‘Juntos pelo Rossio’ vão questionar gestores dos fundos europeus sobre “irregularidades”

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O movimento de cidadãos ‘Juntos pelo Rossio’ vai questionar os programas de fundos europeus que financiam o Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano da Cidade de Aveiro (PEDUCA) sobre o projeto de requalificação do Rossio, a que a Câmara local decidiu agregar uma cave de estacionamento “megalómana” tornando o jardim “uma praça completamente despida, de saibro, destruída de árvores e relva, sem funções sociais”.

Informação adiantada este sábado de manhã durante mais uma concentração protesto contra a pretensão de incluir um parque de estacionamento no jardim contíguo ao canal central.

NoticiasdeAveiro.pt apontava para cerca de 300 pessoas presentes, mas a organização garantia cerca do dobro. A PSP no seu relatório de ocorrência terá pontado para meio milhar.

Os participantes formaram um ‘Não’ humano para simbolicamente contestar a proposta de estudo prévio escolhido para o Rossio, seguindo depois em marcha até aos paços de concelho para deixar 12 árvores, correspondentes a outros tantos buracos abertos no jardim durante as prospeções geotécnicas, um estudo que a Câmara considera determinante para a decisão de avançar ou não com o parque subterrâneo.

David Iguaz, porta voz do movimento ‘Juntos pelo Rossio’, criticou a Câmara por falta de diálogo, tardar em fornecer documentos importantes sobre a intervenção no emblemático jardim e “não dar resposta” aos “contributos perfeitamente válidos” dados após um debate público organizado por grupos que contestam a proposta em cima da mesa.

“A Câmara estará à espera dos estudos mandados fazer, mas há outras propostas que vão ao encontro do que entendemos que este espaço deve ser, com mais árvores, mais amigo do ambiente. Mas o presidente está fechado na sua redoma, não quer ouvir as pessoas, tem a aquela ideia fixa, não sabemos porquê, embora possamos especular”, afirmou David Iguaz, satisfeito com “a força ganha” pelo novo protesto, “como exemplo de cidadania, de pessoas que querem fazer-se ouvir”.

Os ‘Juntos pelo Rossio’ preparam agora “reuniões com entidades em Lisboa por causa para revelar algumas incongruências e irregularidades” do projeto camarário em relação às obrigações assumidas no PEDUCA, nomeadamente em termos ambientais, para diminuir o CO2, por exemplo, ou o dinamização de parques periféricos da cidade, para reduzir o trânsito. “A própria Câmara advogou isso nas candidaturas e agora aparece com uma proposta contrária no centro da cidade, isto não pode ser legal”, alertou David Iguaz, defendendo que Rossio “está completamente abandonado, sem manutenção, e carece de uma requalificação” para ser uma zona verde “de excelência”.

(atualizado às 16:58)