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O último ano foi marcado pelo crescimento de uma nova forma de tirarmos partidos do que a Inteligência Artificial nos pode dar, fruto de avanços muito significativos ao nível da autonomia dos agentes e ao aumento exponencial da percepção que estes têm do ambiente em que estão inseridos.

Por Sérgio Viana *

Em março de 2025, surgiu o Manus. Uma start-up chinesa chamada Butterfly Effect lançou um agente autónomo que conseguia navegar na internet, escrever código, gerir ficheiros e executar tarefas complexas em sequência — sem que o utilizador tivesse de intervir em cada passo. A reação foi imediata: listas de espera com centenas de milhares de pessoas, cobertura global, e uma discussão acesa sobre se estávamos perante o primeiro agente de IA verdadeiramente útil para o utilizador comum.

Em novembro do mesmo ano, um programador austríaco chamado Peter Steinberger publicou o actual OpenClaw no GitHub, inicialmente com o nome Clawdbot. Era um projeto open source — qualquer pessoa podia instalar e usar — que permitia criar um assistente pessoal de IA capaz de ler e enviar emails, gerir calendários, integrar aplicações e automatizar fluxos de trabalho inteiros. Em poucas semanas, tornou-se um dos projetos com crescimento mais rápido em toda a história do GitHub, com mais de 195 mil estrelas. A razão era simples: pela primeira vez, alguém sem formação técnica avançada conseguia ter um agente que trabalhava por si, nos seus próprios sistemas, com os seus próprios dados.

Dois projetos, dois modelos completamente diferentes — um comercial e centralizado, outro open source e distribuído. Mas com a mesma ideia no centro: um agente que não responde apenas a perguntas, mas que age.

Um chatbot que responde é útil, mas um agente que executa é transformador. A diferença está em quem tem o controlo do tempo e da atenção. Quando um assistente escreve um email por nós, poupamos alguns minutos. Quando um agente gere a nossa caixa de entrada, filtra o que é relevante, responde ao que tem resposta óbvia e só nos interrompe quando é mesmo necessário — isso muda a relação com o trabalho de forma fundamental.

O mercado percebeu o que estava em jogo antes que a maioria das pessoas tivesse experimentado estas ferramentas. Em dezembro de 2025, a Meta comprou o Manus por mais de dois mil milhões de dólares — e começou a integrá-lo no Telegram, no WhatsApp e no Ads Manager, colocando agentes pessoais nas plataformas que mil milhões de pessoas já usam diariamente. Em fevereiro de 2026, Sam Altman anunciou que Peter Steinberger, criador do OpenClaw, se juntava à OpenAI para liderar o desenvolvimento da próxima geração de agentes pessoais. O projeto passou para uma fundação independente, manteve-se open source, com financiamento da OpenAI.

Estes movimentos não são coincidência. São apostas estratégicas na convicção de que o próximo grande campo de batalha da IA não é o modelo mais inteligente — é o agente mais útil no quotidiano de cada um de nós. O que torna este momento particularmente interessante é que, pela primeira vez, a fronteira entre utilizador e agente está a desaparecer de forma visível. Não precisamos de saber programar para ter um agente que trabalha connosco. Não precisamos de uma equipa de IT para integrar os nossos sistemas. A democratização que o smartphone fez com o acesso à informação, os agentes pessoais estão a fazer com a capacidade de agir. E isso vai criar novos padrões de produtividade individual que as organizações ainda não sabem como medir — nem como gerir.

Estamos nos primeiros meses desta mudança. Os agentes atuais cometem erros, precisam de supervisão e têm limitações reais que não se devem ignorar. Mas a trajetória é clara e a velocidade de evolução não dá sinais de abrandar. A pergunta que vale a pena fazer agora não é se os agentes pessoais vão mudar a forma como trabalhamos — é o que vamos fazer com o tempo e a atenção que vão libertar. Essa é, provavelmente, a questão mais importante que as organizações vão ter de responder nos próximos anos.

Managing Partner da Xpand IT. Artigo publicado originalmente no site linktoleaders.com.

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