Há dias assim: Reflexos únicos entre chuva e lama

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Foto de António Garcia.
Magneton 728

Chuva de manhã, lama de tarde, belezas a anunciar um Outono no rasto de um Verão que teima em não ser indiano. E com todo este aparente desconforto, sorrisos nos lábios, passos determinados, olhares admirativos e sensos despertados para comungar com a natureza.

Por António Garcia *

Aveiro abre os braços para um património secular, aliado a uma modernidade que nem os « lisboetas » bafejaram tédio. E o Baixo Vouga Lagunar envolveu-nos de sensações onde o marinhão sarrazolense, no seu formato mais selvagem e cipreste, nos fez viver momentos inimagináveis, regressando o grupo a períodos juvenis já bem remotos.

Desta vez fui eu o guia de Caminhos com SMILE, partilhando com gente curiosa e bem brava, este fabuloso território sempre generoso a oferecer reflexos únicos, desta vez entre chuva e lama.

Na cidade foram 5 km, além de um percurso com proa moliceira pouco intrépido (mas isto não me admira, estes passeios de barco são para «inglês ver»). Descida rápida pelo bordo por debaixo da ponte de Carcavelos e eis-nos no início da caminhada ao longo do canal de S. Roque que nos haveria de levar até à CP de Cacia. A auto-estrada serviu-nos de abrigo para retemperar forças em forma de pique-nique. E o caminho foi-se caminhando até ao esteiro de Esgueira, lá onde começam os passadiços.

Passadiços de Aveiro.

Tudo por nossa conta, pois não era de facto dia para a habitual «romaria» de fim-de-semana. Lestos e apreciando a paisagem da baixa-mar, depressa nos aconchegámos numa espécie de esplanada, anunciada aberta, mas na realidade e tirando as cabras, não havia cabrito que nos abrisse a bodega (o dono ausente perdeu aqui uma boa ocasião de atenuar o vazio da caixa – isto é bem à portuguesa).

Vilarinho à vista, o grupo divide-se em dois, com enorme pendente para aquele que escolheu a aventura que o «guia» improvisou (dos outros não reza a história).
Lama, tiveram uns e outros ; mas zarpar por arame farpado e subir (e descer) por portões de ferro, fazer frente a animais em liberdade, ir além das forças previstas para os Km anunciados, só um grupo ousou, contornou, ultrapassou, admirou, extasiou-se com o selvagem rodeo que lhes foi oferecido.

A começar por acompanhar o Rio Velho, verdadeiro caudal do Rio Vouga, deixando aos «outros» o Rio Novo do Príncipe. Maravilhosas paisagens desfrutadas de um trilho que só os cavalos frequentam ; ao longe o grande Sapal do Baixo Vouga Lagunar, habitat preferido das garças, surpreendidas pelo arrojo deste primos também de duas patas, mas não tão majestosos.

Entre prados, caminhos de Bocage vestidos com as suas frondosas copas e margens arborízeis de águas represas, lá nos fomos aproximando das torres da Celulose que nos serviam de guia. Até ao comboio, com a cabeça cheia de imagens e momentos para contar e recordar e com as pernas que mediram quase 22Km de deslumbramentos.

Obrigado gente boa e formidável, pelo espírito e acolhimento desta partilha que tanto prazer me deu e de felicidade me encheu.

Até uma próxima.

* Trabalhou como director – responsável de sector social & cultural. https://www.facebook.com/antoniotony.garcia.9

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