Assembleia Municipal de aveiro (abril 2026).

“Sabemos os pelouros atribuídos, mas não conhecemos o teor do acordo ou pacto que sustentou essa atribuição”. Fernando Nogueira, deputado do PS na Assembleia Municipal, não deixou passar em claro a inclusão do Chega na maioria de direita que governa o executivo camarário.

A alteração de pelouro aconteceu, observou o eleito, quando existia “uma relação duradoura e estável” na coligação provocando uma “machadada na lealdade CDS em nome de supostamente ter melhores condições para governar”.

Fernando Nogueira retomou as “conhecidas divergências e posições antagónicas em projetos de relevo”, questionando o presidente “como vão ser acomodados na governação”.

Referiu-se ao caso da Escola Homem Cristo, em que a Câmara vai lançar um novo concurso público. A desativação, relembrou, “foi considerada um crime de lesa Aveiro” pelo agora vereador a tempo inteiro Diogo Machado quando “seria expetável que a recomposição abrisse oportunidade de estudar alternativas, nomeadamente mantê-la onde está”.

“Havia uma linha vermelha que se dissolveu na espuma desta governação”, constatou Fernando Nogueira, para quem “já podemos agradecer ao Chega a revelação como lida com os crimes contra Aveiro” enquanto ao presidente “impõe-se explicar como e porquê foi possível este entendimento”.

O deputado socialista apontou ainda o ‘caso’ do Cais do Paraíso, agora “em banho-maria”, que “era visto como a agressão para Aveiro” pelo vereador do Chega. Como está empurrado para “debaixo do tapete até voltar à agenda, podemos concluir que não fez parte do acordo ?”, questionou, esperando também que se esclareça “como se posicionam” vereador e presidente quanto aos ajustes a fazer no trânsito da Avenida Lourenço Peixinho, outra reivindicação do Chega, para que se saiba “se está a ser a ser tratado em conjunto ou em parte no âmbito do acordo”.

Luís Souto não viu razões para abordar na Assembleia Municipal o entendimento com o Chega. “Nunca me meti nos acordos do PS com BE e com PCP. Achava aquilo estranho, mas não comentei, é assunto deles. Vieram aqui em coligação com o PAN, alguma vez pedimos para mostrar o acordo ?. Compreendo, porque o PS apostava tudo numa outra estratégia própria e as coisas não correram como pensava”, disse.

Mesmo sem querer desenvolver o tema, o edil considerou que “o mais importante para a população”, a quem se dirigiu, “é que não haja a mais pequena sombra de dúvidas que nunca esteve, nem poderia estar em causa” a coligação.

“Não vale a pena, é uma tática dividir para reinar, mas não entra nem cola. Temos aqui um executivo que neste momento é formado por independentes e sobretudo pelo PSD e CDS, parceiro de sempre, e agora pela Chega. Garanto-vos, é o que interessa, que todas as pessoas que estão aqui só pensam numa coisa: em resolver os problemas dos aveirenses”, garantiu, mostrando-se plenamente satisfeito com o desempenho da sua equipa (mais declarações partilhadas abaixo).

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