H(À)verá inclusão no Ensino Superior sem suporte familiar?

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Ensino inclusivo (freepik.com).

A investigação nas várias áreas da Ciência, em particular, em educação, tem vindo a mostrar que a trajetória de transição e inclusão é uma complexa rede de interações, que se associa e complementa, evidenciando os próprios fatores pessoais dos estudantes, os apoios institucionais e as rede de suportes, na qual se realça o sistema familiar.

Por Evelyn Santos *

No dia 10 de dezembro comemora-se a Declaração Universal dos Direitos Humanos, data instituída pela ONU, em 1948, para firmar a consolidação da dignidade e dos direitos humanos.

Neste entorno, desde 1992, no dia 3 de dezembro celebra-se o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, um marco dentro e fora das Instituições de Ensino Superior (IES), reconhecendo a luta pelos direitos cívicos e de igualdade de oportunidades das pessoas com Necessidades Educativas Especiais (NEE) (1).

Grandes são os desafios e as possibilidades no Ensino Superior (ES) para a promoção da educação (+) inclusiva.

A investigação nas várias áreas da Ciência, em particular, em educação, tem vindo a mostrar que a trajetória de transição e inclusão é uma complexa rede de interações, que se associa e complementa, evidenciando os próprios fatores pessoais dos estudantes, os apoios institucionais e as rede de suportes, na qual se realça o sistema familiar.

Um estudo de doutoramento (2) tem-se dedicado a verificar se “É possível potenciar a transição e a inclusão de estudantes com NEE para o ES através do suporte familiar?”, elaborando, implementando e avaliando um Programa de Intervenção Psicossocioeducativo, presencial e de curta duração, para pais de estudantes com NEE, desmitificando alguns mitos que povoam o imaginário popular e que adentram as IES, reforçando que a família é o âmbito mais importante da educação, porém, o mais descuidado.

As nuances do suporte familiar, amplamente discutidas e vivenciadas em diferentes contextos e culturas, traduzem-se, conforme as suas dinâmicas, em reflexos insatisfatórios ou satisfatórios, nas dimensões físicas, psicológicas, sociais e académicas dos seus membros, levando-nos a reconhecer que, o suporte para os familiares e o que eles providenciam ao estudante é essencial para a adaptação social e académica.

Assim, quanto melhor forem desenvolvidas as competências do estudante, melhor será o seu ajustamento. E, quão maior for a preparação dos familiares, mais eficaz será o suporte que poderão proporcionar. “Uma família de sucesso, é fundamental desde sempre. Ele decide, mas temos sido uma âncora, um pilar. Nós ensinamos as bases para que sejam autónomos, com capacidade de decidir, sem nunca esquecerem que estamos lá” (3).

Cabe a nós oferecermos estratégias de apoio aos pais, buscando fortalecer as características socialmente habilidosas, a motivação, o repertório emocional junto das competências parentais de assertividade e comunicação, providenciando informações sobre as acessibilidades (4) e as políticas de inclusão.

Desta maneira, os pais estarão mais preparados para facilitar o equilíbrio entre liberdade e responsabilidade, permitir a separação dos seus filhos com a assistência e o apoio adequado, incentivá-los para as novas etapas, consolidando a manutenção de uma base de suporte familiar. “Meus pais apoiaram-me imenso. Disseram: pode ser muito difícil, mas queremos muito que sejas feliz. Estivemos contigo e a partir de agora não vai ser diferente” (5).

De maneira a (IN)concluir, convidamo-lo a revisitar a nossa questão inicial e perguntamos-lhe, caro leitor, qual a sua opinião?

(1) A autora utiliza o termo NEE, debruçada na definição dos autores Kuhlthau et al. (2011), considerando as pessoas com algum tipo de deficiência de caráter físico, desenvolvimental, comportamental ou que possuam condições emocionais que exijam cuidados de saúde e suportes educativos específicos.
(2) Doutoramento em Educação, ramo de Psicologia da Educação, no Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Aveiro.
(3) Fala de um dos pais (de entre os 126 participantes do estudo).
(4) Acessibilidades culturais /atitudinais, físicas /estruturais, digitais / materiais, políticas/organizacionais, académicas / curriculares
(5) Fala de um dos estudantes (de entre os 126 participantes do estudo).

* Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF) da Universidade de Aveiro. Artigo publicado originalmente no site UA.pt. E-mail da autora: evelynsantos@ua.pt

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