A “Ponte Velha do Vouga”

1897
Ponte do rio Marnel , Águeda.
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O meu trabalho enquanto Deputado eleito pelo distrito de Aveiro já começa a dar resultados. O Chega recomenda ao Governo a classificação como imóvel de interesse nacional e reabilitação da antiga Ponte do Vouga.

Por Jorge Valsassina Galveias *

Projecto-Resolução pela classificação como imóvel de interesse nacional e reabilitação da antiga Ponte do Vouga.

Conhecida aos dias de hoje como “Ponte Velha do Vouga”, foi outrora simplesmente conhecida como “Ponte do Vouga”, pois era a ponte localizada junto à antiga vila com o mesmo nome, sede do mais antigo município do Baixo Vouga, pertencendo aos dias de hoje à freguesia de Lamas.

Das pontes ainda existentes, é a mais antiga daquela sub-região, sendo que se verificam registos da sua existência já no século XIII, apesar da sua singularidade, esta ponte, ao contrário de outras, não foi ainda classificada como Imóvel de Interesse Público. Como foi o caso da Ponte do Marnel, que data do século XIV, e que foi classificada em 1956. Um dos grandes entraves à reabilitação da Ponte Velha do Vouga é justamente não deter tal classificação .

A importância histórica e patrimonial da referida ponte, justifica a sua classificação como imóvel de interesse público, não se compreendendo esta lacuna e falta de interesse na sua reabilitação e manutenção.

Esta é considerada a mais antiga ponte sobre o rio Vouga tal como a mais importante do ponto de vista histórico e cultural, no distrito de Aveiro. Uma ponte medieval com cerca de 800 anos, reconstruida e ampliada por Dom João III e mais tarde novamente por Dom João V. Segundo os investigadores, todos os acréscimos não retiram importância, sendo que ainda permanecem assinaturas de pedreiros medievais nos arcos. Estes arcos são uma imagem de marca desta ponte, que à entrada do século XX contava com 16, e cerca de 225 metros de comprimento.

Após a tragédia da queda da ponte de Entre-os-Rios em 2001, houve uma mudança de paradigma, passando a existir uma maior preocupação com o estado das pontes nacionais o que levou a várias vistorias por indicação das entidades. Ora, a Ponte do Vouga foi inspecionada apenas em 2010, depois de aumentar o sentimento de insegurança perante a ponte, sendo que na altura se soube que já outra inspeção havia sido pedida, paga, mas nunca realizada .

A empresa responsável pela vistoria não considerava haver risco de queda não tendo aconselhado o seu encerramento, tendo recomendado apenas algumas limitações de trânsito para veículos pesados. Mas em 2011, depois do aparecimento de uma fissura na travessia, a ponte foi encerrada em Maio, e em Novembro desse mesmo ano um dos pilares caiu.

Desde Novembro de 2011 que a ponte medieval do Vouga – recorde-se que com 800 anos de história e um monumento de enorme valor patrimonial e cultural – se encontra caída, abandonada e esquecida. Um país que não preserva e defende a sua história, património e cultura, é um país pobre.

A acrescentar a toda esta situação está o próprio esquecimento das populações que anseiam pela reabilitação da ponte e sentem uma grande falta de sensibilidade das entidades públicas, uma vez que são aconselhados e de certa maneira obrigados a usar o IC2 a 500 metros desta ponte.

Ora, a antiga Ponte do Vouga sempre fora fundamental para a ligação das populações ao seu redor, e segundo os próprios locais, existe um futuro óbvio, de enorme potencial, para aquela zona, uma praia fluvial na zona da ponte, apenas bastando que esta seja recuperada e sejam criadas condições para tal. É inadmissível deixar duas populações isoladas por pura incúria e não aproveitar potencialidades de enorme valor económico e natural.

Já em Maio do presente ano, ou seja, 11 anos depois do seu encerramento, foi realizada uma visita ao local e supostamente elaborado um parecer técnico pela Direção Regional de Cultura do Centro mas que ainda não foi remetido à Direção-Geral do Património Cultural. Este processo é fundamental para a classificação da ponte como imóvel de interesse público.

Contudo, com mais um Inverno a chegar, a preocupação é cada vez maior sobre a sobrevivência deste monumento, que se tem aguentado ano após ano aos fortes caudais do rio Vouga durante esses períodos. Mas que mais dia menos dia, se nada for realizado, acabará por ceder completamente, representando uma perda histórica e cultural gravíssima, um autêntico crime ao património de Portugal.

Assim, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentalmente aplicáveis, os Deputados do Grupo Parlamentar do Partido CHEGA, recomendam ao Governo que:

1. Torne público o relatório elaborado após visita ao local, Maio de 2022, pela pela DRCC;
2. Tendo em conta a urgência do caso, o valor histórico e cultural da ponte, classifique a antiga Ponte do Vouga como imóvel de interesse nacional;
3. Dê início o quanto antes à reabilitação da antiga Ponte do Vouga.

* Deputado do Grupo Parlamentar do CHEGA eleito pelo distrito de Aveiro.

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