Do que se fala sobre o amanhã no dia de hoje? Inteligência Artificial

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Imagem partilhada pela BBC.

Em novembro foi lançado o ChatGPT. O ChatGPT (Chat Generative Pre-training Transformer) é um chatbot com inteligência artificial desenvolvido pela OpenAI especializado em diálogo. Um chatbot é um programa de computador pensado para conversar com seres humanos através de uma interface de chat.

Por António Pedro Costa *

Os chatbots são frequentemente utilizados em sites de atendimento ao cliente, redes sociais e aplicativos de mensagens com a finalidade de fornecer respostas automáticas a perguntas comuns e realizar tarefas simples, como por exemplo, fazer uma reserva ou solicitar informações.

O foco deste texto é instigar a reflexão em torno do potencial impacto da Inteligência Artificial, mais concretamente do ChatGPT, na Educação, nomeadamente no ensino e aprendizagem. Para isso, partilho um pequeno texto gerado pelo ChatGPT quando questionado se iria substituir o Professor.

ChatGPT: Não, o ChatGPT não pode substituir completamente o papel do professor na educação. Embora o ChatGPT seja capaz de fornecer respostas rápidas e precisas a perguntas e ajudar os alunos a entender conceitos difíceis, ele não pode substituir completamente a experiência de aprendizagem que um professor pode oferecer. Além disso, o papel do professor na educação é mais amplo do que apenas fornecer respostas e informações, ele inclui a interação e a conexão pessoal com os alunos, a orientação, o suporte emocional, o estímulo à criatividade e à curiosidade e a promoção de capacidades sociais e de resolução de problemas. O ChatGPT pode ser uma ferramenta valiosa para ajudar os alunos a aprender de forma mais eficaz e pode ser usado para complementar a educação fornecida pelos professores. No entanto, é importante lembrar que a interação humana é fundamental para a aprendizagem e que a presença e o papel do professor na educação são insubstituíveis.

Não sendo uma discussão nova, interessa compreender o papel do Professor neste contexto. Reformulando a frase, interessa o Professor compreender o seu papel. Atualmente, começam a surgir inúmeras discussões em torno do ChatGPT, mais especificamente, no que alterará nas nossas vidas. Já surgiram textos dos empregos que deixarão de exisir, o aumento de ataques de pirataria, exames e provas realizados com recurso a esta tecnologia, entre outros.

Numa época em que a principal forma de comunicação passa pela escrita de mensagens, será assim tão importante a interação humana com os alunos? Esta e outras questões surgiram nos próximos meses, semanas, dias. Estaremos perante uma revolução na forma como se ensina e se aprende? É melhor perguntar ao ChatGPT.

ChatGPT: Sim, é possível que estejamos diante de uma revolução na forma como se ensina e se aprende, impulsionada em grande parte pelo avanço da tecnologia. Com a rápida evolução das tecnologias de inteligência artificial, como o ChatGPT, a educação está a tornar-se mais personalizada, interativa e acessível do que nunca.

Esta discussão não é recente. Sempre que estamos perante uma revolução tecnológica, o papel do Professor é discutido e “colocado em causa”. O Professor deve conseguir saber tirar partido do que a tecnologia tem para oferecer, identificando as suas potencialidades e limitações, não criando resistência e justificações ao seu uso. Esta exploração, sempre que possível, deve ser estendida aos contextos não formais envolvendo, por exemplo, os pais.

Não deixam de ser utópicas estas minhas propostas. Mas nada como experimentar. Desafio os leitores a continuar este diálogo com o ChatGPT. À semelhança de várias áreas do conhecimento é importante que o utilizador seja crítico sobre o que lhe é disponibilizado. É recorrente aceitarmos como “verdade absoluta” o que é gerado por este tipo de tecnologia. Importa refletirmos sobre o tema, analisar prós e contras do impacto do ChatGPT na Educação, de modo a falarmos do amanhã no dia de hoje de forma informada e crítica.

https://openai.com/blog/chatgpt

* Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF) da Universidade de Aveiro. Artigo publicado originalmente no site UA.pt.

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