São Jacinto, nossa terra

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São Jacinto, Aveiro.
Freguesia de São Jacinto.
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São Jacinto precisa de intervenção dos vários níveis de poder público, local e central, de políticas concretas e sem desculpas.

Filipe Guerra *

De todas as freguesias não urbanas do Concelho de Aveiro, São Jacinto é aquela cuja complexa situação geográfica maior sacrifício impõe à sua população e simultaneamente é aquela que mais sofre de décadas de incúria dos diversos poderes públicos.

É muito importante para a Freguesia, para a sua população, para o desenvolvimento coeso e harmonioso do Concelho que rapidamente se resolvam velhos e novos problemas e se inverta o caminho traçado de isolamento e abandono. É fundamental desde logo resolver de vez os problemas em torno do seu Centro de Saúde, em obras(infindáveis) e sem médico regular.

Mas muito mais é preciso fazer, por vezes até apenas pequenas intervenções mas que têm um impacto real bem superior ao seu custo de realização.

A ligação fluvial, a rede de transporte colectivo(ferry, lancha e autocarro) a São Jacinto carece de revisão. É preciso equacionar novos horários adequadas a novas realidades e necessidades sociais e laborais da população(que de lá vem ou que para lá se dirige), esta não pode ficar privada de acesso ao Desporto ou à Cultura, entre outros eventos, que tenham lugar na sede de Concelho, tal como é necessário criar condições para que mais aveirenses visitem regularmente São Jacinto impulsionando novas dinâmicas locais e fixando população. Isto a par de melhorias de conforto nos ferry e lancha.

Na frente fluvial, o Porto de Abrigo para a pesca local, cuja obra começou, tem a sua construção parada. É necessário uma nova rampa de acesso dos pescadores aos antigos estaleiros sem o actual declive, é também necessário repor o guincho de desembarque de embarcações(evitando que os reboques entrem em água salgada), e ainda ponderar a criação de uma marina para embarcações de recreio com a introdução de novos trapiches por forma a organizar e disciplinar a baía.

Há ainda outras intervenções necessárias e que sucessivas gestões camarárias não resolveram, como nas casas de habitação social, que têm paredes exteriores e interiores a cair(vê-se o tijolo) e onde chove no interior, ou ainda a intervenção na pequena e antiga rede de saneamento pluvial na Freguesia.

Sobre a rede viária e de transporte cumpre chamar a atenção para a necessidade de terminar intervenção nos 7 km que faltam da EN 327(São Jacinto-Torreira), conjugando segurança dos peões com a segurança dos automobilistas e o enquadramento paisagístico. Deve ainda ser ponderado pelos poderes públicos municipais e supra-municipais(regionais) melhorar acessibilidades e carreiras de autocarro que liguem São Jacinto aos Concelhos próximos, como Murtosa, Estarreja ou Ovar, servindo moradores e visitantes.

São Jacinto não precisa que lhe repitam que está distante, ou quão bela é, São Jacinto também não precisa de uma política de “gestos” ou “simbolismos” ou de circunstanciais declarações de intenção, tão pouco de caridade. São Jacinto precisa de intervenção dos vários níveis de poder público, local e central, de políticas concretas e sem desculpas. São Jacinto precisa de Trabalho e de População, de uma nova dinâmica de investimento(também público) que rompa com o atraso social e económico e a contínua perda de população, que não se limite ao Turismo(com a sua sazonalidade) mas que atraia outros elementos mobilizadores e reprodutivos.

* Jurista, eleito do PCP na Assembleia Municipal de Aveiro.