Turismo Centro de Portugal.

Planeamento, sustentabilidade e cooperação são as novas fronteiras do poder autárquico.

O turismo português entra numa nova etapa: a etapa da responsabilidade. Depois de duas décadas de crescimento, visibilidade e afirmação internacional, o verdadeiro terreno de transformação está agora no território, nas autarquias, nas comunidades e nas pessoas que nelas vivem. A próxima revolução turística é local.

A segunda edição do Guia para a Gestão Autárquica do Turismo 2025–2029, recentemente publicada pelo IPDT – Tourism Intelligence, evidencia uma conclusão inequívoca: o turismo municipal em Portugal deixou de ser um conjunto de iniciativas promocionais para se tornar uma dimensão estruturante da governação local.

De um setor complementar a um eixo central da governação

Durante demasiado tempo, o turismo foi tratado como um pelouro de segunda linha, uma área simpática, associada à cultura ou aos eventos. Hoje, essa perceção mudou. O turismo é, cada vez mais, um fator de competitividade, coesão territorial e qualidade de vida.

Quando bem planeado, o turismo cria emprego qualificado, revitaliza o comércio e a restauração, valoriza o património e promove a inclusão. Mas, quando mal gerido, gera tensões sociais, pressiona recursos e descaracteriza identidades locais.

O grande desafio das autarquias portuguesas é transformar o turismo de oportunidade em turismo de planeamento. Isso exige visão estratégica, capacidade técnica e uma nova cultura de cooperação, dentro e fora do município.
O tripé do turismo local moderno: planeamento, sustentabilidade e cooperação

O estudo do IPDT identifica três pilares fundamentais para o sucesso das políticas municipais de turismo:

  • Planeamento estratégico — integrar o turismo nas restantes políticas públicas e orientar a ação por objetivos concretos e mensuráveis;
  • Sustentabilidade — assegurar o equilíbrio entre crescimento, preservação ambiental e qualidade de vida dos residentes;
  • Governança partilhada — envolver empresas, associações, universidades e comunidades locais na definição e execução das estratégias.

Mais do que recomendações técnicas, estes princípios são condições essenciais para que o turismo local deixe de ser uma soma de eventos e se torne um verdadeiro projeto de futuro.

Um turismo para todos: desenvolvimento com justiça social

A visão que propomos é simples: o turismo só é bem-sucedido se melhorar a vida de quem vive nos destinos. Isso significa gerar valor económico, mas também garantir habitação acessível, proteger o ambiente, preservar tradições e fortalecer o sentimento de pertença das comunidades.

Um turismo inteligente é aquele que cria riqueza e a distribui de forma justa, que atrai investimento responsável sem comprometer os recursos que tornam cada lugar único.
Portugal como referência internacional

A experiência acumulada mostra que os territórios que apostam em inteligência, estratégia e sustentabilidade são os que mais rapidamente transformam o turismo em qualidade de vida. O turismo do futuro constrói-se a partir das pessoas e dos lugares — e é nos municípios que essa transformação começa. O turismo municipal já não é uma política setorial: é uma alavanca para o desenvolvimento equilibrado, a inovação social e a projeção internacional.

Portugal tem hoje a oportunidade de liderar esta nova geração de políticas públicas locais, mais humanas, mais sustentáveis e mais inteligentes.

* Artigo publicado original no Blog IPDT.

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