Edifício sede da Assembleia Municipal de Aveiro.

A Assembleia Municipal de Aveiro esteve reunida pela derradeira vez antes das eleições autárquicas. Balanço e despedidas marcaram as intervenções finais do atual mandato.  Presidente da Câmara prepara “evento” de retrospetiva da gestão municipal.

A abrir o período antes da ordem do dia, Nuno Teixeira, do PCP, deixou notas negativas de um mandato que termina sem o anunciado novo regulamento dos músicos de rua e em que “a democracia aveirense degradou-se” com a “incompreensão das competências” da Assembleia por parte da maioria camarária, “por várias vezes com postura de hostilização e até insulto com anuência do presidente da Assembleia”.

Pelo PAN, Pedro Rodrigues fez referência “a pendências que ficaram por resolver” como a falta do canil municipal ou o não acompanhamento de matilhas de cães, com a Câmara “a demitir-se das suas responsabilidades”. Várias informações requeridas pelo partido (como dados sobre a recolha de animais ou utilização das bicicletas gratuitas) ficaram por responder.

Selma Tavares, do Bloco de Esquerda, lamentou que esteja a ser ignorada a importância da Linha do Vouga e aludiu às estatísticas recentes que colocam Aveiro em destaque no contexto nacional em vários indicadores, notou que, no reverso da medalha, o município “atrai, mas não consegue fixar, constrói-se pouco e vende-se muito a fundos de investimento” ou a “recolha seletiva de resíduos diminuiu”, concluindo que “Aveiro está a perder qualidade de vida”.

Jorge Greno deixa o cargo na bancada do CDS em coerência, por entender que a Assembleia Municipal também deveria ter limite de mandatos, permitindo “a renovação”. 12 anos “fantásticos para quem gosta de Aveiro, notando tudo aquilo que foi feito”.

Já Francisco Picado, do PS, que também está de saída, relevou a importância da “mobilização” dos cidadãos para próximo ato eleitoral “em prol do regime democrático, impedindo que aqueles que se aproveitam das virtudes do mesmo possam entrar no sistema com o único objetivo de vir a desvirtuar as suas regras”.

Ainda da bancada do PS, Pedro Pires da Rosa, um dos mais ‘antigos’ em funções. Após duas décadas, ficou um lamento pelo desempenho da maioria: “É curioso que a atual Assembleia, que devia ser o espaço mais plural e vibrante da democracia local se transformou naqueles coros do colégio e quem ousa desafinar leva logo um olhar de reprovação do maestro, Aveiro não merecia isto”, disse, reclamando “coragem em defesa da cidade”. O executivo camarário “poderia ter feito muito melhor se tivesse uma Assembleia capaz”, como aconteceu, recordou, em momentos de discussões históricas no tempo do CDS ou do PS, quando “tanto Girão Pereira como Alberto Souto”, nas suas presidências, “tiveram a grandeza de aceitar corrigir e seguir em frente sem rancor”, após “debates vivos”. Sobre a presidência de Ribau Esteves, trabalho e dedicação à causa pública à parte, mereceu reparo, pela negativa, “a insistência em fazer tudo à sua maneira, a maior parte das vezes com estilo áspero no trato com opositores e munícipes, que acabará por lhe roubar o brilho”. E apesar das obras espalhadas, “ficará sempre a sensação que Aveiro votou sem ficar plenamente convencido”, esquecendo-se que “construir também é preservar”.

“A fase de maior investimento de sempre” – PSD

O porta voz da bancada do PSD, Manuel Prior, também ausentes da lista para o novo mandato, notou que a maioria fez a obra o propôs aos aveirenses. Da restruturação funcional e financeira foram “anos difíceis” até chegar a ajuda do Fundo de Apoio Municipal e associando fundos europeus iniciar “a fase de maior investimento de sempre”, destacando o parque escolar e a rede viária, bem como a cultura, apoios a associações e freguesias. “Estamos francamente confortáveis”, referiu, lembrando, ainda, que a maioria alcançou o pleno dos órgãos autárquicos, “deixando uma casa organizado e que paga compromissos a seis dias, não deixando dívidas a tudo e todos ou jogadores do Aveiro Basket a viver nas casas da Câmara”.

“Nunca na vida houve insulto. Divergências com certeza, gosto da política animada” – Ribau Esteves

“Nunca na vida houve insulto. Divergências com certeza, gosto da política animada se isto não se anima é uma seca do piorio, por isso as pessoas se interessam cada menos pela política e que os extremistas e populistas crescem, porque os políticos do centro estão transformados em chatos”. Ribau Esteves devolveu nestes termos as críticas vindas do PCP. Sem querer “discursos de despedidas”, o presidente da Câmara  anunciou, que haverá “um evento” que deverá ficar marcado pela retrospetiva dos três mandatos e do respetivo legado.  Antes de um “obrigado”, estranhou alguns termos usados na derradeira sessão em comentário a divergências. Sobre o balanço, garantiu que em “número de reuniões, telefonemas atendidos e discussões” terá feito mais do que todos os seus antecessores somados (declarações abaixo).

Vídeo integral da Assembleia Municipal de Aveiro de 22 de Setembro de 2025.

Siga o canal NotíciasdeAveiro.pt no WhatsApp.

Publicidade e donativos

Está a ler um artigo sem acesso pago. Pode ajudar o jornal online NotíciasdeAveiro.pt. Siga o link para fazer um donativo. Pode, também, usar transferência bancária, bem como ativar rapidamente campanhas promocionais (mais informações aqui).