Cidadãos insistem em travar cave estacionamento no Rossio

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Jardim do Rossio, Aveiro.

“O presidente foi recebido de braços abertos, mas agora não respeita ninguém”. O desabafo de um munícipe ecoou em jeito de lamento durante o segundo debate sobre o projeto para o jardim do Rossio em que a Ribau Esteves continuou a não recuar na pretensão de instalar a cave de estacionamento.

O porta voz do movimento ‘Juntos pelo Rossio’, David Iguaz, retomou os receios técnicos, garantindo que a Câmara terá forçado conclusões contrárias ao que surgirá no estudo geológico, ao, supostamente, omitir a referência “muito condicionante e desfavorável ao estacionamento” subterrâneo. “Isto é bastante grave”, disse.

A preservação das ruínas destapadas da antiga igreja de São João, que permitiram encontrar a pedra da soleira, também não convenceram a generalidade dos presentes. “Vamos ter duas piscinas, com água a subir e descer”, ironizou um dos cidadãos que tomou a palavra depois de se saber que os achados arqueológicos ficarão à mercê do lençol freático, regulado pela eclusas.

Dar guarida ao carro na zona da cidade em causa, foi visto pelo representante da associação MUBI como “um retrocesso civilizacional”. Para a Ciclaveiro, o projeto do Rossio “falha por assentar apenas no estacionamento”, questionando “a real motivação”.

Houve quem apelasse à mobilização da “oposição fortíssima” para arranjar “um arquiteto e apresentar um projeto popular” com alternativas que a Câmara não tem vindo a equacionar, como a deslocalização para a zona da lota do estacionamento.

“Vamos atrair carros e deveria ser o contrário”, criticou Fernando Rocha, deputado na Assembleia da República, dando como exemplo a seguir o que sucedeu no Terreiro do Paço, em Lisboa. Quando foi eliminado o estacionamento pura e simplesmente ao fim de algum tempo os utilizadores acomodaram-se nas alternativas. “Partir do princípio que não há lugares para carros, pensar em restrições e compromissos, fazer as coisas de forma inteligente, vir a pé ou de bicicleta”, recomendou.

O arquiteto Nuno Mateus, coordenador do projeto que venceu o concurso de ideias, lembrou que “é da lei” assegurar informação e monitorizar aquando da fase de construção, sublinhando as vantagens de uma cave que permitirá “livrar” a superfície de estacionamento. “Temos ouvido muito, modificado muito, temos ainda muitas dúvidas”, rematou.

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