Barra do Porto de Aveiro.

Os portos marítimos constituem nós críticos das cadeias logísticas globais, concentrando atividades intensivas em energia, transporte e indústria. Esta centralidade traduz-se numa elevada pressão ambiental, quer ao nível das emissões atmosféricas, quer da poluição hídrica, do consumo de recursos e da ocupação territorial.

Por Vitor Caldeirinha *

Nos últimos anos, a crescente consciencialização social e política em torno das alterações climáticas tem reforçado a necessidade de transformar os portos em plataformas sustentáveis. O conceito de green port emerge, assim, não apenas como uma estratégia reputacional, mas como uma condição essencial para garantir a license to operate.

Como evidenciado por Lam e Notteboom (2014), a capacidade das autoridades portuárias para mobilizar instrumentos de gestão ambiental tornou-se um fator determinante da competitividade. Contudo, importa questionar até que ponto estas práticas representam transformações estruturais ou, em alguns casos, estratégias de legitimação simbólica.Gestão portuária

Os impactos ambientais associados aos portos são amplos e interligados. A poluição atmosférica, resultante das emissões de navios, equipamentos portuários e transporte terrestre, constitui uma das principais externalidades negativas. A poluição da água, associada a descargas, resíduos e derrames, afeta ecossistemas marinhos sensíveis.

A expansão portuária, frequentemente suportada por dragagens e obras marítimas, implica alterações significativas nos sistemas costeiros. Acresce ainda o impacto do hinterland, onde o transporte rodoviário e ferroviário gera emissões relevantes.

Não obstante, a concentração de atividades portuárias pode também gerar sinergias positivas, designadamente através de “ecologias de escala”, permitindo a reutilização de recursos da economia circular e a otimização de processos industriais.

A literatura identifica quatro categorias principais de instrumentos de gestão ambiental:

Instrumentos económicos (pricing)

Incluem incentivos e penalizações que visam influenciar o comportamento dos utilizadores do porto. Exemplos como o Environmental Ship Index demonstram o potencial destes mecanismos. Contudo, a sua aplicação permanece desigual e frequentemente limitada ao tráfego marítimo.Economia

Monitorização e sistemas de gestão ambiental

A implementação de sistemas como o ISO 14001 permite medir e melhorar o desempenho ambiental. Portos europeus destacam-se pela produção de relatórios de sustentabilidade e pela monitorização integrada da cadeia logística.

Controlo de acesso e concessões

As concessões portuárias surgem como instrumento estratégico para impor requisitos ambientais aos operadores. A integração de critérios de sustentabilidade nos contratos tem-se revelado uma prática crescente, sobretudo na Europa.

Regulação ambiental

Baseada em normas obrigatórias, continua a ser o instrumento dominante. Apesar da sua eficácia, apresenta limitações ao nível da flexibilidade e da promoção da inovação.

Os portos europeus, como Roterdão e Antuérpia, caracterizam-se por uma maior autonomia das autoridades portuárias e por uma utilização mais diversificada de instrumentos. A abordagem é tendencialmente mais integrada e orientada para resultados.Fretamento veículos

Nos portos asiáticos analisados, observa-se uma maior centralização das políticas e uma predominância de instrumentos regulatórios. Esta diferença reflete modelos institucionais distintos e diferentes níveis de maturidade das políticas ambientais.

* Presidente do Conselho de Administração do Porto de Lisboa. Continuar para ler artigo completo no site Transportes & Negócios.

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