Unidades Locais de Saúde: A fé de acreditar ou ver para crer?

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Centro de Saúde de Aveiro.

O tempo é propício, pois, temos as organizações, os profissionais de saúde e do social, assim como utentes, a precisar de uma visão transversal, holística, integradora da navegabilidade do paciente no sistema.

Por Cristina Vaz de Almeida *

O Governo anunciou que a região de Lisboa e Vale do Tejo vai receber as primeiras quatro Unidades Locais de Saúde (ULS). O Norte contará com mais três, perfazendo um total de 20 a nível nacional. As Unidades Locais de Saúde são um modelo de gestão, dentro do setor público empresarial, que pretendem integrar e agregar cuidados de saúde primários, cuidados hospitalares e cuidados continuados.

A mudança é essencial. Estamos a defender os cuidados integrados há muitos anos. O ano de 2007 marcou a primeira incursão nas ULS, com a Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano. A diferença de opiniões que tem surgido entre a aceitação e a descrença tem sido vasta.

O caminho, para uns, está mais próximo da visão de S. Tomé: “ver para crer”, enquanto outros estão esperançados nas soluções que anunciam uma prestação integrada e personalizada de cuidados de saúde a todos os cidadãos. Não se mudam sistemas sem se mudarem as estruturas organizacionais, sem existir investimento nos recursos humanos e sem mentalidades abertas.

Os modelos teóricos de gestão apontam caminhos e até são validados pela sua aplicação em outros casos de sucesso. Assim é, pois, não se propõem mudanças desta profundidade sem haver consciência da necessidade. E a integração de cuidados é desejada por quase todos. Mas é preciso ir mais além do desejo e da esperança.

Para a mudança, deve haver um investimento adequado, uma cooperação alinhada entre os envolvidos e uma partilha transparente de informação segura entre as várias estruturas organizativas que confluem — hospital, saúde de proximidade, rede social. Acrescem os processos comunicacionais, que são essenciais e devem ser sensíveis à disrupção provocada pela mudança em tempo de crise, assim como objetivos e estratégias claras para todos, que permitirão às equipas entrar nos corredores da mudança e sentir as mais-valias.

O tempo é propício, pois, temos as organizações, os profissionais de saúde e do social, assim como utentes, a precisar de uma visão transversal, holística, integradora da navegabilidade do paciente no sistema. O cruzamento do caminho do cidadão na saúde e na doença, e com todos os fatores sociais que isso implica, exigem medidas políticas, económicas e sociais que combinam a fé de acreditar e a verificação monitorizada de forma cirúrgica da realidade pretendida. Assim seja.

* Presidente da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde; Doutora em Ciências da Comunicação — Literacia em Saúde. Presidente da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde. Diretora da pós-graduação em Literacia em Saúde. Membro do Standard Committee IHLA — International Health Literacy Association. Artigo publicado originalmente no site Healthnews.pt.

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