A Economia não pode esperar

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Hotelaria / Restauração.
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As empresas dos nossos setores têm de ser elegíveis nestes apoios, caso contrário, será difícil sobreviver crise após crise.

Por Manuel Pereira Gonçalves *

A “tempestade perfeita” que abordámos na última edição deste Manual de Negócios, publicado há 15 dias, continua a formar-se e está cada vez mais perto.

Na Ucrânia, infelizmente, a tragédia humana agravou-se, e as consequências económicas alastram-se por vários países, onde nos incluímos.

Os custos energéticos (eletricidade e gás) e de combustíveis estão a registar aumentos exponenciais, que não se sabe quando vão parar, um problema com enorme impacto no funcionamento das nossas atividades económicas.

A AHRESP tem vindo a alertar o Governo para este cenário devastador, e que exige uma
intervenção urgente no apoio direto às nossas empresas, que ainda não conseguiram sair da crise gerada pela pandemia.

A sustentabilidade dos nossos negócios depende em larga escala não só da energia e dos combustíveis, como obviamente da disponibilidade de matérias-primas (essencialmente alimentares), fundamentais aos serviços que prestamos. Com preços incomportáveis e a ameaça de escassez, como irão subsistir as nossas
empresas já tão fragilizadas por dois anos de pandemia e de restrições à atividade? Como irão continuar os negócios da constelação do turismo a ser viáveis sem ajudas céleres e robustas? Seremos considerados como setores de utilização intensividade energia com apoios dirigidos às nossas necessidades?

O Ministro da Economia anunciou a 14 de março um conjunto de medidas de apoio face ao conflito na Ucrânia, e não está prevista uma única medida para os setores da restauração, similares e do alojamento turístico. As nossas atividades económicas são das mais dependentes de matérias-primas alimentares, sem as quais não conseguem prestar serviços de alimentação e bebidas, e sem energia não conseguem laborar.

As empresas dos nossos setores têm de ser elegíveis nestes apoios, caso contrário, será difícil sobreviver crise após crise.

Não temos mais tempo e urgem medidas estruturantes para apoiar as nossas empresas, nomeadamente o alívio da carga fiscal, destacando-se nessa matéria a aplicação temporária da taxa reduzida de IVA a todo o serviço de alimentação e bebidas.

Como a AHRESP sempre defendeu, esta é a única medida que permite reter tesouraria nas empresas, de forma direta e de acesso universal.

Por outro lado, precisamos de apoios à tesouraria que ajudem a suportar o galopante aumento dos custos de produção e de distribuição das matérias-primas.

Os nossos setores de atividade ainda se encontram muito frágeis, na sequência da crise pandémica, como aliás sustenta o último inquérito da AHRESP. Em janeiro de 2022 as nossas empresas registaram perdas de 40% na restauração e de 60% no alojamento. Com o cenário de hoje, a vulnerabilidade aumenta e o risco de muitas empresas fecharem portas adensa-se na proporção da escalada dos preços.

Neste momento, Portugal aguarda um novo Orçamento do Estado para 2022 (OE2022), que tem que necessariamente responder ao contexto que vivemos atualmente, com as medidas aqui mencionadas, para que as empresas possam responder à subida generalizada dos preços.

Sabemos que o momento é difícil. Mas sabemos também que a economia não pode parar. Estaremos prontos para os desafios que vierem.

* Presidente da AHRESP – Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal. Editorial da revista online ‘Manual de Negócios’.

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