Campanha contra o plástico no mar (arquivo).

O plástico faz parte do nosso quotidiano, mas à medida que se degradam transformam-se em pequenas partículas que colocam em causa o ambiente e a saúde.

Por Alfredo Pedro Mabica, José Luís Araújo, Ana Aguiar-Ricardo e M. Amparo F Faustino *

Todos os dias usamos plásticos sem pensar muito no destino que eles terão. Uma garrafa de água, um saco para colocar a fruta ou as compras ou uma embalagem de comida podem parecer objetos banais aos quais não damos importância porque entraram no nosso quotidiano como se fossem uma extensão do próprio produto.

No entanto, à medida que estes materiais se degradam, vão-se transformando em partículas de pequenas dimensões (inferiores a 5 mm) muitas vezes designadas por microplásticos, e que acabam por chegar aos rios, às praias e ao mar. Outros, como as microesferas que existem em certos cosméticos, são produzidos já com essas dimensões. Uma vez no ambiente, quer uns quer outros, entram na cadeia alimentar e desta forma chegam até nós.

Foi esta realidade bem presente em países onde o uso de plásticos se encontra fortemente disseminado e os sistemas de reciclagem ainda são débeis, que nos motivou a desenvolver um estudo com 947 estudantes do ensino secundário e superior da região de Maputo, Moçambique. Mais do que saber se os jovens conheciam o problema, queríamos compreender se esse conhecimento se refletia na forma como encaram o Ambiente e na vontade de o proteger.

Os resultados obtidos revelaram indicadores bastante encorajadores. Muitos estudantes demonstraram saber o que são os microplásticos e reconheceram os riscos que estes representam para os ecossistemas marinhos. Verificámos também que quem sabe mais sobre o tema tende a revelar uma maior consciência ambiental.

Mas a investigação realizada levantou-nos outra questão. Será que conhecer um problema é suficiente para mudar comportamentos?

A resposta parece ser mais complexa. Embora o conhecimento ajude a desenvolver uma maior sensibilidade para as questões ambientais, isso nem sempre se traduz numa participação mais ativa na proteção do Ambiente e na mudança de atitude. Afinal, agir depende também das oportunidades para participar e do envolvimento da comunidade escolar da comunidade civil.

Esta foi, talvez, a principal aprendizagem desta investigação. A educação ambiental não se decreta nem se pode limitar à transmissão de informação. Implica também proporcionar experiências que aproximem os jovens da Ciência e do meio que os rodeia. Uma saída de campo, a observação de uma praia ou uma conversa sobre como reduzir o uso plásticos ou a forma de lhes dar uma segunda vida reutilizando-os, pode despertar um sentimento de responsabilidade que nenhum manual, por si só, consegue transmitir.

Perante um desafio global como a poluição por plásticos e microplásticos, a mudança começa quando o conhecimento se transforma em participação. Talvez seja esse o passo mais importante para construir um futuro mais sustentável.

* Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF) da Universidade de Aveiro. Artigo publicado no site UA.pt.

 

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