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No passado dia 30 de abril de 2026, encerrou-se oficialmente o projeto europeu SELF (Solo Entrepreneur Learning Framework), uma iniciativa de vanguarda que contou com o ISCA-UA (Instituto Superior de Contabilidade e Administração da Universidade de Aveiro) como o parceiro representante em Portugal.

Por Margarida M. Pinheiro, Ana Torres e Graça Azevedo *

O projeto focou-se no conceito de “solopreneurship”, a criação de empresas de um único funcionário, uma tendência que se acelerou drasticamente após a pandemia e se tornou uma via essencial para a transição dos jovens do ensino superior para o mercado de trabalho.

O trabalho desenvolvido resultou no Manifesto SELF, um documento estratégico que defende que as universidades devem deixar de ser meros locais de teoria para se tornarem facilitadoras de ecossistemas práticos. O projeto propõe que esta mudança aconteça por meio de três pilares: o ensino híbrido, em que empreendedores reais (freelancers e fundadores de startups) entram na sala de aula como coeducadores; a imersão estruturada, que permite aos alunos fazer “shadowing” (acompanhamento direto) de profissionais no seu dia a dia; e a ação baseada em desafios, em que os estudantes testam ideias de negócio reais em ambientes de baixo risco.

Um dos exemplos práticos deste novo modelo são os “estudos de caso vivos”, em que os alunos acompanham um dilema empresarial real ao longo de várias semanas, observando como o empreendedor gere a incerteza e toma decisões sob pressão.

O grande legado digital do projeto é o “SELF Digital Warehouse”. Trata-se de um repositório de Recursos Educativos Abertos (REA), o que significa que todos os materiais podem ser livremente descarregados, utilizados, adaptados e partilhados por qualquer pessoa, sem necessidade de autorização prévia, desde que a fonte seja citada.

A plataforma destaca-se por uma Política de Inclusão sem precedentes no ensino do empreendedorismo. Desenvolvida conforme os padrões internacionais de acessibilidade (WCAG 2.1 AA), a plataforma garante que o autoemprego é uma oportunidade para todos. Entre os detalhes técnicos de relevo, o portal inclui uma fonte ajustada especificamente para pessoas com dislexia, o que reduz a confusão tipográfica e melhora a legibilidade.

Além disso, oferece funcionalidade de conversão de texto para voz em todo o conteúdo, modos de alto contraste para utilizadores com visão reduzida e uma ferramenta inovadora de “bloqueio de animações” para evitar a sobrecarga cognitiva em utilizadores mais sensíveis. Existe ainda um guia de leitura horizontal que acompanha o movimento do cursor, facilitando o foco visual durante a aprendizagem.

Durante o projeto, o trabalho da Universidade de Aveiro foi também reconhecido internacionalmente pela inclusão da incubadora UACOOPERA entre as dez melhores práticas europeias no apoio a novas empresas e à inovação pedagógica.

Com a conclusão do SELF, o ISCA-UA reafirma o seu compromisso de preparar os estudantes para um mercado de trabalho digital, autónomo e, acima de tudo, inclusivo. Os recursos continuam disponíveis para toda a comunidade de Aveiro e do país, garantindo que qualquer talento nacional tenha as ferramentas necessárias para transformar uma ideia numa carreira sustentável e ética. Para explorar os recursos e o Manifesto, visite www.solobiz.eu.

* CIDTFF, ISCA-UA. Artigo publicado no site UA.pt.

 

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