As preocupações do emprego na retoma da atividade turística

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Restauração.
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Com a retoma anunciada, pese embora a incerteza da evolução da pandemia, a questão da formação e da qualificação dos profissionais recoloca-se em cima da mesa e com carácter de urgência.

Por Mário Pereira Gonçalves *

A falta de recursos humanos nos setores da restauração, similares e do alojamento turístico volta a ser um problema nos dias de hoje, tal como o foi em 2019 e início de 2020 (pré-pandemia), altura que as nossas atividades registavam crescimentos sucessivos, e existia uma enorme dificuldade em contratar trabalhadores.

Mal se imaginava o que aconteceria pouco mais de um ano depois, num contexto completamente contrário ao que se vivia antes de março de 2020.

Agora, volvido mais de ano de pandemia, e uma vez que o avançar do plano de desconfinamento está a permitir alguma retoma da atividade, as nossas empresas deparam-se novamente com um enorme dificuldade no recrutamento de profissionais, não obstante ter-se registado uma perda de mais de 100 mil postos de trabalho no primeiro trimestre 2021 face ao mesmo período de 2020, conforme indicou o INE.

Uma ambiguidade que pode ser explicada pelo facto de muitos profissionais, dada a inatividade das empresas turísticas no último ano, poderem ter sido deslocados para outras atividades económicas, e que agora não pretendem regressar a trabalhar na restauração ou no alojamento.

Acresce a este facto a época de férias, em que muitos adiam o seu regresso, coincidindo precisamente, com a época de maior procura por parte dos turistas nacionais e internacionais, logo, de maior necessidade de trabalhadores por parte das nossas empresas.

Este abandono do capital humano na atividade turística é muito preocupante, pois as empresas tinham vindo a investir na formação dos seus ativos e este percurso de qualificação e desenvolvimento das carreiras pode ter-se perdido neste intervalo abrupto da crise.

Uma vez que as pessoas são o ativo mais importante em qualquer atividade, em particular na atividade turística, há uma questão de fundo que tem que ser trabalhada e que só pode seguir o caminho do investimento na formação e qualificação dos recursos humanos do Turismo.

Mais do que nunca, a AHRESP reforça a necessidade premente da concretização de muitas das propostas apresentadas, na área da formação, qualificação, programas de início de carreira, capacitação de migrantes, como sendo o caminho obrigatório a percorrer para suprir a dificuldade de contratação de ativos para os nossos setores de atividade.

Ciente desta preocupação, e já no contexto de recuperação de uma pandemia que a todos apanhou de surpresa, lançámos a plataforma de recrutamento RISEHORECA byAHRESP, uma ferramenta desenhada à medida das características destes setores, dadas as suas especificidades, nomeadamente pelos picos de procura que registam, e com a elevada rotatividade de trabalhadores.

Complementarmente, a AHRESP reforça a sua disponibilidade para interagir com as demais instituições, públicas e privadas, designadamente com o IEFP e os seus Centros de Emprego e com as Escolas Profissionais, no sentido de facilitar o acesso ao mercado de trabalho.

Com a retoma anunciada, pese embora a incerteza da evolução da pandemia, a questão da formação e da qualificação dos profissionais recoloca-se em cima da mesa e com carácter de urgência.

As respostas para a dignificação das carreiras na área do turismo têm que ser estruturais e os fundos desenhados para a atividade pelo Plano Reativar o Turismo | Construir o Futuro, recentemente apresentado pelo Governo, devem prever uma dotação específica para as áreas da formação e qualificação dos profissionais.

Sem pessoas devidamente formadas e motivadas para trabalhar nestes setores de atividade, estamos a comprometer a qualidade de Portugal enquanto destino turístico, pelo que as preocupações de emprego não podem ser um entrave na retoma da atividade turística

* Presidente da AHRESP, editorial da revista Manual de Negócios.

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