O nó que Aradas não ata nem desata

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Centro da freguesia de Aradas, Aveiro.
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Quando os membros da oposição não são ouvidos para colaborar e descobrir soluções comuns para o bem comunitário, tal atitude não se coaduna com a democracia participativa.

Por Anabela de Almeida Saraiva *

Depois do estado de emergência vivemos o estado de calamidade. Para alguns intelectuais da política e arautos do oportunismo que construíram as suas ações de propaganda à volta das carências da população foi o terreno ideal de autopromoção.

Houve voluntário(s) que foram ignorados na sua missão de praticar auxilio aos mais carenciados. Não receberam o tratamento digno que mereciam, inqualificável. Logística concentrada na personificação egocêntrica e selfie manias claustrofóbicas.

Os regimes autocráticos que permanecem nas autarquias e freguesias vêm adensar o distanciamento da população em relação à classe política considerando que todos são iguais, ora tal não é verdade, ainda há pessoas de bem cuja causa é defender os interesses das populações. Quando os membros da oposição não são ouvidos para colaborar e descobrir soluções comuns para o bem comunitário, tal atitude não se coaduna com a democracia participativa.

Em Aradas, a bancada do Partido Socialista sente, percebe e age falando a verdade. Por isso, durante a pandemia não teceu qualquer comentário. Hoje perante a crise que é brutal cabe em democracia sentir, perceber e agir mudando para melhor

Verificamos que em Aradas aos projetos implementados se acrescentaram outros e perguntamos: qual a verdadeira dimensão da adesão? Sabemos também que o atendimento ao público tem uma agenda que se alonga no tempo e é esta a política de qualidade? E é somente após confinamento que a proximidade também se faz on-line?

Afinal cerca de trinta agregados familiares foram apoiados por cabazes de Natal, vimos a Sra. Presidente de Junta nas redes sociais a entregar cabazes, folhas de papel, a pedir voluntários para a solidariedade aos idosos e grupos de risco: há ou não há carências e dificuldades? Verificamos também que agem por reação quando denunciamos o que falta fazer para o bem estar e qualidade de vida das pessoas.

Há associações, há centros comunitários, há lares de idosos, há ginásios, todos com valências e responsabilidades a nível social e porque não as apoiam mais em vez de lançar mais projetos?

A solidariedade não se publicita faz-se e é para todos sem exceção, a oposição é incómoda mas a verdade é o caminho.

E é neste ambiente artístico que o nó de forca que pretendiam dar aos que denunciam os atropelos pessoais, aos factos ocorridos em Assembleia que não são transcritos nas atas, aos abusos de poder, ao desrespeito pela hierarquia institucional, ao bloqueio da fiscalização, às ameaças constantes e cobardemente não concretizadas, em suma à falta de respeito e educação, a mãozinha foi estrangulando o cabo até asfixiar os trabalhos da última Assembleia de Freguesia.

Quando se pretende fazer macramé sem fios, querendo atar tudo e todos, mais tarde ou mais cedo acaba-se enrolado nos seus próprios contornos, há sempre uma linha que não convém ultrapassar é a linha do nó de não retorno o tal que não é possível desatar.

As denúncias levantadas sobre a nossa freguesia ao longo deste tempo vieram provar que a tal união forçada é uma desunião comprovada, o nó que se pretendia direito passou a nó torto, o lema juntos seremos mais fortes caiu por terra, a prestação de contas relativas ao ano 2019 não foi aprovada por cinco votos a favor e oito votos contra: cinco votos contra da bancada socialista, dois votos contra de membros da bancada da coligação PSD/CDS, um voto contra dos Independentes.

Quando não se domina a arte de marinheiro e se pretende fazer um nó lais de guia, com o intuito de formar uma laçada não corrediça de grande confiabilidade, não estrangulando sob pressão e sendo fácil de desatar eis que a inabilidade manual, estratégica e política transforma-o num nó de correr, elevando o grau de desconfiança, de arrogância, de incapacidade de gestão de uma freguesia que assenta as suas ações no marketing.

Entre molhadas e atados as freguesias não são montados de cidadãos dependurados, nem nós na garganta de seres ludibriados.

Aradas sempre!

Anabela de Almeida Saraiva.

* Vogal na Assembleia de Freguesia de Aradas pelo Partido Socialista.

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