Monumentos que homenageiam 12 Aveirenses ilustres

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O roteiro de hoje percorre 12 estátuas e bustos que homenageiam outros tantos aveirenses ilustres:  José Estevão, José Rabumba, Gustavo Ferreira Pinto Bastos, Egas Salgueiro, Jaime de Magalhães Lima, Princesa Santa Joana, Alberto Souto, Álvaro Sampaio, Manuel Firmino, Lourenço Peixinho, João Evangelista de Lima Vidal, João Afonso de Aveiro.

Por Cardoso Ferreira [email protected]

Este roteiro pela cidade de Aveiro tem partida e chegada na Praça da República, local onde se ergue o estatua de homenagem ao parlamentar José Estevão Coelho de Magalhães.
José Estêvão Coelho de Magalhães nasceu em Aveiro, no dia 26 de dezembro de 1809, e faleceu em Lisboa, a 4 de novembro de 1862. Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Notabilizou-se como jornalista, político e orador parlamentar português. Entre 1836 e 1862 foi a figura dominante da oposição de esquerda na Câmara dos Deputados. Foi veterano das guerras liberais, tendo vivido no exílio em Inglaterra. Na ilha Terceira, participou no desembarque do Mindelo. Em 1841 fundou a “A Revolução de Setembro”, o mais influente jornal da imprensa liberal.

Em 1856, casou com Rita de Miranda. Desse casamento nasceu o escritor Luís de Magalhães. Para além da política e do jornalismo, foi o primeiro Grão-Mestre da Confederação Maçónica Portuguesa. No ano de 1864, os seus restos mortais foram transladados do Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, para o Cemitério Central, de Aveiro.

A estátua de José Estevão, em bronze, é da autoria do escultor José Simões de Almeida, e foi fundida no Arsenal do Exército (Lisboa), no ano de 1888. Foi colocada no seu atual local no dia 20 de julho de 1889, e inaugurado a 12 de agosto desse ano. Ao longo do tempo a estátua beneficiou da colocação de várias placas epigráficas e coroas honoríficas.

Depois de descer as escadas situadas junto ao Edifício Atlas, o percurso segue pela Rua Belém do Pará até a Rua Clube dos Galitos, frente ao Canal Central, onde se vira para a esquerda. Alguns metros mais à frente, do lado esquerdo, surge a Rua José Rabumba e o respetivo monumento que homenageia esse homem de mar que salvou dezenas de vidas.

José Rabumba, o “Aveiro”, nasceu em Aveiro, no dia 24 de fevereiro de 1866, e faleceu em 25 de março de 1952.

Com dez anos de idade, pouco depois de terminar a escola primária, ingressou na Marinha Mercante. No ano de 1887, quando atingiu a idade militar, foi incorporado na Marinha de Guerra. Fez parte da guarnição da corveta “Rainha de Portugal”, na qual seguiu para Moçambique. De regresso à Metrópole, foi transferido para a corveta “Sagres”, ancorada no rio Douro. Aí, no ano de 1892, iniciou a longa série de heroicos salvamentos. No ano seguinte, ingressou nos quadros do pessoal marítimo do Porto de Leixões, onde exerceu as funções de cabo-de-mar e de patrão de salva-vidas.

Foi homenageado e condecorado pelos governos de Portugal, França e Alemanha. Em 10 de maio de 1922 recebeu o Grau de Cavaleiro da Ordem Militar da Torre e Espada de Valor, Lealdade e Mérito.

O monumento a José Rabumba, constituído por um busto em bronze (da autoria do escultor Mário Truta) e um plinto em cimento (da autoria do arquiteto Rogério Barroca), foi inaugurado no dia 27 de junho de 1969, na zona da antiga Lota. Posteriormente, foi transferido para o local atual, altura em que essa rua passou a ter o seu nome.

O percurso segue pela Rua José Rabumba, continuando a subida pela Rua Homem Cristo Filho até à primeira rua à esquerda, onde se corta, prosseguindo em frente até ao final da Rua do Recreio Artístico. Aqui, na Rua Gustavo Ferreira Pinto Basto vira-se à direita. No final da rua, junto à Praça Marquês de Pombal, ergue-se o monumento que homenageia o autarca que deu o nome à rua.

Gustavo Ferreira Pinto Basto nasceu no dia 25 de janeiro de 1842, em Silveiro (freguesia de S. Simão de Oiã), e faleceu em Lisboa, a 10 de novembro de 1914. Era neto de José Ferreira Pinto Basto, fundador da Fábrica da Vista Alegre, e filho de Augusto Ferreira Pinto Basto, o primeiro administrador dessa empresa.

Profissionalmente, seguiu a carreira militar, que terminou no posto de tenente–coronel. Foi presidente de Câmara entre 1902 e 1906 e de 1908 a 1910. Como autarca, a sua obra de referência foi a abertura da Praça Marquês de Pombal e a consequente demolição de parte do Convento das Carmelitas e de alguns outros imóveis antigos. Para além dessa praça, abriu ou alargou outras ruas da cidade, entre as quais a atual rua com o seu nome.
Mandou construir o edifício da Escola Central da freguesia da Glória e a edificação do antigo Asilo-Escola Distrital, que depois foi o Quartel do Regimento de Infantaria, bem como o mercado do peixe / Mercado de José Estêvão, e o primeiro Mercado de Manuel Firmino.
O monumento (busto da autoria do escultor Leopoldo de Almeida, e o plinto do arquiteto Moreira da Silva) que homenageia Gustavo Ferreira Pinto Baso foi inaugurado em 4 de maio de 1952, no centro da Praça Marquês de Pombal. Quando do início da construção do parque de estacionamento subterrâneo dessa praça, o monumento foi colocado no local atual.

Na Praça Marquês de Pombal, o itinerário segue para a direita, até à Rua Capitão Sousa Pizarro, onde se vira à esquerda, em direção ao Parque Infante D. Pedro. Aqui, vira-se à direita, descendo a Avenida Artur Ravara. No início do Parque da Baixa de Santo António encontra-se o monumento ao industrial Egas Salgueiro.

Egas Salgueiro nasceu e faleceu em Aveiro, respetivamente em 16 de março de 1894 e em 4 de julho de 1977. Com 14 anos de idade emigrou para o Brasil e depois para Angola. No ano de 1915 regressou a Aveiro e tornou-se sócio, juntamente com o pai e os irmãos, da empresa Salgueiro & Filhos, Lda. No ano de 1928 fundou a Empresa de Pesca de Aveiro (E.P.A.), que se tornou uma referência a nível nacional na pesca do bacalhau. Mais tarde, dedicou-se também à pesca do longínqua e costeira do atum e investiu na indústria conserveira. Na Gafanha da Nazaré, a E.P.A. foi uma das primeiras empresas a instalar túneis de secagem artificial e armazéns frigoríficos, terra onde inaugurou, na década de 1960, uma fábrica de conservas.

Egas Salgueiro dirigiu a Companhia Aveirense de Moagens e o Banco Regional de Aveiro. Foi ainda vereador da Câmara Municipal de Aveiro, presidente da direção do Teatro Aveirense e provedor da Santa Casa da Misericórdia de Aveiro.

Em 1966 foi agraciado com a Comenda da Ordem de Mérito Industrial, numa cerimónia no Teatro Aveirense, que teve a presença de Henrique Tenreiro.

O monumento (busto) de Egas Salgueiro, da autoria do escultor aveirense Hélder Bandarra, foi inaugurado no 16 de março de 2018, dia em que faria 124 anos.

Depois de cruzar a Avenida Artur Ravara, o percurso segue pelo Parque Infante D. Pedro, até à monumental escadaria do lado esquerdo, que se sobe, para se virar em oblíqua para a esquerda. Uns metros adiante, surge o monumento ao escritor e autarca Jaime de Magalhães Lima.

Jaime de Magalhães Lima nasceu em Aveiro, no dia 15 de outubro de 1859, e faleceu em Eixo, a 26 de fevereiro de 1936. Distinguiu-se como pensador, poeta, ensaísta, escritor, crítico literário, ambientalista e defensor e divulgador do vegetarianismo.

Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, em 1880. Em 1893 foi eleito presidente da Câmara Municipal de Aveiro, cargo que ocupa por dois anos, e, posteriormente, tornou-se deputado. Em Eixo, na sua Quinta de S. Francisco, criou uma das maiores e melhores coleções portuguesas de eucaliptos.

Amigo de Antero de Quental, foi um grande admirador do escritor russo Tolstoi, que visitou quando de uma viagem à Rússia. Dirigiu a revista “Galeria Republicana” e colaborou em diversas revistas e jornais, entre os quais “O Vegetariano”. Publicou mais de duas dezenas de livros.

O monumento, busto em mármore sobre uma placa de calcário, da autoria do aveirense David Cristo, foi inaugurado no dia 24 de fevereiro de 1957, no decorrer de uma homenagem que lhe foi prestada pela Câmara Municipal de Aveiro, presidida por Álvaro Sampaio.

O percurso continua até ao cruzamento, seguindo depois pela Avenida Santa Joana, em direção à catedral de Aveiro. Em frente ao Museu de Aveiro / Santa Joana, no separador central da avenida ergue-se o monumento à Infanta Joana, padroeira de Aveiro e da diocese aveirense.

Joana de Portugal, mais conhecida por Princesa Santa Joana, filha do rei D. Afonso V e de sua mulher D. Isabel (filha do Infante D. Pedro), nasceu no ano de 1452, e faleceu no Mosteiro de Jesus, em Aveiro, no dia 12 de maio de 1490. Aos três anos de idade ficou órfã de mãe, juntamente com seu irmão recém-nascido, João (que viria a ser o rei D. João II). Alguns historiadores referem que foi regente do reino na ausência de seu pai, quando este e o seu irmão partiram para o norte de África, em 1471. Em setembro desse mesmo ano, após o seu regresso de África, D. Afonso V aceitou o desejo de D. Joana ingressar num convento.

Depois da passagem por algumas instituições religiosas, entre os quais os conventos de Odivelas e de Santa Clara (Coimbra), acabou por se decidir pelo Mosteiro de Jesus, na então vila de Aveiro, onde entrou em julho de 1472.

A partir de 1481, a Infanta Joana teve a seu cargo a educação do filho bastardo do rei D. João II, D. Jorge. No ano de 1485, o rei deu-lhe o “senhorio de Aveiro” com “todas as rendas e direitos reais”, os quais revertiam para seu uso próprio ou do convento.
Considerada pelo povo aveirense como sua grande protetora, a Princesa Santa Joana foi beatificada no dia 4 de abril de 1693, pelo Papa Inocêncio XII, e, em 5 de janeiro de 1965, foi considerada, oficialmente, padroeira da cidade e Diocese de Aveiro, pelo Papa Paulo VI.

A estátua de Santa Joana, da autoria do escultor aveirense Hélder Bandarra, foi inaugurada no dia 12 de maio de 2002, substituindo a estátua anterior, datada de 1987, transferida para junto da igreja matriz da freguesia de Santa Joana. O monumento é constituído pela estátua, em bronze, e por um plinto em calcário.

Após se cruzar a avenida, segue-se pela Rua Príncipe Perfeito, entre dois edifícios históricos – Museu de Aveiro e Galeria Morgados da Pedricosa. No jardim do antigo mosteiro onde viveu a filha do rei D. Afonso V, ergue-se o monumento ao autarca e historiador Alberto Souto.

Alberto Augusto Simões Souto Ratola nasceu em Aveiro, no lugar do Bonsucesso, em 23 de julho de 1888, e faleceu em Aveiro, no dia 23 de outubro de 1961.
Durante a frequência do curso de Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, envolveu-se na luta pelo republicanismo. Com a implantação da República, foi nomeado administrador do concelho de Estarreja e entrou para a Maçonaria. Foi eleito deputado por Aveiro na Assembleia Nacional Constituinte (1911-1915), tendo sido um dos organizadores do Congresso Republicano em Aveiro (1913). Conciliou a atividade política com a advocacia e os estudos de Arqueologia, Geologia e História de Arte. Em 1920 foi eleito presidente da Associação Comercial e Industrial de Aveiro, e foi um dos fundadores do Banco Regional de Aveiro, tendo dirigido este banco até 1928.

Em 1921 foi um dos organizadores do movimento que ficou conhecido por Aliança Regionalista visando a concretização das obras da barra de Aveiro. Nesse mesmo ano foi eleito presidente do Senado Municipal, tendo apoiado a candidatura de Lourenço Peixinho para o executivo camarário.

Foi um dos fundadores do jornal “O Democrata” e fundou, em 1911, o jornal “A Liberdade”. Entre 1925 e 1958 foi diretor do Museu de Aveiro. Em 1952 coordenou a elaboração do volume “Aveiro” da coletânea “Arte Em Portugal”. Publicou inúmeros trabalhos na área da história e da arqueologia.

No ano de 1957 foi nomeado presidente da Câmara Municipal de Aveiro por indicação do governador civil Francisco Vale Guimarães, cargo que exerceu até à sua exoneração em 12 de junho de 1961, tendo falecido em 23 de outubro do mesmo ano.

De autor desconhecido, o monumento de homenagem a Alberto Souto, constituído por uma estátua em tamanho natural (em bronze), e por um plinto (em calcário), foi inaugurado no dia 29 de novembro de 1970.

O itinerário contorna o jardim do Museu de Aveiro até chegar à Rua Batalhão Caçadores Dez, onde se vira à direita. Cruza-se o pequeno adro da Sé de Aveiro, atravessa-se a Avenida 5 de Outubro, após o que se vira à esquerda. Pouco depois, entre a avenida e as ruas Passos Manuel e Jaime Moniz, situa-se o monumento ao autarca Álvaro Sampaio.

Álvaro da Silva Sampaio nasceu em Angra do Heroísmo, a 24 de janeiro de 1891, e faleceu em Aveiro, no dia 27 de abril de 1980. Licenciado em Ciências Histórico-Naturais pela Universidade de Coimbra, obteve o diploma de habilitação à docência da Escola Normal Superior de Lisboa. Foi autor de obras de carácter didático, bolseiro da Junta de Educação Nacional e secretário-geral do I Congresso Pedagógico do Ensino Secundário.

Profissionalmente, foi professor no Liceu Nacional de Aveiro, entre 1920 e 1957, atividade que conciliou com funções políticas, entre as quais, a de procurador à Câmara Corporativa do Estado Novo (de 1949 a 1953) e presidente da Câmara Municipal de Aveiro durante 13 anos, de 1944 a 1957. Foi fundador e primeiro codiretor, com José Pereira Tavares, da revista “Labor” e presidente do conselho-geral do Conservatório de Música de Aveiro.
No dia 12 de outubro de 1958 foi inaugurado o “Bairro Dr. Álvaro Sampaio”. À entrada desse bairro ergue-se o monumento que o homenageia, da autoria de Conde Ferreira. O pedestal (em calcário) foi inaugurado no dia12 de outubro de 1958, enquanto o busto (em bronze) foi inaugurado em 12 de maio de 1985.

Ao chegar à ponte sobre o canal da ria, cruza-se a avenida para o lado esquerdo, para se descer a Rua Carlos Aleluia. No final, atravessa-se o canal pela ponte pedonal e vira-se à esquerda. No largo fronteiro ao Mercado Manuel Firmino, ergue-se o monumento ao autarca que lhe deu o nome.

Manuel Firmino de Almeida Maia nasceu em Aveiro, no dia 19 de janeiro de 1824, e aqui faleceu em 30 de julho de 1897.

Distinguiu-se em diversas áreas, nomeadamente como político, jornalista, homem público e oficial de cavalaria, notabilizando-se como um dos mais acérrimos opositores aveirenses ao político e parlamentar aveirense José Estevão.

Entre os cargos públicos que desempenhou, destacam-se o de regedor da freguesia de Avanca, tenente-ajudante do batalhão de Estarreja, deputado à Câmara Constitucional, presidente da Câmara Municipal de Aveiro, em vários biénios, Governador Civil substituto e Par do Reino.

Foi fundador, proprietário e diretor do jornal “Campeão do Vouga” / “Campeão das Províncias”.

Foi proprietário de companhas da pesca da xávega em S. Jacinto. Quando do afundamento do navio francês “Nathalie”, na costa da Torreira, no dia 23 de outubro de 1880, Manuel Firmino teve um papel relevante no salvamento dos tripulantes desse navio, pelo que o governo francês lhe atribuiu o galardão de cavaleiro da Legião de Honra, sendo também nomeado membro honorário da Sociedade dos Salvadores do Havre.

O busto de homenagem a Manuel Firmino, da autoria do escultor aveirense José da Maia Romão Júnior, data de 1916. No dia 10 de outubro de 1954, foi inaugurado no Parque Infante D. Pedro um monumento ao conselheiro Manuel Firmino, tendo o referido busto no alto de um pedestal em calcário. Mais tarde, esse busto foi roubado e substituído por um outro. Em 2008, o monumento deixou o parque e foi colocado em frente ao Mercado Manuel Firmino.

Segue-se depois pela Rua do Mercado até à Avenida Dr. Lourenço Peixinho, onde se vira à direita para se percorrer todo o troço até ao largo fronteiro à antiga estação da CP, local onde se ergue o monumento ao autarca que mandou construir essa avenida.

Lourenço Simões Peixinho nasceu em Aveiro, no dia 2 de maio de 1877, e faleceu nesta mesma cidade em 7 de março de 1943. Foi médico, atividade que exerceu durante 25 anos, e presidente da Câmara Municipal de Aveiro, cargo que desempenhou durante 24 anos, de 1918 a 1942, período em que foram construídas importantes infraestruturas na cidade, com destaque para a Avenida do Dr. Lourenço Peixinho (que recebeu o seu nome a título póstumo), o Parque Infante D. Pedro e o Estádio Mário Duarte.
Como desportista, ganhou a sua primeira prova e respetiva medalha de ouro na inauguração do Velódromo Aveirense, em junho de 1895. Foi sócio fundador do Ginásio Clube Figueirense, juntamente com o também aveirense Mário Duarte.

Foi provedor da Santa Casa da Misericórdia de Aveiro, e desempenhou um importante papel, até como benemérito, na construção do Hospital de Aveiro. Também teve ação relevante na promoção do ensino primário na cidade.
O monumento que homenageia Lourenço Peixinho foi inaugurado no dia 4 de maio de 1952. O busto, em bronze, é da autoria de José Sousa Caldas, enquanto o pedestal é da autoria do arquiteto Moreira da Silva.

O percurso segue agora pelo lado oposto da avenida, em sentido contrário, até à Praça General Humberto Delgado (“Pontes”). Nos “Arcos” (Rua dos Mercadores), vira-se à direita. No final, atravessa-se longitudinalmente toda a Praça 14 de Julho e o Largo da Apresentação. Em frente à Igreja de Nossa Senhora da Apresentação ergue-se o monumento ao bispo D. João Evangelista de Lima Vidal.

João Evangelista de Lima Vidal nasceu em Aveiro, no dia 2 de abril de 1874, cidade onde faleceu em 5 de janeiro de 1958.

Foi aluno do Seminário de Coimbra, a partir de 1886. Em 1889, recebe uma bolsa de estudos de Monsenhor Vitali e parte para a Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma. No ano de 1891, obteve licenciatura em Filosofia e, um ano mais tarde, defendeu publicamente algumas teses tendo em vista o doutoramento. Passado cinco anos, a 19 de dezembro, foi ordenado padre, tendo celebrado a sua primeira missa, na manhã de Natal desse ano, no Convento de Jesus, em Aveiro.

De janeiro de 1909 a outubro de 1915, foi Bispo de Angola e Congo. Após ter renunciado ao cargo, ficou como Vigário-Geral do Cardeal-Patriarca de Lisboa, com a dignidade de Arcebispo Auxiliar de Lisboa. Foi governador do Patriarcado de Lisboa e Arcebispo de Mitilene (desde 1916) tendo dado início ao processo de oficialização das aparições de Fátima.

Foi o primeiro bispo da Diocese de Vila Real de Trás-os-Montes, para a qual foi nomeado a 23 de maio de 1923, cargo que manteve até 1933. Quando da restauração da Diocese de Aveiro, em 11 de dezembro de 1938, D. João Evangelista de Lima Vidal foi escolhido para dirigir a reorganização da diocese, primeiro como Administrador Apostólico e, dois anos depois, como Bispo, tendo sido o primeiro Bispo da restaurada Diocese de Aveiro. Criou a obra das Florinhas do Vouga e deu início à construção do Seminário de Santa Joana.
Em junho de 1946, foi agraciado pelo então Presidente da República, General Óscar Carmona, com o grau da Grã-Cruz da Ordem de Benemerência. Publicou inúmeras obras.
A estátua de D. João Evangelista de Lima Vidal, da autoria do escultor ilhavense Euclides Vaz, foi colocada no dia 2 de abril de 1974.

Após atravessar, em sentido inverso, as mesmas ruas até ao “Arcos”, vira-se á direita, seguindo pela Rua João Mendonça, até ao Rossio. Quase na entrada deste largo, ergue-se o monumento ao navegador João Afonso de Aveiro.

São poucos os dados biográficos conhecidos do navegador João Afonso de Aveiro, bem como do homónimo escritor, nomeadamente a data e local de nascimento (Aveiro ou Coimbra?) e a data do seu falecimento, bem como o local exato onde isso ocorreu, sendo consensual que tenha sido no Benim.

Sabe-se que esteve envolvido nas descobertas portuguesas, e que participou na expedição à costa da Mina (1481) e na descoberta do Rio Zaire e Reino do Congo com Diogo Cão. A ele se associa, ainda, a descoberta do Benim (1486), durante algum tempo conhecido por Terras de João Afonso ou de Terras de Afonso de Aveiro, onde estabeleceu uma feitoria, bem como a vinda da primeira pimenta para Lisboa. Faleceu por paragens que ajudou a conhecer.

A estátua de homenagem a João Afonso de Aveiro, da autoria do escultor ilhavense Euclides Vaz, foi inaugurada no dia 5 de julho de 1959, no decorrer das Festas do Milenário de Aveiro, evento que contou com a presença do então Presidente da República.

De regresso às “Pontes”, vira-se à direita, cruza-se a Rua Clube dos Galitos e sobe-se a Rua de Coimbra até ao edifício dos Paços do Concelho, fronteiro à Praça da República e à estátua de José Estevão, última paragem do percurso.

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