Desassorear a Ria de Aveiro promovendo os habitats presentes

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Foto da Polis Ria de Aveiro.

A Polis Litoral Ria de Aveiro informa que os trabalhos de dragagem na Ria de Aveiro continuam a decorrer com recurso a 6 dragas e 3 batelões, que se encontram nos vários canais da ria, no canal de Ovar a sul da Praia do Areinho, no canal de acesso ao cais da Ribeira, no rio Boco, a norte e a sul da ponte da Água Fria, e no Canal de Mira, a sul da ponte da Barra.

A intervenção é acompanhada desde o seu início por biólogos e técnicos especialistas nos ecossistemas em causa, dada a elevada sensibilidade destes ambientes e das suas ocupações, com especial relevância para as áreas de deposição de sedimentos, por se tratarem de espaços onde bastantes espécies de aves aquáticas se alimentam e abrigam.

Desde o arranque da obra tem-se verificado que as áreas de depósito servem de zonas de alimentação de várias espécies de aves, em particular na baixa-mar.

É frequente assistir a aglomerados de aves, nomeadamente garça-vermelha, peneireiro-cinzento, entre outros, durante a deposição de dragados, em busca de alimentos que possam advir do material depositado, como pequenos crustáceos, bivalves ou ainda peixes.

Durante o período de reprodução, foram detetados vários ninhos em locais de deposição nas margens da Ria, nos concelhos da Murtosa e de Ovar, e na praia a sul da Costa Nova, um deles por baixo do tubo de descarga de dragados para o mar, que lhe serviria de proteção. Entretanto, já ocorreu o nascimento de alguns exemplares, nomeadamente da espécie borrelho-de-coleira-interrompida.

Também já foi possível observar a interação de outras espécies, como por exemplo uma raposa atravessando uma área onde se encontrava a tubagem de repulsão, demonstrando que a obra não afeta a normal vivência de várias espécies no habitat da Ria de Aveiro.

Assim, constata-se que as ações de alimentação de espécies avifaunísticas na ria, bem como o seu comportamento reprodutivo ou de nidificação não são afetados pelos trabalhos de dragagem e de deposição, o que claramente é um fator muito positivo de como é possível realizar intervenções de grande envergadura sem prejudicar o funcionamento dos habitats presentes e o comportamento das espécies que neles habitam.

Recorde-se que esta empreitada – Transposição de Sedimentos para Otimização do Equilíbrio Hidrodinâmico na Ria de Aveiro (também designada por Desassoreamento na Ria de Aveiro e que está a ser desenvolvida em 2 lotes) – está em curso desde 23 de abril de 2019, tendo sido adjudicada pela Polis Litoral – Ria de Aveiro ao Consórcio “ETERMAR/MMAS/ROHDE NIELSEN”, pelo valor de 17,5 milhões de euros + IVA.

Do total de 1 milhão de m3 de sedimentos a dragar dos vários canais da Ria [canais de Ovar até ao Carregal e até Pardilhó, da Murtosa, de Ílhavo (rio Boco), de Mira, do Lago do Paraíso e da Zona Central], cerca de 650 mil m3 serão depositados nas margens da ria, em zonas baixas ameaçadas pelo avanço das águas e pelas cheias, para proteção de pessoas e bens. Nos Canais de Mira e de Ovar até ao Carregal, para além dos depósitos previstos nas margens, parte dos sedimentos, cerca de 350 mil m3 será depositada na praia, na zona de rebentação, de forma a lavar o sedimento e reforçar a deriva litoral, com vista à minimização de efeitos erosivos nestes troços particularmente ameaçados.

Esta ação é financiada pelo POSEUR – Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos, com uma comparticipação de 75%, sendo a contrapartida nacional assegurada pelo capital social proveniente do Estado e pelas Águas do Centro Litoral, no que respeita à estabilização das suas condutas.

Polis Ria de Aveiro

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