
Luís Souto aproveitou o seu primeiro discurso como presidente da Câmara de Aveiro, esta terça-feira na sessão solene do feriado municipal, religiosamente consagrado a Santa Joana, para pedir mais tempo para que a maioria em funções possa mostrar trabalho, dando sequência a projetos já lançados, mas também confirmando mudanças na ‘trajetória’ prevista pelo consulado de Ribau Esteves, que vão dar lugar a ideias próprias. A solenidade da cerimónia não impediu o edil de desferir um duro ataque à oposição, retomando a tese das tentativas de “bloqueios” da gestão municipal, através de várias formas.
Uma “equipa nova” fruto da renovação eleitoral, começou por lembrar, “é natural” que denote “alguma inexperiência”, pelo que “necessita de algum tempo para conhecer as estruturas, o modus operandi”, para se “organizar e começar a imprimir o seu próprio cunho pessoal, forma de estar e de agir”.
Após meio ano no cadeirão presidencial, Luís Souto mantém como “vec~tores” compatibilizar a “continuidade e a inovação”. O primeiro para dar sequência “a grandes projetos que transitaram de opções estratégicas, nos quais nos revemos”, mesmo que “arrastando consigo lutas de forças contrárias, que tudo tem apostado no bloqueio, adiamento, conflitualidade e letargia”, criticou.
Sem baixar o tom em relação ao ‘outro lado da barricada’ na gestão camarária, que agora concentra o PS desde que o Chega foi integrado no ‘bloco de direita’, prosseguiu sem condescendência: “Sabemos bem que a política também é feita de combate, não enjeitamos, mas esperar-se-ia que em nome de Aveiro e do seu futuro se optasse por visão mais pragmática de deixar trabalhar quem mereceu o mandato do povo para cumprir o programa, com o natural controle democrático em vez de permanente esforço de desacreditação de pessoas, instituições e serviços públicos, prejudicando o município por interesses partidários de ocasião”.
O autarca voltou a fazer ecoar o refrão da canção de campanha eleitoral de Luís Montenegro nas últimas legislativas, que serviu também para mobilizar a ‘Aliança com Aveiro’ nas autárquicas. “Deixem o Luís trabalhar, é nisso que estamos focados. Em trabalhar, por mais rasteiras que nos coloquem, cumplicidades bem colocadas que se vão arranjando. Estamos apostados que Aveiro siga em frente”, garantiu.
“Projetos estruturantes” como o o eixo rodoviário Aveiro – Águeda, novo pavilhão oficina, a urbanização da zona da antiga lota, novas unidades escolares, como a obra do Conservatório de Música “aspiração de décadas” ou a nova escola Homem Cristo, “das últimas que falta para ter instalações de acordo com as exigências atuais” figuram na lista para executar, onde se inclui também “a melhoria da oferta dos cuidados de saúde (a nova unidade de saúde em Nossa Senhora de Fátima tem inauguração prevista para breve), com particular atenção” à ampliação do hospital e centro clínico académico. “Objetivos que exigem união e concertação entre entidades e na sociedade aveirense (….) Estamos e estaremos atentos aos desenvolvimento mas também aos obstáculos que outros possam colocar neste caminho”, vincou.
A “inovação” será espelhada em vários projetos e medidas. Ainda este mês arrancará o anunciado programa ‘Aveiro em movimento’, que vai “unir desporto, saúde e educação” para colocar o município “na vanguarda das políticas saudáveis e qualidade de vida”. A melhoria do parque escolar prosseguirá com base numa nova Carta Educativa, assumida como “uma aposta muito séria em melhorar e aprofundar a inovação na educação”.
“Naturalmente, há opções tomadas no passado que agora reavaliamos”, advertiu Luís Souto. “Muito em breve” avançará a já anunciada reintrodução da taxa turística. Assim como “haverá um ou outro projeto que não terão continuidade, que serão substituídos por novos conceitos e por obras, o que pode ser encarado por um processo natural em democracia”. Projetos que “a seu tempo serão divulgados”. Ficou a referência a um deles: “Iremos ter finalmente um museu dedicado à cerâmica, nossa riquíssima tradição, que inclui os azulejos e outras formas artísticas e não só. Contemplará o previsto polo dedicado à bienal cerâmica, inserindo-se num dos polos do centro de arte contemporânea, que iremos desenvolver neste mandato”, explicou o presidente da autarquia, acreditando que Aveiro vai “ficar a par com o que há de melhor na Europa neste património tão caro à nossa identidade”, mas também à investigação / ensino (a universidade lançou no seu início o primeiro curso de cerâmica e vidro) e atividade industrial.
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A habitação continua a ser “um dos maiores desafios atuais”, mantendo-se a Câmara apostada “em ajustar a estratégia local” aprovada no mandato anterior, “compatibilizando-a com o 1º Direito”, assim como em medidas de qualificação do parque habitação acessível e outras que permitam “promover mais projetos de haboitação a custos controlados”, sem esquecer a necessidade de “incentivar o investimento privado e também cooperativo”, ou alterando “quando justificável os instrumentos de ordenamento”. “Só um discurso demagógico e miserabilista pode querer fazer passar a ideia que o desafio da habitação se pode resolver de forma simples e em meia dúzia de meses”, alertou Luís Souto.
Na mobilidade, está para “breve” a criação de parques periféricos, ligado a um sistema urbano de acesso ao centro, assim como o projeto de reformular o sistema viário da avenida, pontes e Rossio.
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A Câmara deseja ainda “reforçar muito as condições de estímulo à utilização de transportes públicos”. Depois de completar o “complexo” processo de eletrificação dos barcos moliceiros que fazem passeios para turistas nos canais, pretende-sese “prosseguir com as medidas de descarbonização de forma a colocar Aveiro também nesta área como município exemplar”. A semana europeia da mobilidade “vai voltar a ter um dia sem carros e o sistema BUGA será reformulado muito em breve”, anunciou Luís Souto.
Sem abdicar da “coesão territorial” como “uma marca” da atual gestão, o autarca garantiu que “todas as ações concretas têm obrigatoriamente a participação das freguesias”, estando-se “a planear a valorização dos centros e apostar no seu crescimento.”
“Toda esta intensificação do trabalho vai implicar a nível interno” do município. Perspetiva-se, por isso, “uma nova estrutura orgânica e funcional cuja proposta será levada à Câmara e Assembleia Municipal próximos dias a par com uma avaliação da funcionalidade dos nossos serviços e um reforço na digitalização a par com outros instrumentos ligados à motivação dos nossos quadros técnicos”, anunciou.
No final do discurso, Luís Souto deixou palavras de saudação especiais às comitivas de Santa Cruz, Cabo Verde (estreia do município convidado do feriado municipal) e da cidade de Goiânia (Brasil), bem como aos homenageados com distinções municipais. “Também aqui fizemos diferente, em lugar de presidente da Câmara e vereadores imporem, nós entendemos que era importante primeiro um exercício de baixo para cima, da sociedade para o poder”, explicou. Assim, “os nomes que estão aqui são reconhecimento da Câmara, mas também resultam, emanam, de manifestações genuínas da sociedade civil. “Sempre dissemos que esta seria a nossa forma de trabalhar com os cidadãos, em áreas muito diversas, pelo que foram fazendo ao longo dos anos”, concluiu.
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