
O turista de 2026 valoriza o contacto direto com a cultura local, a gastronomia, a paisagem e as pessoas. O luxo redefine-se: menos ostentação, mais tempo, silêncio e profundidade. Viajar transforma-se, assim, numa prática sensorial, relacional e, em muitos casos, transformadora.
Por Riccardo Bonacho *
Viajar, hoje, já não é uma competição entre destinos; é uma experiência de presença entre o turista e o local. Durante décadas, o turismo foi sinónimo de quantidade: mais países, mais fotografias, mais checklists cumpridas. Hoje, algo mudou. Estudos recentes sobre o comportamento do turista indicam uma crescente valorização do bem-estar, da autenticidade e do impacto das viagens nos territórios visitados, tendência evidenciada em relatórios como o Travel Predictions da Booking.com. Mas o que significa, afinal, viajar em 2026? E por que razão a experiência passou a importar mais do que o próprio destino?
Ao longo da história, o turismo refletiu o espírito da sua época — do Grand Tour aristocrático, associado à formação cultural das elites, ao turismo de massas do pós-guerra, impulsionado pela democratização do lazer e dos transportes. Num contexto marcado por instabilidade climática, social e emocional, o setor entra novamente num processo de transformação. Desta vez, espera-se que essa mudança seja orientada por maior consciência, responsabilidade e capacidade de escuta dos ecossistemas locais.
Uma das tendências mais consistentes para 2026, segundo relatórios mais recentes de entidades como Airbnb, Booking.com, SmartFlyer e ITB Travel & Tourism, é a consolidação do turismo regenerativo. Já não se trata apenas de reduzir impactos negativos; espera-se que o turismo contribua ativamente para a regeneração dos destinos enquanto lugares vivos, para a valorização das comunidades e para a preservação do património. O destino deixa de ser um produto e passa a ser um ecossistema vivo, onde habitantes e visitantes cocriam valor de forma mais equilibrada.
A tecnologia continua a desempenhar um papel central, mas cada vez mais discreto. A inteligência artificial e a análise de dados permitem personalizar experiências, gerir fluxos turísticos e estimular escolhas mais informadas, tanto por parte dos turistas como dos operadores. Em vez de “espetacularizar” a viagem – transformando a experiência em imagem, performance e consumo – a tecnologia começa a servir a qualidade da experiência e a sustentabilidade dos lugares, ajudando a evitar a sobrecarga dos destinos.
Paralelamente, cresce a procura por viagens mais lentas, próximas e autênticas. O turista de 2026 valoriza o contacto direto com a cultura local, a gastronomia, a paisagem e as pessoas. O luxo redefine-se: menos ostentação, mais tempo, silêncio e profundidade. Viajar transforma-se, assim, numa prática sensorial, relacional e, em muitos casos, transformadora.
Em 2026, viajar será cada vez mais um ato de escolha consciente. A experiência — e não o destino — será o verdadeiro lugar da viagem. Os territórios que compreenderem esta mudança não só atrairão visitantes mais alinhados com os seus valores, como também construirão relevância, resiliência e futuro. Porque o turismo do amanhã não estará em ir mais longe, mas em sentir mais profundamente.
* Professor Auxiliar, Faculdade de Ciências Sociais e Tecnologia da Universidade Europeia. Artigo publicado originalmente em Publituris.pt.
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