Homenagem a Santa Camarão, um pugilista de Ovar

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Em cerca de cem combates, ao longo de quase uma década de carreira, Santa “Camarão” obteve uma esmagadora maioria de vitórias.

» Exposição em homenagem ao ilustre vareiro José Santa “Camarão” no Museu de Ovar. Inauguração a 17 de Outubro de 2020, pelas 15:30. Patente até 16 janeiro de 2021.

José Soares Santa, o “Camarão” por alcunha de família, nasceu no dia de natal em 1902, em Ovar. Estava em Lisboa, como fragateiro, assistindo a uma sessão de luta livre no Coliseu dos Recreios e acabou acidentalmente por tomar parte nela e com sucesso.

Alexandre Cal reparou na sua figura, trouxe-o para o Porto, e aí treinou boxe numa sala do Futebol Club do Porto. Media 2,02 metros de altura, pesava 114 quilos e calçava 49,5 !!!

O boxe não era muito popular nessa altura. Mesmo assim estreou-se no Porto, em abril de 1925, lutando contra Joaquim Branco, a quem venceu.

O seu nome transpôs fronteiras e foi então para o estrangeiro, entrando no profissionalismo, nesse mundo onde havia muita desonestidade, de que o nosso conterrâneo (um bom, na aceção da palavra) tendo estado mesmo à beira do título mundial.

Entre 1930 e meados de 34, Santa tornou-se num espantoso símbolo de portugalidade para a Comunidade emigrada na Califórnia que lhe prestou as mais emocionadas homenagens.

Em 1932 casou com Mary Loreto uma luso americana, filha de açoreanos.

Em cerca de cem combates, ao longo de quase uma década de carreira, Santa obteve uma esmagadora maioria de vitórias. Combateu com Max Baer com quem perdeu e com Primo Carnera com quem desistiu ao 6º round.

Já no declínio, em 1934, realizou o seu último combate.

Regressou a Ovar, onde teve uma curta experiência de proprietário de um estabelecimento comercial (café) e foi pai de Renaldo, levado pela mãe para os Estados Unidos da América.

Apesar de uma vivência discreta, não foi esquecido por jornalistas tais como João Sarabando. Beatriz Costa dedicou-lhe um texto no seu livro “Sem papas na língua” editado nos anos setenta.

Participou com entusiasmo no Carnaval de Ovar. Apareceu em festas de beneficência, visitas regulares de admiradores e o civismo da sua personalidade serena deixou uma lembrança luminosa no imaginário popular.

Faleceu em Ovar, com 65 anos, em 5 de abril de 1968, sendo a causa da morte um enfarte do miocárdio.

Projetou o nome de Ovar e do nosso país através do mundo inteiro.

A título póstumo foi atribuído ao largo junto da que foi a sua casa o nome de Largo Santa Camarão, onde foi erigido um pequeno monumento em sua memória.

Exposição sobre Santa ‘Camarão’.

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