Assembleia Municipal de Aveiro (Dezembro de 2025).

Embora “discordando de muitas opções”, o PS entendeu “não ser obstáculo”, decidindo-se, assim, pela abstenção na hora de votar as Grandes Opções do Plano (GOP) e Orçamento de 2026 apresentadas para o primeiro ano de mandato camarário em Aveiro.

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Postura reafirmada na última Assembleia Municipal (AM) pelo deputado Fernando Nogueira. Tratando-se de uma proposta de “continuidade” do ciclo anterior, “o mais natural” seria os socialistas rejeitarem, mas optaram pelo “acompanhamento vigilante” do desempenho da gestão municipal sem querer usar os “contributos” dados no seio do executivo, alguns dos quais aceites, como “moeda de troca” para garantir o sentido de voto mais favorável.

O eleito do PS criticou o plano e orçamento porque não traz “pensamento novo para as políticas municipais”, surgindo, pelo contrário, “carregado de esqueletos de propostas que nunca saíram papel”, inscrevendo verbas “residuais” em áreas que deveriam merecer mais atenção. Além disso, tem “coisas estranhas”, tendo sido dado como exemplo o “estudos” com, 300 mil euros de dotação para o sector da habitação, quando a Estratégia Local de Habitação (ELH) “foi aprovada recentemente”.

Fernando Nogueira notou também a referência a planos de pormenor para áreas de acolhimento empresarial, questionado, afinal, “o que aconteceu” ao projeto para Taboeira anunciado em 2018 e que seria para candidatar ao PRR. Também perguntou pelos resultados do estudo para mas obras de requalificação na zona da Beira Mar adjudicado em 2019.

Para o deputado, as GOP apresentam “muita continuidade para muita pouca inovação” e a discussão das opções tomadas não satisfaz: “O presidente não interiorizou a necessidade de concertar ideias e partilhar o poder, prefere queixar-se de litigância e forças de bloqueio, é assim como vê a atual interação politica”, lamentou, não perspectivando melhorias: “nada na sua governação será decidir fazer carnavais da Ria sem antes tratar com os moliceiros”.

À direita, a Iniciativa Liberal não deixou de associar à declaração de voto (também de abstenção), “alguns sinais de alerta”, como disse Cláudia Rocha, dando o exemplo da inscrição de 30% do investimento como “não definido” ou a “sustentabilidade do orçamento estar associada a financiamentos”.

Um plano que inclui “novas obras, mas pouca manutenção”, e a que surge neste caso é “reação a degradação” (estádio, museu). Deveia incluir também “estratégia e não apenas enunciados”.

Uma “parte significativa” dos projetos são “herdados”, de compromissos plurianuais, o que levou a vogal a “exortar”, em jeito de desafio, a maioria “a apresentar a concretização destes programas para sejam discutidos”.

Armando Grave, do Chega, repetiu argumentos apresentados na Câmara, mantendo a abstenção. “Faltam prioridades claras e coragem de corrigir erros”, lamentou, dando como exemplos as intervenções necessárias na rede viária ou a maioria ter “ignorado os problemas na avenida” principal da cidade. Ou não inclua o reclamado apoio social ao bombeiro. O eleito do Chega estranhou, ainda, que reivindicações locais como a ampliação do hospital ou o ‘Aveiro – Águeda’ estejam “em suspenso, sem decisão política”, quando foi invocada, na campanha eleitoral autárquica, a “proximidade” ao Governo para garantir avanços.

“Não promete milagres, mas condições reais para transformar Aveiro”. Gonçalo Caetano Alves, do CDS, destacou como positivo a “continuidade” da “visão” traçada em mandatos anteriores, mas também a “abertura para a nova fase”, que será “exigente, de proximidade e orientada para resultados”.

Joaquim Marques (PSD) assumiu como normal a proposta de GOP “num quadro de continuidade” para dar sequência “a projetos estruturais”. Das “novidades”, lembrou a decisão de implementar ao longo de 2026 a taxa turística. Um orçamento “prudente e com sustentabilidade financeira”, destacando, ainda, as propostas orientadas para a “coesão territorial e a descentralização do investimento”.

No tempo para das respostas, o presidente da Câmara apontou o projeto para criar a ‘Casa da Memória /Arquivo Municipal’, em Aradas, como exemplo da gestão de continuidade. “Assumimos como boa herança, não fomos eleitos no pressuposto de repudiar a boa herança, ficou claro. Há obras que vão avançar e vamos trabalhar muito por elas”, sublinhou.

Luís Souto disse acompanhar “as preocupações com a regularização dos transportes” para São Jacinto, assunto levantado pela presidente da Junta local, com uma “oferta adequada”, lembrando  o “investimento muito considerável” feito  com o ferry, apesar das “suas falhas, uma vez ou outra”. Ainda assim, a melhoria dos transportes já foi abordada numa “conversa com concessionário”.

Com a aprovação do orçamento, será dada uma resposta “mais robusta” à recuperação do espaço público, em muitos casos “uma urgência”, que exige “ter maior capacidade de resposta”.

Sobre o eixo rodoviário Aveiro – Águeda, apelou que seja uma “das causas de unir e não para lutazinha política” local e “o mesmo se aplica no hospital”, que “não é construído pela Câmara”, embora tenha disponibilizado para o efeito “dois dos seus mais valiosos terrenos”. Passaram-se “sucessivos governos e infelizmente nenhum colocou a primeira uma pedra que fosse”, lamentou o edil, adiantando que mantém “conversas com todos” na busca de avanços. No último encontro com a administração do hospital, foi dado conta “da novela” em torno da adjudicação do projeto, ainda alvo de litigância, que está a causar atrasos.

Sobre investimentos futuros, a ambicionada nova piscina, que está em fase de concurso para elaboração de projeto, é uma aposta renovada. “Estamos a trabalhar num modelo que poderá vir a ser até surpreendente”, referiu em resposta a uma questão da IL sobre se o recinto teria dimensões olímpicas.

Depois de sublinhar a “mais valia” que tem sido o novo Rossio, o presidente voltou a admitir que o jardim praça “agora precisa de melhoramentos”.

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