100 anos de José Saramago

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Exposição sobre José Saramago.
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A sua vasta cultura e curiosidade fizeram com que desde muito cedo, Saramago se apercebesse da situação em que o país estava mergulhado na época.

Por Nuno Alexandre *

No passado dia 16 de novembro, comemorou-se o centenário do nascimento de José Saramago. Saramago foi um dos muitos escritores que construiu um vasto legado literário e deixou as suas pegadas em Portugal. O escritor foi militante do PCP e foi um dos grandes rostos e voz ativa da esquerda, tendo estado sempre ligado a várias causas e lutas.

Saramago nasceu a 16 de novembro de 1922, numa pequena povoação em Azinhaga. Nasceu no seio de uma família modesta e humilde, e desde muito cedo que se apaixonou pela escrita e pelos livros. Foi na escola que teve o seu primeiro contacto com os livros, mas foi obrigado a deixar os estudos para trabalhar como serralheiro mecânico. Ainda assim, sempre que podia frequentava bastas vezes a biblioteca municipal para estar em constante contacto com aquilo que sempre amou, os livros e a escrita e viu a sua primeira obra romancista intitulada “Terra do Pecado” publicada em 1947.

A sua vasta cultura e curiosidade fizeram com que desde muito cedo, Saramago se apercebesse da situação em que o país estava mergulhado na época. Aderiu ao PCP em 1969, tornou-se logo um dos maiores opositores ao regime fascista salazarista. Lutou contra a opressão, contra a censura, contra perseguição política, contra a exploração e contra a pobreza. Lutou pela liberdade e sonhou um Portugal Democrático, livre e justo onde todas e todos tivessem as mesmas oportunidades.

Chegada a Revolução de Abril, para Saramago o “dia levantado e principal” (como o escritor se refere ao 25 de Abril de 1974, no romance “Levantado do Chão”), Saramago com uma enorme força e vontade contribuiu para a construção da Democracia e de um Portugal Livre, como desde jovem sonhou. No PREC, durante o chamado Verão Quente, foi diretor-adjunto do Diário de Notícias e continuou dedicado à escrita e viu muitos dos seus romances publicados ao longo do tempo, como o “Memorial do Convento”, “O Ano da Morte de Ricardo Reis” e “O Ensaio sobre a Cegueira” que inspirou e deu origem a um filme.

Em 1993, Saramago saiu de Portugal e mudou-se para Espanha juntamente com a sua mulher Pilar del Río, com quem casou em 1988. Saramago saiu do país zangado, após um governo de direita, chefiado por Cavaco Silva ter tentado censurar a sua obra intitulada “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”. Foi vergonhoso, em plena Democracia a direita tentou ressuscitar o lápis azul do fascismo e tentou calar e censurar a obra de Saramago. O escritor expôs sempre todos os podres da igreja católica e a obra que Cavaco tentou calar, faz grandes críticas e mostra o que é o sistema da igreja católica na realidade.

Em 1998, José Saramago ganhou o Prémio Nobel da Literatura, em Estocolmo.

José Saramago faleceu em Junho de 2010, em Espanha, mas continua vivo na memória de quem o conheceu e na memória de todas as pessoas que leem as suas obras e viajam por entre as suas sábias palavras. Ele foi um homem com uma enorme visão do mundo!

Saramago é Liberdade, é Coragem, é Solidariedade, é Sabedoria, é Inconformismo, é Luta; é Romance e é Frontalidade.

Que o seu legado e todas as suas lutas sejam sempre lembradas! Viva Saramago!

* Estudante de Sociologia na FEUC – Faculdade de Economia, Universidade de Coimbra.

Fundação José Saramago » https://www.josesaramago.org/

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