“É muito difícil conquistar aquela Taça para um clube pequeno, ainda hoje é” – Mano Nunes (ex-presidente do Beira-Mar)

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Conquista da Taça de Portugal.

Há 20 anos, o Beira-Mar expurgava no Estádio do Jamor a despromoção à segunda divisão com a conquista, inédita, da Taça de Portugal, num renhido duelo com outro finalista inesperado, o Campomaiorense.

Um golo solitário aos 70 minutos num ‘passe de magia’ de Ricardo Sousa (duas décadas depois a preparar-se para comandar a equipa como treinador) fez a maior bancada jamais pintada em Portugal em tons de amarelo e preto explodir de alegria.

À segunda tentativa, depois da derrota sofrida no prolongamento aquando da primeira final, frente ao FC Porto (1-3), na época de 1990-91, os aveirenses comandados pelo treinador António Sousa voltaram a casa com ‘o caneco’ e o direito à estreia, na época seguinte, na Taça UEFA.

As incidências minuto a minuto do jogo Beira-Mar – Campomaiorense

“Lembrei-me, sobretudo, dos jogadores e da equipa técnica. Da alegria dos adeptos. Mas também de outras pessoas”

“Foi um dia feliz. Aveiro e a região, todos, muitas pessoas, mobilizadas pelo feito do clube”, lembrou Mano Nunes, histórico dirigente do clube aurinegro, à data presidente.

O dia da efeméride fez reavivar memórias que o passar do tempo não foi suficiente para apagar, tão grande foi a marca deixada. “Lembrei-me, sobretudo, dos jogadores e da equipa técnica. Da alegria dos adeptos. Mas também de outras pessoas que nos ajudaram na altura”, referiu.

“Há uma pessoa tão importante ou mais que o Ricardo, que foi o Palatsi, a defender o que defendeu temos de dar-lhe valor, fazer justiça. Um golo do Ricardo, com grande classe sem dúvida, mas houve um conjunto de homens que permitiu essa glória”, vincou Manuel Nunes.

A final do Jamor foi um prémio para uma época marcada pela descida muito conturbada, com ‘casos’ dentro e fora do campo, da primeira divisão. “Eu ainda cheguei a dizer que preferia não descer e não ganhar a Taça, mas no dia, ali no estádio Nacional, arrependi-me e senti o quanto era importante. Ficámos com a Taça e subimos logo no ano a seguir”, recordou o ex-presidente.

“Conseguimos motivar as tropas e safar a época daquelas intempéries, da injustiça da descida, perfeitamente combinada”

Mano Nunes continuou a fazer o tempo voltar atrás: “Acabou o campeonato e tivemos de afastar dois jogadores, porque achámos terem um comportamento anormal em campo. Foram semanas atribuladas. Mesmo assim conseguimos motivar as tropas e safar a época daquelas intempéries, da injustiça da descida, perfeitamente combinada, comprada. Custou muito dinheiro a alguém para se manter na primeira divisão”, disse.

O Presidente da República, Jorge Sampaio, entregou a Taça de Portugal ao capitão Fusco e a seguir foram longas horas de alegria. “Nunca mais se volta a repetir uma festa daquelas. Tomara, mas é raro. Vi mais gente em Aveiro do que os habitantes da cidade. Tudo cheio à nossa espera, no Rossio. Foi emocionante. Sinto-me feliz por ter participado naquele momento. É muito difícil conquistar aquela Taça para um clube pequeno, ainda hoje é. Foi um marco no Beira-Mar”, ”, afirmou Mano Nunes.

Imagens da conquista da Taça de Portugal – Blog BancadaNorte

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Discurso direto

[Sobre o regresso ‘aos nacionais e ambição de chegar à Liga] “Vamos ver se a cidade e as pessoas se mobilizam para apoiar estas pessoas na direção. É muito difícil o que os espera. Poderá ser mais difícil do que subir da segunda à primeira liga. É muito dinheiro que se tem de gastar para subir mais um patamar. Vejamos o União de Leiria, quatro anos a gastar um milhão de euros por ano. É muito difícil. Se a direção não tiver ajuda, não acontece o que se ambiciona tão cedo”

[Sobre a descida aos distritais] “O Beira-Mar nunca perdeu estatuto, tem um historial grande, as últimas duas direções ajudaram a manter o nome do Beira-Mar, foi importante. O clube tem muito peso a nível nacional. Vimos surgir algum bairrismo maior, também foi importante”.

Resumo do jogo

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