Aveiro: Diminuição de qualidade de vida

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O presidente da Câmara de Aveiro, Ribau Esteves, escreveu um artigo para o Jornal de Notícias onde pede uma solução sem “perturbações democráticas” para lidar com a crise resultante da pandemia. Procura um Portugal de todos, mais descentralizado, mais solidário. Diz mesmo que está envolvido neste combate há alguns meses.

Por Ernesto Oliveira *

De facto a democracia sempre perturbou o presidente aveirense. Avançou com um modelo de orçamento participativo em que os aveirenses são obrigados a contribuir com o seu próprio dinheiro para as propostas que faziam, ignorou qualquer forma de celebração do 25 de abril e investiu na produção de uma novela o mesmo valor que atribuiu no apoio às famílias em tempo de pandemia.

No mesmo artigo diz ser preciso uma cultura de um verdadeiro e solidário serviço público. Entretanto por Aveiro entrega os transportes públicos aos privados e pretende estoirar milhões na construção de um parque de estacionamento subterrâneo, destruindo espaços verdes no centro da cidade, apesar da existência de quatro estacionamentos subterrâneos nas redondezas. Tudo em nome da valorização de uns poucos negócios hoteleiros dependentes de reservas de estacionamento para poderem avançar.

O mercado mobiliário está cada vez mais caro em Aveiro, neste momento está em curso uma requalificação de uma avenida que irá gerar “dezenas de milhões de euros de investimento privado”, o próprio Ribau Esteves o garantiu, lê-se no twitter do antigo presidente da Assembleia Municipal de Aveiro, Nogueira Leite. A isto soma-se os serviços cada vez mais centralizados no centro da cidade, os transportes públicos mais reduzidos e o trânsito a invadir zonas de habitação. Um pacote completo de diminuição de qualidade de vida.

Por um lado entende-se que o presidente aveirense não se preocupe com as condições de vida da população. Candidato pelo partido da troika, da austeridade, contra o aumento do salário mínimo. Há um ano atrás dizia: “Só vejo gente a ganhar dinheiro e, muitos deles, como nunca”. Hoje diz que é preciso um serviço público para que todos sintam Portugal como seu. Sem dúvida que com a entrega do muncípio ao negócio privado há quem esteja a sentir que Aveiro é sua. Felizmente para o presidente aveirense, desta forma sempre se evitam as “perturbações democráticas”.

* Estudantes universitário, membro da concelhia do Bloco de Esquerda de Aveiro.

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