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Mais do que prioridades isoladas, o setor precisa de um programa coerente, onde cada decisão contribua para um objetivo comum: gerar mais valor com melhor equilíbrio.

Antonio Jorge Costa *

O turismo em Portugal atingiu um nível de maturidade que exige uma mudança de foco. Já não basta crescer. É necessário criar mais valor, com maior impacto económico, social e territorial.

Num contexto de forte procura e reconhecimento internacional, as decisões que hoje forem tomadas irão definir o posicionamento do país nos próximos 5, 10 e 15 anos. Este é um momento de responsabilidade estratégica.

Mais do que prioridades isoladas, o setor precisa de um programa coerente, onde cada decisão contribua para um objetivo comum: gerar mais valor com melhor equilíbrio.

A primeira prioridade é a acessibilidade. O turismo começa no acesso. Consolidar ligações aéreas é essencial, mas é igualmente crítico reforçar a rede ferroviária e rodoviária. Só assim será possível distribuir fluxos, reduzir pressão e valorizar novos territórios.

A segunda prioridade é o talento. Sem pessoas qualificadas não há qualidade de serviço, não há diferenciação e não há produtividade. Valorizar carreiras e atrair talento é uma condição básica para sustentar um modelo mais exigente.

A terceira prioridade é a sofisticação da oferta. Portugal tem ativos únicos, mas precisa de os transformar em experiências diferenciadas. Quanto maior for a capacidade de inovar e diversificar, menor será a dependência do volume.

A quarta prioridade é a gestão do território. O desafio não está no número de turistas, mas na forma como são distribuídos e integrados. É necessário gerir densidade, fluxos e impacto, com base em dados e visão de longo prazo.

Estas quatro dimensões não funcionam de forma isolada. São condições que determinam a capacidade de o turismo português evoluir para a sua quinta prioridade, aquela que verdadeiramente define o futuro: o crescimento em valor.

Mais valor por turista, mais valor por território e mais valor para as comunidades.

É neste ponto que ganha relevância o conceito de turismo de coexistência. Um modelo que procura equilíbrio entre visitantes, residentes e território, assegurando que o crescimento do turismo reforça, e não compromete, a qualidade de vida e a identidade dos destinos.

O país não precisa de mais turismo a qualquer custo. Precisa de melhor turismo. Mais qualificado, mais distribuído, mais integrado e mais gerador de valor.

É essa a base de um modelo competitivo e sustentável a longo prazo.

* Presidente IPDT – Tourism Intelligence. Artigo publicado no site Publituris.pt.

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