Polícia Judiciária.

Estarreja figurou no ‘mapa’ de buscas realizadas pela Polícia Judiciárias (PJ), através da Diretoria do Norte, durante uma operação conjunta com a Polícia Nacional de Espanha no âmbito de investigações relacionadas com a introdução no mercado de trabalho ibérico de “centenas” de imigrantes ilegais, maioritariamente provenientes dos países da América do Sul.

Além de diverso material informático, foram apreendidos carros de luxo e cerca de 700 mil euros. Em Espanha, os documentos dão conta de movimentos de entrada e saída de aproximadamente 40 milhões de euros.

Estão em causa, concretamente, suspeitas de crimes de auxílio à imigração ilegal, associação de auxílio à imigração ilegal, angariação de mão-de-obra ilegal, associação criminosa, falsificação de documentos e, eventual, tráfico de pessoas para exploração laboral.

Segundo a PJ, a operação policial ‘Caravela’ decorreu sob a égide da EUROJUST, em simultâneo, nos dois países ibéricos, “com o cumprimento de dezenas de mandados de busca domiciliárias, que resultaram na detenção de cinco pessoas em Espanha, responsáveis pela introdução no mercado de trabalho ibérico de centenas de imigrantes ilegais, maioritariamente provenientes dos países da América do Sul.”

Apurou-se que um grupo de pessoas constituía várias empresas com o objetivo de integrar no mercado de trabalho europeu cidadãos de países terceiros, sem serem titulares do necessário e obrigatório visto para o efeito.

Os mandados de busca em território nacional foram efetuados nas cidades de Vila Nova de Gaia, Valongo e Estarreja, envolvendo 20 de inspetores da Polícia Judiciária.

A PJ adianta que “foram apreendidos milhares de documentos, dos quais se destacam várias contrafações de autorizações de residência portuguesa em suporte digital, cartões de cidadão espanhóis falsos, documentos de destacamento da Segurança Social e certificados de saúde para o trabalho, material informático, carros de luxo, cerca de 700 mil euros, registando-se em Espanha movimentos de entrada e saída de aproximadamente 40 milhões de euros.” As contas bancárias das empresas visadas foram apreendidas.

  • Os imigrantes seriam angariados nos seus países de origem com a promessa de virem trabalhar para a Europa em atividades especializadas, “acabando por ser colocados em situação de grande vulnerabilidade social, com a violação reiterada de direitos do trabalho e das normas de segurança”;
  • Os cidadãos estrangeiros eram regularizados em território nacional, mediante a concessão de autorização de residência, solicitada e emitida através do mecanismo de manifestação de interesse, entretanto revogado em junho de 2024, com a apresentação de documentação falsa, atestando que residiriam e trabalhavam em Portugal, embora residissem e trabalhassem no Reino de Espanha, a mando das empresas do grupo;
  • As sedes de empresas estão localizadas em dois gabinetes de contabilidade, em Vila Nova de Gaia, aos quais os suspeitos recorriam para efeitos de recolha de documentação de teor intelectual falso, junto da Segurança Social e da Autoridade Tributária, utilizadas posteriormente na instrução do processo de concessão de autorização de residência dos imigrantes ilegais, constando como residentes nos ditos gabinetes de contabilidade. A prova já apreendida nas buscas permite constatar que a gestão das empresas era toda realizada em Espanha.

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