
Agostinho da Silva nasceu a 13 de Fevereiro de 1906 no Porto, tendo crescido em Barca de Alva.
Por Fernando Ferreira Dias *
Formou-se na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde tirou o curso de Filologia Clássica – tendo antes frequentado o curso de Românicas – com 20 valores.
Fez o seu doutoramento, com o tema “O Sentido Histórico das Civilizações Clássicas “- com distinção.
Ganhou uma bolsa de estudo para o Collège de France, e para a Sorbonne em Paris, mas em 1929 a Faculdade do Porto foi fechada pelos golpistas de 28 de Maio e ele foi mandado regressar.
Colaborava já então na revista Seara Nova, de que se tornou pouco depois um dos eixos.
Quando regressou a Portugal foi professor no liceu José Estêvão em Aveiro no ano de 1933, onde um dos alunos foi o Mário Sacramento.Foi pois em Aveiro que se empenhou muito para além das funções que lhe eram exigidas, tendo criado, por exemplo, “Uma Caixa de Apoio aos Estudantes» mais pobres e outras acções de ordem social e cívica «incómodas» aos olhos do Estado Novo fascista.( Existe no átrio do Liceu José Estevão uma simples placa de pedra).
Ao fim de dois anos de ensino público, foi exonerado, por se recusar a assinar a “Lei Cabral” então obrigatória para os funcionários públicos. Esta lei mais não era que um documento onde tinha que jurar não pertencer a nenhuma sociedade secreta isto é, assinar uma declaração em que garantisse não pertencer a qualquer organização secreta. Apesar de não pertencer a nenhuma organização desse género, Agostinho da Silva recusou-se a assinar tal documento, por uma questão de liberdade que ele toda a vida defendeu.
Agostinho da Silva teve necessidade de dar aulas no ensino privado e explicações particulares. Mário Soares e Lagoa Henriques foram alguns dos seus alunos.
Em Novembro de 1944, com 38 anos, depois duma estadia na prisão do Aljube, foi excomungado pela Igreja Católica e com um processo judicial a correr, desagradado com a situação do país, Agostinho partiu para o Brasil, onde encontrou as condições de vida que o país natal lhe negava.
No Brasil, país onde desempenhou funções e ocupou cargos importantes no domínio da investigação histórica, manteve sempre ligações de docente com universidades brasileiras, do Uruguai e da Argentina. Em 1960 foi mesmo conselheiro do presidente da república brasileira Jânio Quadros.
Em 1976, Agostinho da Silva, com naturalidade brasileira há mais de 20 anos, decidiu voltar a Portugal. Com direito a uma pensão de aposentação, decidiu, ainda em 1976, criar o Fundo para atribuição do prémio D. Dinis.
Para além de professor, filósofo e investigador, Agostinho Baptista da Silva notabilizou-se como grande escritor da língua portuguesa. No seu currículo constam mais de 60 obras, muitas delas publicadas durante a sua permanência no Brasil. Agostinho da Silva morreu em 3 de Abril de 1994, com 88 anos de idade.
Era alguém com uma clarividência fora do comum e dizia: “Tu podes, com certeza, conviver com os outros, mas nunca seres os outros. Eles podem ser muito bons, mas tu és sempre melhor porque és diferente e o único com as tuas características”. Ou “A liberdade que há no capitalismo é a do cão preso de dia e solto à noite.”
* Série de publicações ‘Personagens que fazem Aveiro’. Artigo publicado em Aveiro na História.
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