Um Orçamento (só) do PS

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Entrega do Orçamento de Estado.
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Na passada segunda-feira, foi entregue na Assembleia da República a cada grupo parlamentar a proposta do governo para o Orçamento de Estado de 2022. Todavia, para infelicidade de António Costa, o PS não obteve nesta legislatura (nem teve na última) maioria absoluta. E como numa democracia, a vontade de maioria é sempre soberana, há uma necessidade de negociar, e ao que tudo indica o Partido Socialista não está a saber lidar bem com ela.

Por Eduardo Couto *

O atual Orçamento contempla nele única e exclusivamente a visão que o PS tem para o país, deixando de parte toda e qualquer proposta reivindicada pelos seus partidos à esquerda. António Costa esquece-se que esta atitude do “quero, posso e mando” não muda a realidade dos factos: o PS tem apenas 108 deputados o que significa que a sua bancada parlamentar não ocupa metade ou mais de metade do hemiciclo.

Os problemas sociais e económicos profundos no que o país atravessa têm uma origem prévia à chegada da Covid-19 – que veio agravar ainda mais um conjunto vasto de desigualdades. A título de exemplo, o PS com este Orçamento quer continuar a deixar milhares de idosos com pensões abaixo do limiar da pobreza, num país onde se paga uma das contas de eletricidade mais caras – um assunto que passa ao lado do PS, pois este parece estar bastante confortável com a sua posição contra a nacionalização da EDP ou qualquer medida que mitigue a ganância dos lucros acima da vida das pessoas.

As pessoas bem sabem que o Bloco de Esquerda desde 2015 assume uma atitude de compromisso com o país e mostra-se sempre disponível para negociar medidas com o Governo no sentido de melhorar a qualidade de vida da população. Algo que fez, também, em 2021. Desde o fim da herança da Troika nas leis laborais ao investimento no SNS, não faltam matérias onde é possível e desejável encontrar pontes. Mas diz a sabedoria popular que para se dançar o tango são preciso dois.

Estou certo de que ninguém à esquerda entende como benéfico a não aprovação de um Orçamento de Estado para o país, quando existe a possibilidade real de ele incorporar matérias em defesa dos serviços públicos e de quem vive do seu salário. Mas estou ainda mais certo que o atual OE só não é aprovado se o PS não quiser.

Afinal, o que pretende António Costa? Como o Presidente da República já eliminou a hipótese dos duodécimos, restam as eleições antecipadadas. Mais uma tentativa para o PS tentar “limpar” a casa e almejar a maioria absoluta? Das últimas vezes, falhou sempre. Há análises para todos os gostos, mas este taticismo birrento do Primeiro-Ministro está a afastar o debate sobre as escolha para o país com as suas vontades partidárias à frente do Governo e do PS.

* Membro da Comissão Coordenadora Distrital do Bloco de Esquerda de Aveiro.

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