Linha do Vouga, Santa Maria da Feira (Foto Zálio Couceiro).

Face aos recentes acontecimentos envolvendo o incêndio numa composição da Linha do Vouga e às declarações dos responsáveis da Área Metropolitana do Porto (AMP) e dos Transportes Metropolitanos do Porto (TMP) na Assembleia Municipal de Santa Maria da Feira relativamente às duas soluções em estudo para esta linha, exigem-se urgentes esclarecimentos e reafirma-se as importantes posições do PCP.

Na reunião foi afirmado que existem dois estudos sobre duas soluções distintas para o corredor do Vouga: “reativação da linha do Vouga em bitola ibérica” e “um projecto BRT que ligue Oliveira de Azeméis a Espinho”. Os responsáveis da AMP e da TMP consideraram este projecto “decisivo para o sul da Área Metropolitana”, “o mais importante e impactante” desta zona e que o objectivo passa por levar passageiros à Linha do Norte, num processo que ambicionam ver concluído no horizonte de “15 a 20 anos”.

Impõe-se 6 esclarecimentos:

1 – Um projecto em BRT (vulgo Metrobus) na realidade um autocarro em canal dedicado corresponde na prática à destruição da linha do Vouga, comprometendo a mobilidade entre os concelhos atravessados e as ligações ao Porto e a Aveiro destas populações. Trata-se de mais um passo no caminho de destruição da ferrovia em Portugal que contraria qualquer lógica de valorização do transporte colectivo e que há muito se percebe que é um erro.

2 – Um projecto em bitola ibérica – mais largo do que actual bitola métrica – implicaria um investimento muito significativo na alteração completa do perfil da linha com impactos substanciais para as populações dos concelhos de Espinho, Santa Maria da Feira, São João da Madeira e Oliveira de Azeméis. Alteração da localização de estações, passagens de nível, demolição de casas, entre outros constrangimentos, para um ganho na duração da viagem muito reduzido, quando existe hoje capacidade instalada para, mediante o investimento em material circulante e composições, proceder à eletrificação da linha em bitola métrica garantindo um serviço com maior frequência e qualidade.

3 – Qualquer projecto que conduza a mais passageiros na Linha do Norte deve ter em conta o actual quadro de absoluta saturação desta linha. Comboios sobrelotados, frequência insuficiente e atrasos constantes resultantes do já elevado tráfego registado, bem como a falta de condições de muitas estações e apeadeiros e o adiamento criminoso da construção da Linha de Alta Velocidade (LAV) Porto-Lisboa, que se arrasta há mais de 30 anos e que se insiste com a sua concretização em forma de Parceria Público-Privada (PPP);

4 – “O mais importante e impactante projecto no sul da Área Metropolitana” não pode esperar 15 a 20 anos para ser concluído. Alimentar soluções que, para lá de conduzirem ora à destruição da linha, ora a investimentos de grande envergadura e de duvidosa aplicabilidade, empurra para daqui a duas décadas a sua conclusão, o que não serve o interesse das populações.

5 – A linha do Vouga não pode ser reduzida ao troço entre Espinho e Oliveira de Azeméis. A linha do Vouga e o Ramal Ferroviário de Aveiro formam uma rede de 96 km entre Espinho e Aveiro e formavam uma rede entre Espinho, Viseu e Aveiro de 177 km, com um importância estratégica para a mobilidade regional que, podendo ter soluções diferenciadas para diferentes troços, não deve ser amputada desta perspectiva numa lógica exclusivamente metropolitana de ligação à Cidade do Porto.

6 – Face ao perigo que constitui a actual visão do governo, da AMP e da TMP relativamente à Linha do Vouga o PCP reafirma que continua intransigente na sua defesa. Hoje como em Agosto quando realizamos uma importante ação junto dos utentes desta linha afirmamos a necessidade de proceder a:

Revisão integral da via-férrea;
Abertura da Linha entre Oliveira de Azeméis e Sernada do Vouga;
Reabilitação e modernização das estações;
Melhoria da eficiência e segurança nas passagens de nível;
Alteração da localização de alguns apeadeiros;
Automatização da bilhética;
Garantia do transbordo, na Estação de Espinho, dos passageiros para a Linha do Norte, com comodidade e segurança;
Melhoria das composições de modo a proporcionar mais conforto e segurança;
Aumento da frequência de comboios;
Eletrificação da Linha em toda a sua extensão

O Plano Nacional Ferroviário (PNI) 2030 prevê um investimento de 100 milhões de euros para requalificar e eletrificar a Linha do Vouga, contudo é cada vez mais duvidoso que o Governo venha de facto a concretizar este projecto nos termos que melhor servem as populações.

O PCP está atento e vigilante e, sempre ao lado das populações, apela ao seu envolvimento na defesa da Linha do Vouga!

PCP

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