
Às vezes, quando damos por nós a pensar, parece que estamos num país… rico. Ou então que vivemos noutro…
Basta atentar, por exemplo, no seguinte: se vamos fazer uma compra a uma qualquer loja, mais pequena ou de maiores dimensões, somos atendidos por, normalmente, meninas muito simpáticas de aparência, mas quando abrem a boca, perante a dificuldade de as entendermos, percebemos que são oriundas de outros países que não o nosso, pois falam com sotaque brasileiro ou da América Latina ou outros…
Até já aconteceu naquelas empresas de entrega de compras (frigoríficos, colchões, etc.), ao domicílio, ou em empresas de telecomunicações para instalação de net, a totalidade dos trabalhadores não serem nacionais ou, mesmo sendo portugueses, a maioria ser quase igualada pela minoria estrangeira.
Nos serviços de hotéis, de bares, restaurantes ou similares, encontramos também pessoas, habitualmente jovens, agradáveis, mas com cores de pele ou aparência física que denotam a proveniência de países de Leste, de África ou outros… Quando recebemos chamadas telefónicas, daquelas que publicitam redução de preços na energia, ou noutros encargos, ou até a dizerem que o nosso currículo foi aceite, o cartão bloqueado, ou…ou…ou… aí vêm, mais uma vez, os sotaques estrangeiros.
Entretanto, na agricultura, as uvas estão por apanhar, as cerejas ficaram em grande quantidade nas árvores ou caídas no chão, o mesmo acontecendo com outros frutos. Os armadores mantêm barcos de arrasto parados nos cais ou ,então, aqueles que precisam de mão de obra para processamento de pescado têm de socorrer-se de…estrangeiros. Já sem falar na pesca costeira, em que os pescadores são cada vez mais…indonésios.
Na construção civil, as obras demoram e demoram e demoram… apenas porque não há mão de obra disponível. Até há quem diga que se não fossem os imigrantes, Portugal fechava por falta de quem trabalhe…
Pensávamos, na nossa ingenuidade, que a falta de mão de obra se devia ao facto de os portugueses desempregados ficarem em casa a viver de subsídios… mas, a verdade é que a taxa de desemprego em Portugal atinge um dos níveis mais baixos de sempre, 5,7%, segundo o INE (Instituto Nacional de Estatística).
Por isso, a questão que atinge o nosso nível de preocupação, ou talvez ignorância, é:
— Onde é que andam os portugueses?
Não estão a trabalhar. Não estão desempregados. Então, onde é que estão?
Jesus Zing
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