Aveiro / Covid-19: Informação da população para acompanhamento e resposta de proximidade

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Antiga Capitania, Assembleia Municipal de Aveiro.
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“Declaração de voto” é um espaço de opinião semanal dos partidos representados na Assembleia Municipal de Aveiro.

  • A evolução da pandemia do Covid-19 a nível local e regional é adequadamente comunicada para garantir informação da população, bem como o acompanhamento e a resposta de proximidade da parte dos agentes envolvidos no concelho de Aveiro, que é um dos incluídos no mapa de risco elevado ?

“O conhecimento e a publicitação dos números é um assunto que a Direção-Geral de Saúde (DGS) aconselha a não ser feito, pois o conhecimento dos mesmos em nada resolve ou atenua o contágio ou a evolução da pandemia. Para a DGS, os números só devem ser do conhecimento de determinados organismos locais, para estes modelarem as suas ações no terreno e junto dos cidadãos.
Neste momento, mais importante que termos conhecimento dos números e saber se subiu 10 ou desceu 20, é importante dizer que o Governo falhou: não planeou, não investiu em recursos humanos e em equipamentos, não negociou com os privados atempadamente. Mas muitas pessoas também falharam: andam sem máscara, juntam-se em grupos, circulam sem necessidade.
Se refletíssem na desgraça que se vive nos hospitais e se pusessem no lugar de quem lá está, ficariam em casa sempre que possível, valorizando a saúde que ainda têm, e isto sim era ajudar e é muito mais importante que saber ou não os números.” – Manuel Prior (PSD).

“Os responsáveis pela gestão da informação de situações que envolvem grandes massas ou expressiva parte da sociedade vivem sempre o dilema de mais ser muito ou menos ser pouco.
Por estes dias – já meses! – e a propósito da pandemia Covid 19 sublinhou-se a importância da contenção, disse-se (e mantém-se) que, perante uma tragédia sem precedente e cheia de incógnitas, todos temos de fazer o melhor que está ao nosso alcance, ou seja, em tudo isto, menos pode ser mais – muito mais. Não cria alarmes necessários, nem confusões inoportunas.
O avanço do número de casos, a (necessária) conjugação combate à pandemia versus desenvolvimento da economia, faz com que localmente haja medidas diferentes. É importante, por isso, manter uma informação (local) simples, clara, objetiva. Onde a simplicidade assertiva fará compreender a evolução do fenómeno e esclarecerá os cidadãos e os vários interlocutores envolvidos no combate à pandemia.
A comunicação credível tem sempre um dado subtendido, que é determinante: não pode haver aproveitamento de nenhuma ordem de um problema que é transversal, deve conter em si uma função pedagógica para desencadear o melhor das pessoas numa responsabilidade que é coletiva” – Francisco Picado (PS).

“A opção seguida pelo Governo no que respeita a comunicação dos dados da pandemia de Covid-19 é de serviços mínimos, quase inexistentes.
Numa primeira fase, eram actualizados diariamente o número de caso por concelho, mas desde há uns meses, alguém entendeu que aos portugueses bastavam as conferências de imprensa da DGS.
É incompreensível esta posição, menorizando a capacidade de análise dos portugueses à informação que lhes devia ser prestada, não só no que respeita ao número de casos e respectiva evolução por concelho, mas também informando de uma forma clara o número de surtos em cada concelho e o número de casos em cada surto.
Compete a cada um de nós cumprir com as regras fundamentais para evitar a propagação da pandemia, mas, se tivéssemos ao nosso dispor toda a informação necessária, certamente que o poderíamos fazer muito melhor.” – Jorge Greno (CDS).

“Se não existe forma de antecipar uma pandemia ou reverter os seus efeitos de maneira rápida e indolor, a verdade é que existem fatores preponderantes na gestão pandémica. Faltam respostas sociais eficazes nesta gestão por parte do executivo aveirense, que poderia desenvolver ações mais próximas da população, como por exemplo a disponibilização gratuita de máscaras. Neste sentido, apesar de terem sido tomadas algumas decisões acertadas, como a distribuição de pontos de desinfeção pelo centro da cidade, uma pandemia deve ser enfrentada com respostas socialmente mais efetivas (ou musculadas, uma palavra em voga), como por exemplo a redução do IMI ou a aplicação de uma tarifa social da água, medidas essas que seriam abrangentes e auxiliariam muitos agregados que se vêm atualmente em situações precárias, quer por motivo de doença quer por situação de desemprego. Mais ainda, deveriam ser disponibilizadas nas plataformas digitais da Câmara Municipal de Aveiro atualizações constantes e intuitivas referentes ao número de casos ativos da COVID-19. Não devem existir respostas meramente individuais perante casos particulares, nem devemos deixar que a responsabilidade individual apague o importante papel da Autarquia, e nesse sentido a resposta social do Executivo tem sido insuficiente.” – Andreia Fonseca (BE).

“A relação entre os organismos da Administração Pública local e central, entre os diversos órgãos de poder político deve ser pautada pela transparência, honestidade e boa-fé. Julgamos ser necessário reforçar e prosseguir nesse âmbito. Contudo, parece-nos negativa a exploração de naturais dificuldades no levantamento de dados para indução de alarmismo, mistificação e especulação sobre dados, com efeitos negativos na relação entre organismos e especialmente junto da comunidade médica e das populações.
Aqui reafirmamos que a exigente situação sanitária não se resolve através de novos “estado de emergência” com limitações aos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos e trabalhadores ou pelo violento exercício de culpabilização individual, que desonera as responsabilidades coletivas. Pelo contrário, será pelo esclarecimento e pedagogia, pelo reforço de medidas preventivas (com meios materiais e humanos, por exemplo nos transportes) e com o investimento e reforço no Serviço nacional de Saúde.
Para o PCP as medidas de proteção sanitária, não podem implicar a destruição da vida. Antes enquadradas e ponderadas de forma pedagógica e coerente.” – Filipe Guerra (PCP).

“A população deve ter acesso à informação real sobre a evolução de casos, até como forma de precaução. Lembramos que inicialmente se veiculou que o uso das máscaras pela população em geral não seria aconselhável. As mudanças de posição vão-se sucedendo e consideramos fundamental haver coerência.
O Executivo aveirense não tem desenvolvido uma política de proximidade à população, algo que se verifica também nesta situação pandémica e não tem estado à altura das respostas sociais que se exigem. A titulo de exemplo, temos uma cidadã que foi despejada no dia 8 de Outubro e que se encontra a viver dentro de um automóvel junto ao cemitério sul. Temos evidado esforços junto das entidades competentes e é incompreensível que este caso continue sem solução porque, segundo estas mesmas entidades, esta não se quer separar dos seus dois cães. É incompreensível este braço de ferro com quem está num momento tão frágil e esta falta de sensibilidade para com quem tem como única companhia os seus animais de estimação, exigindo-lhe que os deixe para trás, com a quebra de laços afectivos que tal representaria neste caso concreto.” – Marta Dutra (PAN).

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