Ucrânia.

Gostaria de começar por dizer que a minha formação é em ensino das ciências/Física (e não em ciências políticas) e que o meu percurso profissional e académico tem sido como educadora, formadora de professores e investigadora em educação há mais de 40 anos.

Por Nilza Maria Vilhena Nunes da Costa *

É essencialmente na minha caminhada que me tenho questionado, cada vez mais frequentemente, sobre o papel da escola (e no que tenho feito, e ainda poderei fazer) para o desenvolvimento de alunos informados, críticos e participativos, nomeadamente em assuntos das sociedades democráticas, como a nossa, que a todos afetam. Um exemplo significativo do (reduzido) papel da escola em Portugal traduz-se, do meu ponto de vista, no elevado abstencionismo e na “viragem à direita” dos jovens nas eleições, conforme indica o Relatório “Compreender a abstenção eleitoral em Portugal”, dos autores João Cancela e José Santana Pereira, publicado em 2025.

O meu foco hoje não é sobre este tema, mas centra-se na necessidade de compreensão do posicionamento dos jovens face aos conflitos bélicos que têm assombrado o mundo nas últimas décadas e que todos os dias aparecem como notícias nos meios de comunicação social, com repercussões várias a nível mundial e nacional. Será que a escola, e os nossos alunos, nomeadamente da educação básica e secundária, podem ficar indiferentes a esses conflitos, e/ou não tomar ou tomar posições pouco informadas sobre os mesmos?

A minha resposta é indiscutivelmente NÃO, podendo apresentar múltiplos argumentos sustentadores desta minha posição, mas aqui reforçando apenas a ideia de que a escola deve ter como um dos seus pilares a “educação para a paz” e ser um espaço de consciencialização social e de justiça, conforme é advogado no referencial nacional “Educação para a segurança, defesa e paz”, da Direção-Geral da Educação e reeditado em 2022.

O que defendo hoje, em concordância com autores nacionais e internacionais, é a inclusão curricular e didática de tópicos de geopolítica, e sua abordagem segundo metodologias ativas, como o recurso a simulações em que os alunos podem assumir papéis de diplomatas, “embaixadores de paz”, nas quais eles reconheçam a complexidade das decisões a tomar.

Embora alguns desses tópicos estejam já presentes nas atuais disciplinas de Geografia e História, a sua abordagem não se deve reduzir a descrições geográficas ou históricas simplistas dos contextos desses episódios bélicos (por exemplo, na localização geográfica desses conflitos num mapa mundial), mas, ao invés, abordar as dinâmicas políticas a eles associados, considerando os impactos dos mesmos nas realidades nacionais, como o aumento no orçamento do País em despesas militares e a subida de preços como o da energia e de produtos como cereais e fertilizantes.

Certamente que esta minha proposta teria que ser monitorizada no sentido de avaliar a sua eficácia e poder ser eventualmente ajustada de forma a potenciar o seu impacto e sustentabilidade na formação dos nossos alunos. Para já, aqui fica o desafio!

* Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Aveiro. Artigo publicado no site UA.pt.

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