Assembleia Geral do SC Beira-Mar.

O projeto aprovado pelos sócios do Beira-Mar para criar uma sociedade desportiva que assuma a gestão do futebol sénio estava entrar num ‘beco sem saída’, fruto das exigências que eram impostas aos investidores, formais e, sobretudo, financeiras.

A direção liderada por Nuno Quintaneiro vai propor, esta sexta-feira, em Assembleia Geral, alterações para tornar menos ‘pesado’ o encargo a assumir, e os prazos a respeitar, por quem quiser tomar conta da principal ‘nau’ aurinegra, acreditando que as dúvidas geradas poderão ser ultrapassadas para a sociedade desportiva ‘nascer’ e assumir o seu desígnio ainda durante este ano civil.

“Neste último ano, furto das experiências, e vamos dar detalhes sobre isso aos sócios, e dos inúmeros contatos e experiências, fomos sentido necessidade de flexibilizar alguns pressupostos, porque fomos esbarrando de forma sistemática, e com investidores diferentes, nos mesmos obstáculos, que tinham a ver com a rigidez de algumas diretrizes aprovadas em 2025”, explicou Nuno Quintaneiro, garantindo que o projeto não será desvirtuado.

Apesar das conversas que foram sendo mantidas nos últimos tempos, muito adiantadas mesmo no caso do empresário neerlandês Marcel Boekhoorn, ligado ao NEC, equipa da primeira liga dos Países Baixos, “não existem quaisquer acordos ou compromissos firmados ou solução de investimento para o futebol sénior do Beira-Mar” , ao contrário do que aconteceu com a ligação ao gestor brasileiro Breno Dias Silva, que envolveu adiantamentos de verbas que a decisão do clube em ‘abortar’ a entrada do investidor implica, ainda, ‘contas por saldar’.

A contratualização do investimento na sociedade desportiva para a alienação de 90% do capital estava fixado em 8,5 milhões em cinco anos, mas a realidade atual desportiva, ainda longe dos patamares principais do futebol nacional, torna o prazo muito curto, concorda a direção depois de ouvir eventuais parceiros a colocarem as reservas, entre outros pressupostos que poderão ser também flexibilizados, como na exigência de ‘saúde’ financeira que possa ser condicionada pelas incidências desportivas e de gestão, nomeadamente de alienação de direitos de jogadores, e que afiguram-se indispensáveis.

Marcel Boekhoorn afastou-se das negociações sem dizem adeus definitivo. Existem outras abordagens pendentes que serão retomadas junto de outros investidores com o projeto redefinido no seu ‘caderno de encargos’ para conseguir a desejada ‘injeção’ financeira quanto antes. A direção prepara a nova época com a formação de uma equipa que possa ser entregue aos parceiros em condições de disputar lugares de promoção ainda esta temporada (ouvir abaixo declarações de Nuno Quintaneiro Martins partilhadas pelo Facebook).

A direção tinha colocado como “compromissos financeiros” de um eventual investidor no futebol sénior do clube uma verba de 10 milhões de euros.

  • Liquidação ao clube do montante do seu passivo, até ao limite de 1,5 milhões de euros (entrega de 500.000 euros na criação da sociedade, 1 milhão de euros em plano a estabelecer que não poderá exceder 10 anos, em prestações anuais de 100 mil euros);
  • Investimentos destinados à promoção da equipa principal de futebol a escalões superiores nos primeiros 5 anos, que não poderão ser inferiores, nesse período, a 5 milhões de euros;
  • Investimentos destinados à construção das infraestruturas essenciais para o desenvolvimento desportivo do projeto do clube e da sociedade (Centro de Alto-Rendimento) que não podem ser inferiores a 3,5 milhões de euros.

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