilíbrio raro e delicado com a natureza. Uma das obras arte produzidas são as marinhas de sal, um dos engenhos mais belos do mundo, merecedor de distinção equivalente.

Hoje em dia, nem todas as marinhas produzem sal, algumas estão adaptadas a novas funções.

Assim de memória existem uma praia urbana e casas lacustres para turismo (Marinha da Noeirinha), spa’s salinos (Cale do Oiro – Salinário), produção de ostras (Ostraveiro – Aquacultura e Turismo), piscicultura, produção de salicórnia e percursos de natureza (Ilha dos Puxadoiros).

As margens destas marinhas acolhem equipamentos importantes como o Centro Municipal de Interpretação Ambiental e vários centros náuticos e de canoagem, assim como os Passadiços da Ria, que trazem públicos importantes e diversificados a esta área.

Temos, infelizmente, vários edifícios devolutos (antiga lota, antigo TIR TIF) e muitos terrenos de terra batida que transmitem uma imagem desqualificada não compatível com a beleza natural da envolvente.

Quase sem darmos conta, foi-se desenvolvendo uma espécie de “cidade lacustre” um pouco desorganizada, em algumas zonas de acesso excessivamente motorizado, mas com enorme potencial.

Talvez esteja na altura de começarmos a pensar de forma planeada e coletiva este território e a integrá-lo de forma plena como um parque natural e urbano único de Aveiro, com tamanho equivalente a cinco vezes a dimensão da cidade.

O Parque das Marinhas podia transformar-se num desígnio comum, num objetivo que nos una e mobilize pelo futuro de Aveiro.

José Carlos Mota.

* Docente universitário.

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