Apresentação do 'Carnaval da Ria', Aveiro.

O ‘Carnaval da Ria’ regressa à cidade de Aveiro a 14 de fevereiro, sábado, anunciou hoje o presidente da autarquia local, esperando que se torne “um evento marcante nos próximos anos”, aproveitando “os cenários naturais, que ninguém nos tira e queremos aproveitar ao máximo”. Orçado em 130 mil euros, “um valor modesto” mas considerado adequado para a edição de estreia. O programa inclui desfile encenado nos canais da ria e uma festa a encerrar num ‘salão de baile’ a ter lugar no Rossio.  Todos os eventos são gratuitos.

“Não estamos aqui para competir com nenhuma cidade, seja mesmo da nossa região, com quem somos parceiros. Não é um exercício de competição, para ver quem tem mais gente, este é assumidamente diferente”, assumiu Luís Souto na apresentação do evento.

“Não está na nossa ambição desviar as grandes multidões, mas sentimos que era um pouco triste uma cidade alegre em eventos de rua – aí sim um ponto de referência -, não ter carnaval, que existiu há muitos anos, que movimentou a cidade, o município, promovido pelo saudoso padre João Gonçalves, da paróquia da Glória, mobilizando coletividades”, recordou.

Um “entrudo com caraterísticas aveirenses” que regressa “numa operação montada em tempo recorde, com o objetivo de torná-lo um evento marcante nos próximos anos”, destacou Luís Souto.

O presidente da Câmara deseja “uma manifestação de artes de rua” em Aveiro à altura de uma cidade que está “a ambicionar ser capital de artes de rua”.

António Oliveira, da Companhia 360º, e Paulo Zé Neto, diretor de encenação, estão na coordenação do ‘Carnaval da Ria. Colaborações justificadas pelas exigências de um evento que “requer algum profissionalismo, sem hostilidade às mais artes espontâneas”, em que se impõe esta “vertente com nível de exigência qualitativa e de meios de produção”, sublinhou o autarca.

“Uma manifestação cultural” que revela também, de acordo com Luís Souto, “uma política municipal a pensar nas pessoas em concreto, transmitimos que é preciso envolvimento da comunidade em tudo em que fazemos, por isso temos associações envolvidas e queremos mais”, disse, não deixando de notar as boas condições proporcionadas da renovada praça jardim do Rossio para este tipo de eventos, apesar da contestação que o projeto conheceu quando foi lançado pela autarquia.

A apresentação deu conta dos destaques, mas ainda faltam algumas surpresas que ficam por revelar no seu devido tempo. A organização deixou o apelo para a participação do público com máscaras a rigor, enquadradas no conceito do ‘Carnaval da Ria’, inspirado na fantasia e luz.

Discurso direto

“É um carnaval de pessoas, feito para pessoas. O ‘Carnaval da Ria tem início às 18:00, no cais Fonte Nova. A performance tem três momentos: embarque a som de um tema original, evocativo de Mumadona Dias, desfile e baile comunitário no Rossio. Depois uma noite de folia com DJ set. Há um romantismo, simbolizado pelos ‘candeeiros humanos’, envolvendo a paisagem. Um carnaval que terá uma identidade própria, futurista e criativo. O desfile será uma coreografia náutica, com paisagens efémeras com efeitos pirotécnicos. No desembarque, teremos coreografias musicais. No ‘salão de baile’, o público será elemento ativo, sendo convidado a participar. O Rossio terá a transmissão do desfile náutico” – António Oliveira, da Companhia 360º.

Companhia 360º, Aveiro.

“É um enorme desafio, temos muita vontade que seja uma iniciativa única. A peça musical Mumadona Dias é composta pelo maestro Carlos Marques, da Banda Amizade. Está escrita para banda filarmónica com componente de bandas de gaitas, com 180 músicos, na primeira parte do embarque, que será um dos momentos mais emblemáticos do projeto. O percurso será acompanhado por 50 percussionistas de escolas de música e associações”. Contaremos com os ‘bailarinos candeeiros’ a seguir para o Rossio, onde atuará um ensemble do Conservatório no baile final – Paulo Zé Neto, direção de encenação.

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