Agricultura e Florestas no novo ciclo governativo

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Agricultura.
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O dia 10 de Março de 2024 marcou uma viragem política a vários níveis e a Agricultura e as Florestas são um bom exemplo do que é preciso fazer diferente.

Por António Reis Pereira *

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As últimas décadas foram marcadas por uma perda crescente do interesse no meio rural e por tudo quanto lá se passa, com exceção dos incêndios, que custam votos.

De facto, uma população crescentemente urbanizada tem feito eleger governos, que têm governado maioritariamente para quem os elege, com a perda de importância das restantes franjas de população. Infelizmente, em Portugal continental o território não elege deputados, e por isso quem governa a pensar nas eleições tem um foco quase total nos locais onde se acumulam as pessoas.

Ora a perda de importância do mundo rural e das atividades económicas que o sustentam tem sido consequência de opções políticas, não é uma inevitabilidade, e felizmente, na campanha para estas eleições percebeu-se que existe interesse em dar uma outra atenção ao interior do país.

Deste modo, a escolha do novo ministro, alguém com peso político, experiência de Bruxelas e com provas dadas (4º eurodeputado mais influente do PE) é um bom indicador para o setor, que pode e deve voltar de novo à agenda das opções políticas.

A reincorporação das Florestas no Ministério da Agricultura foi um primeiro passo de toda a relevância, aliás ainda é difícil de perceber e de aceitar como foi possível tal separação.

Depois, a pacificação do setor é fundamental para evitar mais perdas de sinergias. Os agricultores têm vindo a queixar-se e é preciso ouvi-los e ir de encontro às suas pretensões, que regra geral, é preciso dizê-lo, são pretensões justas.

É preciso também voltar a ganhar a opinião pública para a causa da Agricultura e das Florestas. A ideia de que os alimentos aparecem por geração expontânea nas prateleiras dos supermercados e que os produtores são meros coletores de subsídios foi sendo incutida ao longo das últimas décadas e deve ser revertida, ou seja, é preciso comunicar mais e melhor, seguindo uma estratégia comunicacional.

Os agricultores e os produtores florestais, já provaram e provam todos os dias, são bons empresários, e reagem a estímulos. O Estado deve cumprir a sua parte, honrando com os compromissos inerentes à política agrícola, fazer os investimentos necessários para que o setor evolua, e acima de tudo deve atrapalhar o menos possível, quer por via da burocracia quer por via dos impostos.

Por fim, é preciso ter uma estratégia de desenvolvimento, e Alqueva prova bem o que acontece quando são criadas as condições para que o setor evolua. Neste contexto, devem ser lançadas sem demora as bases para a chamada auto-estrada da água e para o Projeto Tejo.

Não existem países fortes sem setores produtivos fortes, e Portugal, que não é um país pequeno, não se pode dar ao luxo de deixar a maior parte do território quase ao abandono. A aposta nas principais atividades económicas produtivas do interior (Agricultura e Florestas) é central para reverter a desertificação, dando também uma contribuição positiva para a crise demográfica.

De facto, vivemos num país com um território onde poderiam viver 15 milhões de pessoas, e se assim fosse Portugal teria uma outra escala para crescer. Infelizmente, não conseguimos ser mais do que 10 milhões, e na situação demográfica atual mesmo essa população tende a regredir, pelo que são precisas medidas disruptivas de fundo. Deste modo, desenvolver a Agricultura, as Florestas e, por conseguinte, o meio rural, sendo estratégico para o país, é nesta altura muito mais estratégico do que mais investimentos nos meios urbanos.

* Eng. Agrónomo e Gestor de Empresas. Artigo publicado originalmente em Agroportal.

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