Tapar o sol com uma peneira

2031
Centro Cívico de Aradas, Aveiro.
Magneton 728

A peneira utensílio constituído por uma armação circular e uma tela de arame fino era habitualmente utilizada para transformar as substâncias em pequenos fragmentos. Usada hoje em dia por políticos da nossa praça, além da promoção da própria peneira também divulgam as suas próprias peneiras perante os órgãos de comunicação social, enaltecendo o eclipse solar que tentam fazer aos proclamados “vereadores sombra”.

Por Francisco Labrincha *

Segundo a teoria heliocêntrica o planeta Terra gira em volta do sol com certa velocidade e periodicidade, originando as estações do ano, o dia e a noite. Ora em “Suis terras in Alauario et Salinas” dita Aveiro, o fenómeno geocêntrico tem uma dimensão que desafia a realidade, afinal todos os planetas giram em volta não da Terra mas de um único ser, assim nasceu a teoria egocêntrica, a única que levanta a moral das tropas tal como Darth Vader em “Guerra das estrelas”.

Há um reino das trevas que impede a população de ser feliz e de ganhar energia, os maledicentes, os pirómanos das redes sociais, os que não tapam o sol com a peneira e que obrigam a ver a cidade e as freguesias como parte de um todo. Os informais, os sombrios, os que adulteram o malmequer e lhe chamam “Bem me Quer”, numa terra que não é nossa apesar das contradições televisivas, amores que assentam o seu enredo num triângulo amoroso bem diferente do triângulo em Bermudas em plena época de Verão.

Surge finalmente o eclipse, fenómeno que acontece sempre que um corpo entra na sombra de outro, silencia, ofusca, ameaça os que pretendem chamar a si o grito da cidadania e a liberdade de pensamento. Os cidadãos que não querem viver nem na umbra, nem na penumbra, mas que pretendem um lugar ao sol numa cidade de vento e nevoeiro.

A guerra das estrelas transforma-se numa “guerra política” num palco mediático de festividades e de obras intergalácticas criando uma nova batalha de Aljubarrota aplicando a velha tática do quadrado através de um triângulo amoroso nos jornais, rádios e televisões.

A tal cidade dos canais televisivos em detrimento dos canais paisagísticos, a cidade dos moliceiros sem velas e proas deformadas erguidas ao vento e ao sol cuja visão é tapada pelas peneiras de gente que reduz o prazer do usufruto da paz e harmonia instalando o caos organizado.

E das trevas se fez luz, agora há confiança, em comportamento cívico os aveirenses lideram, já não há problemas nem “zaragatas” à toa, já não se esperam camiões só autocarros a transbordar, distanciamento social a aguardar e relançamento da atividade social e económica a prosperar, nas trevas nem tudo era mau na luz nem tudo será bom, o vírus continua aí, tão claro como o “pincel” do outro.

A vacina da promoção faz esquecer a cura para as tampas de saneamento saltitantes, a falta de tinta para as passadeiras, a falta de passeios e de segurança, os buracos nas estradas provocados pelos raios ultravioletas, a falta das placas toponímicas das localidades, amnésias provocadas pela carência solar.

O Centro Cultural de Aradas em degradação constante há vários anos e há meses emparedado, a Rua Capitão Lebre com um pavimento deplorável e sem reunir condições mínimas de segurança para peões subiram no ranking do manual de promessas. Edifício aglutinador de toda uma freguesia está em fase de elaboração de projeto.

Só agora? Que conveniente a falta de disponibilidade do arquiteto, indecisões, incongruências, falta de coragem política para assumir responsabilidades é o que salta à vista após inúmeras questões efetuadas em Assembleias de Freguesia.

Tantas vezes se promete que alguma vez o sol chegará para a população iluminar a cultura, mas o défice vitamínico do passado ninguém apagará.

Promessas de cometa, obras de forreta?
Promessas na umbra, tem obras na penumbra?

Tanto tempo a tapar o sol com a peneira provoca carência de vitamina D nos organismos autárquicos e raquitismo nas promessas obtidas, pois os raios solares só incidem no centro da cidade com penetração muito lenta e demorada, a periferia não é para turista ver.

Promessas leva-as o vento e a ânsia de ganhar tempo prometendo fazer ainda que não fazendo, torna a peneira obsoleta pois não cumpre o objetivo, ao invés a folha da bananeira consegue iludir o sol, em particular os “bananas” que continuam a acreditar que é possível escondê-lo.

Tal como o célebre cantor apetece exclamar:
– Ai tanto crocodilo!!!

* Oficial da Marinha Mercante.

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