
Augusto Pereira Soromenho nasceu em Aveiro no dia 20 de Fevereiro de 1833 e faleceu em Lisboa, a 9 de Janeiro de 1878, com tuberculose pulmonar, sendo seus pais naturais de Valença do Minho, que tinham procurado refúgio em Aveiro das guerras civis, onde o pai foi escriturário dos fornecedores de víveres às tropas miguelistas então em operações entre Oliveira de Azeméis e Águeda, mas que optou pela fuga para o Porto após a derrota doa absolutistas na cidade de Aveiro.
Por Fernando Ferreira Dias *
Muito jovem foi escrevente das alfândegas e lia à noite livros que obtinha por empréstimo, revelando-se um autodidacta que aprenderia latim e obteria profundos conhecimentos de literatura. Nas horas vagas e nos feriados, visitava a Biblioteca de São Lázaro, no Porto, onde despertou a atenção por consultar os clássicos e as obras escritas em línguas mortas.
Pouco depois passou a colaborar no jornal “Portugal” , mostrando-se nos seus escritos defensor dos princípios conservadores, mesmo miguelista, e um fervoroso católico. Passou a colaborar em diversos periódicos católicos, entre os quais a “A Cruz e O Cristianismo”, e dirigiu o periódico intitulado “Bibliotheca Cathólica do Seculo XIX”.
Por esta altura passou a assinar artigos com o nome de Augusto Pereira de Vabo y Añaya Gallego Soromenho e outros com “de Castro e Pedegache”, afirmando que descendia de famílias nobres de Castela e do Algarve. A sua mãe seria prima do conde das Antas. A partir de 1852 passou a ser protegido de Salvador Paes de Sande e Castro, um jovem rico de São João da Pesqueira, que o apresentava nas salas da alta sociedade e lhe emprestava os seus cavalos, pois era dado aos exercícios da equitação.
Passou a escrever a poesia, dando provas de grande talento ao publicar na Miscellanea Poética, uma revista semanal de composições métricas que se publicou no Porto em 1851 e 1852. Porque tinha um mau feitio de génio volúvel e altivo, o grande Camilo Castelo Branco, no 2.º volume do seu Cancioneiro Alegre, afirmou que nunca viu ninguém com tantas artes para ganhar inimigos e que sacrificava os seus benfeitores àquilo a que a sua consciência chamava Justiça, lembrando-se dele muito novo e infeliz, sem proteção nem meios para se vestir e sustentar, por ser conflituoso.
Obteve um modesto emprego na Biblioteca do Porto, em 1855 onde durante os anos imediatos se dedicou ao estudo da história de Portugal e de arqueologia. Dos seus estudos resultou a publicação de numerosos artigos avulsos em diversos periódicos, que complementava com artigos de crítica literária. Entre estes últimos artigos dedicou alguns a acusações de plagiato, de que resultaram azedas polémicas. Pelos seus conhecimentos de paleografia foi escolhido para visitar os cartórios das colegiadas e mosteiros para extrair os elementos úteis aos estudos históricos então em curso.
Fez amizade de pouca dura, pelo seu mau feitio, com Alexandre Herculano, que o transfere de serviço. Convém lembrar que nunca fez amigos e chegou a estar em Aveiro onde foi júri nuns exames no Liceu de Aveiro, tendo ficado hospedado em casa do governador civil da altura, Mendes Leite.
* Série de publicações ‘Personagens que fazem Aveiro’. Artigo publicado em Aveiro na História.
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