Medicina Sanitária.

Agnelo Prazeres, engenheiro sanitário, foi pioneiro no tratamento das águas residuais domésticas, com aproveitamento das lamas.

Por Fernando Ferreira Dias *

Agnelo Caldeira Prazeres nasceu em Aveiro, no dia 16 de junho de 1895 e faleceu em Oiã, no dia 19 de junho de 1964, onde está sepultado.

Frequentou o Liceu Nacional de Aveiro, na primeira década do seculo XX, formou-se em engenharia no Instituto Superior Técnico, em Lisboa e especializou-se em engenharia sanitária na Universidade de Carolina do Norte, como bolseiro da Fundação Rockfeller e sobre sua experiência americana escreveu o livro “Salubridade na América do Norte”, publicado em 1934.

Foi diretor dos Serviços Industriais de Lisboa, engenheiro sanitário da Direcção-Geral de Saúde, engenheiro-chefe da Brigada Técnica da Direcção-Geral de Assistência, professor do Curso de Medicina Sanitária do Instituto Superior de Higiene Dr. Ricardo Jorge, membro das comissões de Profilaxia da Tuberculose, membro efetivo da Organização Mundial de Saúde, diretor dos Serviços Administrativos dos Hospitais Civis de Lisboa, integrou equipas que elaboram regulamentos de abastecimento de água e das canalizações de esgotos, regulamentos de estandardização de materiais de canalizações sanitárias.

Um dos projetos de saneamento público desenvolvidos por Agnelo Caldeira Prazeres, foi o de Espinho, onde o autor “preconizou a depuração mecânica e biológica das águas de esgoto, com tratamento e aproveitamento das lamas”.

Agnelo Caldeira Prazeres foi autor de obras de referência na área do saneamento, do abastecimento de água, da higiene e saúde pública: “Esgotos em cursos de água” (1935); “A febre tifoide e o abastecimento de água no Concelho de Ponta Delgada: do relatório apresentado à Junta Sanitária de Aguas” (1936); “Proteção das águas de abastecimento”, inserido no Boletim da Comissão de Fiscalização das Obras de Abastecimento de Água à Cidade de Lisboa (1941); “Saneamento – seus aspetos fundamentais” (1948).

Muito também contribuiu para o desenvolvimento de Oiã, terra de sua primeira esposa, tendo por sua influência política obtido a construção da Estação da CP, do Centro de Assistência Social, entre outras.

É justo prestar esta homenagem a mais este aveirense ilustre.

* Série de publicações ‘Personagens que fazem Aveiro’. Artigo publicado em Aveiro na História.

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