Enoturismo.

Num mercado turístico cada vez mais global, competitivo e exigente, onde produtos, infraestruturas e até preços tendem a aproximar-se, o verdadeiro fator de diferenciação continua a ser e continuará a ser a hospitalidade.

Por Rui Terroso *

Mais do que conquistar novos clientes, o grande desafio das marcas, das empresas e dos destinos está em criar relações duradouras, assentes na confiança, na consistência e na criação de valor emocional. Fidelizar é, hoje, tão ou mais valioso do que atrair. Servir bem é rentável.

Cuidar de um cliente atual é mais eficiente e sustentável do que investir continuamente na captação de novos públicos. É com clientes satisfeitos, bem acolhidos e genuinamente encantados que se constrói o futuro – e é precisamente esse foco no bem receber que, de forma natural, atrai mais clientes.

No entanto, já não basta falar apenas em bom serviço ou em satisfação. O verdadeiro salto competitivo está na criação de uma cultura de encantamento do cliente ao nível das empresas, das marcas e, de forma mais ampla, do próprio destino.

Portugal conseguiu, nos últimos anos, posicionar-se na ribalta do turismo internacional. Ganhámos notoriedade, prémios, reconhecimento e visibilidade global. Mas essa posição não é garantida nem permanente. O turismo é um mercado altamente concorrencial, dinâmico e implacável. Novos destinos surgem com propostas atrativas, investimentos fortes e narrativas bem construídas. Se não evoluirmos, facilmente deixamos de ser relevantes.

É por isso que cada turista que sai de Portugal deve levar consigo uma experiência memorável, uma sensação de encantamento que vá muito além do alojamento, da gastronomia ou da paisagem. Deve levar uma emoção, uma história, uma vivência que queira contar, repetir e perpetuar – é essa experiência que eleva o nome de Portugal, que reforça a nossa reputação internacional e que nos mantém no radar das escolhas futuras.

A hospitalidade, neste contexto, deixa de ser apenas uma competência operacional para se afirmar como uma estratégia de destino. Cada contacto conta, cada interação influencia a perceção global, cada colaborador é um embaixador da “marca Portugal”.

Mas, para cuidar bem do cliente externo, é fundamental começar pelo início: cuidar do cliente interno. Os colaboradores são o coração da hospitalidade. São eles que materializam a promessa da experiência, que transformam processos em emoções e que fazem da excelência algo tangível.

Cuidar das pessoas não significa criar ambientes permissivos ou confortáveis em excesso, onde o crescimento é travado pela ausência de desafio. Pelo contrário. Um ambiente exigente, competitivo e estimulante é essencial para manter as organizações e os destinos relevantes. Os mercados não perdoam ineficiências, acomodação ou falta de ambição.

Cuidar do cliente interno é, acima de tudo, dotar as pessoas das ferramentas certas: formação contínua, liderança inspiradora, conhecimento, autonomia, propósito e exigência. A formação não deve ser vista como uma obrigação legal ou como o simples cumprimento de horas anuais, mas como algo essencial e estruturante. É através dela que as equipas evoluem, ganham confiança, entregam mais valor e alcançam melhores resultados.

Quando os colaboradores crescem, as empresas crescem com eles. E quando as empresas crescem, o destino fortalece-se. Com melhores resultados surgem mais oportunidades, maior prosperidade e maior sustentabilidade para todos.

No turismo, esta lógica é ainda mais evidente. Uma empresa, uma marca ou um destino que coloca a hospitalidade, o acolhimento e o encantamento no centro da sua estratégia, constrói um dos mais sólidos fatores de diferenciação a longo prazo. Encantar clientes é, de longe, uma das melhores estratégias de negócio, tanto para empresas como para destinos.

Ouvir os colaboradores e ouvir os clientes é parte essencial deste caminho e só assim é possível ajustar, melhorar e evoluir continuamente. Porque, no final de contas, a hospitalidade não é apenas uma prática operacional. É uma cultura. E os destinos que fazem do encantamento a sua identidade não atraem apenas turistas, mas criam memória, reputação e futuro.

* CEO e fundador da Living Tours Artigo publicado originalmente no site Publituris.pt.

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