Empreendedorismo.

Uma investigação da Universidade de Aveiro (UA) concluiu que “o dinheiro não é a única motivação dos ‘business angels’ para investir em startups”.

“O sentimento de propósito, a identificação com os projetos e a vontade de contribuir para a inovação e para a criação de impacto económico e social também ajudam a explicar o envolvimento destes investidores”, referem os autores.

Rui Falcão, António Carrizo Moreira e Maria João Carneiro, da unidade de investigação em Governança, Competitividade e Políticas Públicas (GOVCOPP) e do Departamento de Economia, Gestão, Engenharia Industrial e Turismo, procuraram saber “o que os leva” ‘business angels’ “a dedicar tempo e recursos” aos projetos de empreendedores.

A investigação agora publicada no International Journal of Entrepreneurial Behavior & Research analisou as respostas de 869 business angels de vários países, “procurando perceber a relação entre aquilo que os investidores consideram ser o propósito da sua atividade, o seu grau de envolvimento e o valor que atribuem à experiência de investir”.

Segundo a nota de imprensa, “os resultados mostram que os business angels que encaram a sua atividade como algo com significado e propósito tendem a envolver-se mais nas tarefas relacionadas com as startups, os grupos de investidores e o próprio ecossistema empreendedor.” Quando sucede, o “maior envolvimento está, por sua vez, associado a uma perceção mais elevada do valor retirado da atividade de investimento”.

Para investidores, “o valor de colocar dinheiro numa startup pode estar também na possibilidade de acompanhar um projeto, partilhar conhecimento, apoiar empreendedores e contribuir para o desenvolvimento de novas ideias.”

A investigação realizada “aplicou ao universo dos business angels a chamada Work as Calling Theory, uma teoria que estuda a relação entre trabalho, propósito e realização pessoal. O estudo é o primeiro a analisar de forma aprofundada o impacto deste sentimento de propósito na atividade dos business angels e no valor que estes atribuem às suas experiências de investimento.”

Os resultados são considerados “particularmente relevantes num contexto em que os business angels desempenham um papel importante no financiamento e desenvolvimento de startups.”

É que “para além do capital, estes investidores podem contribuir para o crescimento das empresas através da sua experiência, competências e redes de contactos.”

Os autores referem que “compreender a dimensão desta atividade pode ajudar os próprios business angels a perceberem melhor o propósito porque investem, a alinhar melhor os seus objectivos de vida com os problemas que as startups procuram resolver, a gerir melhor as expectativas associadas ao seu papel de agentes de mudança e inovação, e a potenciar o valor simbólico e emocional que retiram dos investimentos que realizam.”

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