Acusado de tentativa de homicídio diz que esfaqueou “em pânico” após agressões

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Tribunal de Aveiro.

O jovem que esfaqueou gravemente um indivíduo na Gafanha de Aquém, concelho de Ílhavo, em fins de agosto do ano passado, assumiu os factos no início do julgamento no Tribunal de Aveiro, esta quarta-feira, ressalvando que não foi sua intenção “machucar” a vítima, tendo agido “em pânico” como resposta a agressões.

Na sequência de uma discussão iniciada por motivos fúteis no interior de um restaurante durante o jantar, que continuou no exterior, o arguido, que responde por homicídio qualificado na forma tentada, omissão de auxílio e posse de arma proibida, muniu-se de uma faca de cozinha para cortar carne e espetou-a no abdómen do ofendido, causando-lhe ferimentos graves, que obrigaram a internamento nos hospitais de Coimbra.

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O acusado, de 19 anos, residente em Estarreja, estava acompanhado da mãe, de uma tia e de um outro homem amigo (estes três encontram-se acusados de omissão de auxílio). Durante o jantar envolveram-se em conversas com dois homens num outra mesa, que terá resvalado para picardias mútuas.

O principal arguido contou no julgamento que abordou inicialmente a vítima e o seu amigo para ter ajuda a inserir a password do wifi. Mas depois os dois indivíduos terão dirigido comentários depreciativos ao amigo e agora arguido, por este não aceitar fazer um brinde, provocando-o ao questionar “se estava com medo que lhe roubassem as princesas”. Sucedeu-se uma troca de palavras mais azedas.

No exterior, a discussão passou a agressões, sucedendo o esfaqueamento. “Quando agrediram a minha mãe fiquei em choque e fui pegar na faca. Foi sem intenção de matar”, relatou o arguido, garantindo que pretendia “intimidar” os dois homens “para afastá-los”. Ainda terá recuado, mas acabaria por espetar a lâmina quando um deles “veio diretamente a mim” e era cercado pelo outro. “Não foi com a intenção de machucar”.

“Não sei como lhe dei, não sei como foi, não me lembro bem. Não estava normal, estava em pânico”, acrescentou, dando conta que viu do interior o amigo caído no chão e a mãe a ser esmurrada pelo homem que depois esfaqueou. “Isso deixou-me revoltado. Fiquei em choque, peguei na faca que estava numa mesa mais próxima”, contou ao recordar a sua versão dos factos.

O amigo do arguido garantiu no tribunal que os dois homens levaram “a conversa” dentro do restaurante “a gozar” e continuaram com provocações no exterior, queixando-se de agressão.  “Fui esmurrado e fiquei inconsciente”, disse, adiantando que saíram direção a casa ainda terão sido perseguidos pelos dois homens na estrada.

Vitima nega provocações e não tem explicação para esfaqueamento

A vítima de esfaqueamento, ouvida em tribunal, negou “quaisquer conversas provocatórias”, da sua parte ou do seu amigo com quem jantava, dirigidas aos arguidos que estavam na mesa ao lado.

O homem, emigrante atualmente a residir na Bélgica, relatou que ia sobremesa quando “não percebo porquê, começou burburinho e tentarem arranjar confusão”. O mais velho do grupo ao lado ter-se-á aproximando e bateu-lhe na testa. “A pessoa estava embriagada, deve ter passado alguma coisa pela sua cabeça”, referiu.

A testemunha disse que não propôs um brinde, mas “ofereceu um copo de vinho”, porque tinham sido simpáticos e estava num bom ambiente de despedida” das férias (ele e o seu amigo iriam regressar nos dias seguintes ao trabalho, no estrangeiro).

Por ação dos funcionários do restaurante, o ambiente acalmou. Depois, já no exterior, o ofendido disse que foi alvo de tentativa de agressão do arguido mais velho. “Paguei e saíamos. Estava a fumar quando vieram para fora e deu-se a confusão, mais ‘bate boca’. Veio alterado e tentou bater-me. Quando lhe vou dar um murro, o mais novo, à falsa fé, sem eu me aperceber, espeta-me a faca. Ainda bem que o meu amigo gravou, senão agora era agora eu o acusado”, referiu. O amigo levou o esfaqueado ao hospital de Aveiro. Os arguidos “fugiram”, concluiu a vítima.

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