17 anos de ‘PLATAFORMA cidades’

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Foto Ncultura.pt.
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No dia 30 de outubro de 2003 convidei seis amigos para que jantássemos no Solar das Estátuas e debatessemos o que, como Cidadãos, nos preocupava na “Cidade” e o que podia ser feito para a melhorar. No final, decidimos continuar a encontrar-nos “para aprender juntos” como poderíamos – individualmente e como grupo –, otimizar a compreensão dessas preocupações e contribuir para a concretização das ambicionadas melhorias.
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Por Pompílio Souto *

A Educação e a Formação pareciam-nos estratégicas, bem como o Planeamento e a Cultura. Importava, também, que fossemos livres – comprometidos com o interesse público – e empenhados em ser cada vez mais, melhores Cidadãos.

Desde então fizemos acrescentos e articulações nas temáticas, sendo que, quanto à eventual institucionalização do grupo, continuamos a discuti-las mas… 17 anos depois, ainda somos um “grupo informal, sem estatutos, órgãos, regulamentos, cotas e contas” – e a verdade é que isso não nos tem impedido de fazer coisas que nos alegram, engrandecem e servem terceiros.

A propósito desse “serviço a terceiros” sublinhe-se quão bem nos viam e valorizavam “os mais importantes atores locais” em 2018.

De facto, com o Estudo “A Qualidade da Governação Local em Portugal” elaborado em 2018 para a Fundação Francisco Manuel dos Santos (*1), foi possível “perceber quais os atores que, na Cidade-região de Aveiro, ocupavam posições mais importantes”: ou [i] porque eram eles próprios importantes, ou porque (para além disso) [ii1] se relacionavam com atores importantes, ou, ainda, porque [ii2] podiam servir de intermediários junto dos (demais) importantes.

No primeiro caso a Plataforma é a segunda entre as dez mais cotadas, imediatamente a seguir à Universidade de Aveiro, e no segundo caso é a nona entre as referidas dez.

Disto resultam responsabilidades para o grupo, para os seus membros e (sem falsas modéstias), também para a credibilidade da “participação cívica”: a que valoriza processos centrados no aprender para conhecer, no partilhar para juntar – e na rotura justificada quando isso se impõe.

O que nem sempre é fácil reconheça-se: (i) o Grupo é heterogéneo, inorgânico e age (maioritariamente) num meio (algo) pequeno com egos (demasiado) grandes, onde a participação cívica é ainda (e quase só) uma “esquisitice” (*2); (ii) os seus Membros são voluntários a quem se exige disponibilidade, recursos, competências e, amiúde, uma “boa dose do desprendimento”, em muitos casos quase só, para “pensar alto – autonomamente e em conjunto”.

Em tudo isso, a responsabilidade social que nos motiva – ajuda, e muito.

Só em 30 de janeiro 2008 nos “vimos batizados” sob proposta do saudoso José Costa, e só em 30 de setembro de 2015, Júlio Pedrosa fixa, no texto-síntese “Quem Somos”, os princípios e propósitos que havíamos esboçado em Reunião Geral de 30 de setembro de 2008.

Continuamos a ter apenas um Coordenador que gere, tão consensualmente quanto pode e sabe, a vida do grupo.

Somos agora 186, dos quais 167 pertencem ao Grupo de Aveiro – que inclui 43 que Estão Longe mas Connosco – e 19 ao Núcleo de Ovar.

Há Plataformistas em Aveiro, mas também em Lisboa, Ovar, Porto, Covilhã, Coimbra, Guimarães, Leiria, Évora e ainda, quer nos Estados Unidos (Arizona State University) e França (OCDE [HELA] Paris), quer em lugares igualmente…”remotos” – como o Fundão.

70 dos Plataformistas são “Professores (maioritariamente universitários), Investigadores, Educadores e Estudantes”; 62 são “Engenheiros, Arquitetos, Planners, Economistas e Advogados”; 18 são “Empresários, Administradores, Gestores e Controllers”; 13, são “Psicólogos, Médicos e Sociólogos”; 5 são “Músicos, Escritores, Gestores Culturais e Jornalistas”; 4, são “Arqueólogos, Geólogos e Geógrafos”; 1 é Filósofo e outro é Padre; 2 são Ministros; 1 é Juiz Conselheiro (Presidente de Supremo); 3 são Ex-Ministros; 1 é Ex-Secretário de Estado Adjunto; 3 são Ex-Reitores [UA]; 1 é Vice-Reitor [UA] e outro é Pró-Reitor [UA].

Os “interesses maiores” dos Plataformistas inscritos organizam-se, tematicamente em 3 conjuntos: [1] “Filosofia & Artes + Política & Governação”, com cerca de 50 preferências; [2] “Educação & Formação + Saúde & Bem-estar”, com cerca de 60; [3] “Estudos Sociais, Planeamento & Arquitetura + Atividades Economias & Empresariais” cerca de 80.

Neste aniversário avaliaremos as iniciativas que promovemos e nas quais participámos. Disso resultarão lições, inspiração e ânimo para os tempos difíceis que vivemos e para depois disso.

Simultaneamente faremos, (i) quer o alargamento e consolidação do grupo – admitindo novos membros e criando (para já) os Núcleos de Guimarães e da Covilhã –, (ii) quer o reforço da nossa presença no espaço público, (iii) quer, finalmente, o aprofundamento e contextualização do “caderno de encargos” implícito na Agenda Cidadã 2030, resultante do Encontro de Cidadãos da Cidade-região de Aveiro que envolveu o Presidente da Câmara, o Reitor da Universidade e as demais vinte “Entidades decisivas para a melhoria sustentada da qualidade de vida nesse espaço” (*3).

Nessa Agenda diz-se que urge – para além do mais – “reter a mão-de-obra e o talento” indispensáveis à Cidade-região, disponibilizando quer o “alojamento bom e acessível”, quer a “educação, o bem-estar & saúde indispensáveis”, quer, finalmente, “o ambiente e os espaços urbanos amigáveis e qualificados necessários” – é um ponto importante da referida Agenda.
. Importante mas não único, nem exclusivo de Aveiro.

Em resultado interessaria identificar o que é “decisivo para a melhoria sustentada da qualidade de vida” em Cidades cujos “magnetes de atratividade” e “âncoras de desenvolvimento” sejam essencialmente os mesmos. Ou seja: Quais são os “Problemas e Oportunidades típicos de Cidades médias com Universidades grandes”.

Este projeto, que estamos a promover, permitiria aos Municípios, Universidades e Outros, designadamente Cidadãos – de Aveiro, Guimarães e Covilhã, p.e (*4) –, conhecer o necessário para discutir e adotar apostas e programas, implementar iniciativas e ações, avaliar e otimizar resultados e, com tudo isso, constituir os “referentes” que outrem tivesse em conta em processos e objetivos da mesma natureza, neste caso: a “melhoria sustentada da qualidade de vida” em “entidades e contextos homólogos” – “referentes” que tanto faltam no nosso país…

Para tal – e para algo mais – era importante que crescêssemos e nos aliássemos com quem disponha (nalgumas áreas) de conhecimento (mais) específico e (sobretudo) vocação para apoiar “a iniciativa cidadã” com os recursos financeiros indispensáveis (*5).

Constituímo-nos; crescemos; fomo-nos aguentando… e sonhámos. Agora já sonhamos crescer até à “maioridade” que se avizinha.

Tudo isso assentou na vontade e resiliência de muitos, mas também no “conforto” de algumas referências.

Sem desprimor para ninguém, os Plataformistas Júlio Pedrosa, Carlos Borrego e António Oliveira, mas também João Ferrão e Teresa Sá Marques – são isso mesmo: algumas das nossas referências: bem hajam.

(*1), Ver na E-Book, página 110 || (*2), Felizmente, cada vez mais assumida, o que deixa a cidade, nesse aspeto, bem (em termos relativos) || (*3), Ver dito Estudo da FFMS e “Encontro de Cidadãos da Cidade-Região de Aveiro” no “blogue da plataformaCIDADES” || (*4), Conjunto para “1ª fase” do Projeto que poderia vir a incluir: Bragança, Évora e Faro, p.e || (*5), Que, nalguns casos, já informal e indiretamente abordámos (UA e FCG)

* Arquiteto, ex-Docente UA, Coordenador da PLATAFORMAcidades – grupo de reflexão cívica. [email protected]

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