
O ano de 2025 ficará marcado como um ano de afirmação para o turismo em Portugal. Num contexto económico exigente, o setor voltou a bater recordes de receitas, contribuindo de forma decisiva para o desempenho da economia nacional, reconhecido internacionalmente por publicações como The Economist.
Por Rui Ventura *
Este reconhecimento confirma aquilo que hoje é evidente: o turismo é um dos principais motores de desenvolvimento do país. No Centro de Portugal, 2025 foi igualmente um ano de crescimento sustentado. Os dados mais recentes do INE indicam um aumento de 7,4% nas receitas dos estabelecimentos de alojamento turístico entre janeiro e outubro, face ao ano anterior. Estes números refletem o investimento contínuo dos empresários da região, mas também a eficácia de uma estratégia de promoção orientada para mercados com maior poder de compra. Mais do que nunca, ficou claro que vale a pena apostar no turismo, com visão e critério.
Mas, mais do que os resultados conjunturais – que, sublinho, são muito positivos – 2025 confirmou a consolidação de um modelo de promoção que coloca as pessoas, as comunidades e a identidade do território no centro das decisões. Num cenário global marcado pela incerteza, esta opção revelou-se acertada.
O reforço do programa “Sabores ao Centro” é um bom exemplo dessa abordagem. Ao promover a gastronomia, os vinhos e a identidade do território, este projeto, desenvolvido em articulação com comunidades intermunicipais, municípios e associações, tem a capacidade de gerar valor económico e reforçar o orgulho das comunidades. O mesmo se aplica ao enoturismo, hoje um dos pilares da diferenciação da região e uma aposta estratégica para o futuro.
A valorização do turismo de natureza foi outro eixo central da estratégia desenvolvida em 2025. O lançamento do Portal Outdoor do Centro de Portugal permitiu estruturar e promover uma oferta que está alinhada com novas tendências de procura, cada vez mais centradas nas experiências ao ar livre, no contacto com a natureza e na proximidade às comunidades locais. Os trilhos e percursos da região são ativos estratégicos valiosos a esse nível.
Também as aldeias assumem um papel central nesta nova forma de viajar, pelo que a valorização das nossas aldeias é outra das grandes prioridades. O lançamento do Guia “Aldeias com História do Centro de Portugal” reforçou a ideia de que o interior não é periferia, mas um território com identidade própria, cultura viva e enorme potencial turístico. As aldeias são guardiãs da autenticidade e desempenham um papel decisivo na coesão territorial e na fixação de população.
No plano cultural e espiritual, os Caminhos de Santiago continuaram a afirmar-se como um ativo de importância crescente no Centro de Portugal. Gerir este crescimento com equilíbrio, respeito pelo território e cooperação entre entidades foi uma prioridade, e foram dados passos significativos nesse sentido.
Todos estes projetos partilham um denominador comum: a cooperação institucional. O trabalho articulado com as CIM, os PROVERE, os municípios, a CCDR Centro e outras entidades regionais permitiu alinhar estratégias e transformar a diversidade num trunfo. Em paralelo, a cooperação transfronteiriça, assente numa promoção internacional conjunta com regiões de Espanha, reforçou a convicção de que Portugal e Espanha formam uma plataforma turística de escala global. A internacionalização faz-se melhor quando é partilhada, coerente e estrategicamente alinhada.
Em 2026, o foco vai incidir na aceleração com responsabilidade. O próximo ano vai ser marcado por novos momentos de afirmação, como a estreia de um novo filme promocional do Centro de Portugal, que traduzirá, numa linguagem contemporânea, a identidade e a visão estratégica da região. Destaco também a realização de grandes eventos no território, como a prova de ultra trail “Oh Meu Deus!”, um evento de dimensão internacional que reforça o posicionamento do Centro de Portugal no importante segmento do turismo ativo e desportivo.
Em 2026, o Centro de Portugal continuará a acelerar, com o propósito de valorizar o que nos distingue, reforçar a cooperação e garantir que o crescimento turístico é, acima de tudo, um fator de coesão, sustentabilidade e desenvolvimento coletivo.
Um excelente ano de 2026 a todos.
* Presidente do Turismo Centro de Portugal.
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