
O Museu Marítimo de Ílhavo (MMI) assinalou hoje os 25 anos da sua ampliação e remodelação, evocando uma intervenção que marcou decisivamente a evolução da instituição e a afirmação cultural do Município. A comemoração reuniu três momentos: uma sessão oficial evocativa da efeméride, a inauguração da exposição “Visto bom para Portugal: Memórias de uma Viagem” e o recital “A Música e os Refugiados”.
Mais do que celebrar a transformação de um edifício, a data constituiu uma oportunidade para reconhecer o percurso de um museu que preserva a memória das comunidades ligadas ao mar, promove a investigação e o conhecimento e projeta a identidade marítima ilhavense junto de novos públicos e gerações.
Na sessão comemorativa, o Presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, Rui Dias, destacou a ampliação e remodelação concretizadas em 2001 como uma aposta estratégica no futuro do Município e na preservação da sua identidade.
Da autoria dos arquitetos José Mateus e Nuno Mateus, do gabinete ARX Portugal, o projeto introduziu uma nova linguagem arquitetónica e criou condições para o desenvolvimento de um discurso museológico mais abrangente e de uma relação renovada com os visitantes.
Distinguida com o Prémio AICA/Ministério da Cultura, em 2002, e reconhecida através de outras nomeações nacionais e internacionais, a intervenção contribuiu para afirmar o Museu no panorama da arquitetura contemporânea e da museologia portuguesa. Contudo, o verdadeiro valor desta transformação reside naquilo que tornou possível: consolidar um espaço de memória, conhecimento e investigação, onde a história da pesca do bacalhau, da ria, da construção naval e das comunidades marítimas é preservada e transmitida às gerações futuras.
Rui Dias deixou ainda uma palavra de reconhecimento a todos os que contribuíram para este percurso, em particular aos antigos pescadores e às suas famílias, aos profissionais do Museu, investigadores, parceiros e Amigos do Museu, representado na efeméride pelo seu presidente, Dr. Aníbal Paião. Reafirmou igualmente o compromisso da Câmara Municipal de Ílhavo com a valorização deste património e com a continuidade de um trabalho que considera fundamental para a afirmação cultural ilhavense.
Olhando para o futuro, a continuidade de um projeto museológico vivo, capaz de aprofundar a investigação, integrar novas perspetivas históricas, reforçar a relação entre património, comunidade e programação cultural, garantir a renovação tecnológica e audiovisual expositiva, bem como a promoção de maior acessibilidade e inclusão, integram os desafios futuros que o Museu Marítimo deve encarar e abraçar.
Na sua intervenção, o Diretor do Museu Marítimo de Ílhavo, Nuno Costa, enquadrou a ampliação e remodelação de 2001 como a terceira fase da vida da instituição, destacando a visão estratégica que esteve na sua origem, a ambição coletiva dos Amigos do Museu e o contributo de toda a comunidade para a afirmação da identidade cultural do Município.
A inauguração da exposição “Visto bom para Portugal: Memórias de uma Viagem” constituiu o segundo momento da programação comemorativa.
A mostra evoca histórias de refúgio durante a Segunda Guerra Mundial, convocando a memória de uma viagem associada ao bacalhoeiro Milena e dando a conhecer uma dimensão da história marítima portuguesa marcada pela procura de segurança, pela deslocação forçada e pela esperança de recomeçar.
A exposição alarga o olhar sobre o mar, não apenas como espaço de trabalho, sustento e identidade, mas também como cenário de travessias humanas que ajudam a compreender a história europeia e os desafios da solidariedade. A iniciativa reforça, assim, a vocação do MMI para interpretar o património e promover o conhecimento histórico através de novas narrativas.
O programa de hoje terminou com o recital “A Música e os Refugiados”, protagonizado por Elicia Silverstein, no violino, e João Casimiro Almeida, no piano. Através da música, o último momento da jornada estabeleceu uma ligação entre criação artística, memória e experiências humanas de deslocação e esperança, complementando a reflexão suscitada pela exposição.
Ao assinalar os 25 anos da ampliação e remodelação, o Museu Marítimo de Ílhavo celebrou um percurso coletivo e reafirma a ambição de continuar a honrar a memória das suas gentes, valorizar a identidade marítima do Município e preparar o futuro. Um museu não é apenas aquilo que guarda: é também aquilo que uma comunidade reconhece como seu, escolhe não esquecer e decide transmitir às gerações futuras.
Câmara de Ílhavo
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