
Todos já o ouvimos, muitos o pensam… mas será bom indicador do desenvolvimento de uma sociedade que esta ideia se vá apagando da História de cada um. Que vantagens há em aprender História? Cultura geral, conhecimento sobre a região onde se vive, trocas de ideias, dirá o senso comum… É certo, mas é muito mais.
Por Pedro Teixeira Pereira *
A educação histórica permite-nos dispor de meios para conhecer e posicionar-nos face ao passado, para melhor interpretar o presente. Permite, igualmente, desenvolver ferramentas de pensamento crítico, essenciais para que as decisões – e as suas consequências – que moldam o futuro coletivo não fiquem entregues a apenas alguns. Se o progresso humano pretende construir um amanhã melhor, por que se há de desperdiçar esse mapa que é a História, capaz de nos ajudar a evitar caminhos que tantas vezes conduzem àquele destino onde já estivemos e nos arrependemos de lá ter chegado? A educação histórica tem o potencial para que a ‘viagem’ seja mais segura e inteligente até a esse futuro, que se deseja com menos erros do que o passado.
O futuro é construído no presente, e este burila-se na sala de aula. É lá que conhecimento e pensamento históricos são trabalhados, em particular nas disciplinas de História, História e Geografia de Portugal, na área curricular de Estudo do Meio e na área de conteúdo do Conhecimento do Mundo Social, bem desde o início do percurso de formação dos adultos de amanhã.
Os normativos, designadamente as Aprendizagens Essenciais (AE) de História e Geografia de Portugal, no 2.º Ciclo do Ensino Básico (em processo de revisão), e de História, no 3.º Ciclo do Ensino Básico, dão enfoque à história político-ideológica mais recente. Esta opção justifica-se pelo impacto que estes processos e acontecimentos têm nas continuidades e descontinuidades do mundo atual. Por outras palavras, e em particular, estudam-se os regimes totalitários do século XX, sob os temas, «Portugal do Século XX» (AE 6.º ano, 2025) e, «Da Grande Depressão à Segunda Guerra Mundial» (AE 9.º ano, 2022), trabalhando-se o Estado Novo no 6.º ano, e as condições da ascenção e características dos regimes das extremas nas décadas de 1920 e 1930 no 9.º ano, com enfoque no caso português. Assim, o estudo da História evidencia as causas, a identidade e as consequências de um ‘ontem’ que teima em querer reentrar nos dias de hoje.
Portanto, aprender História? Sim, mais, e com urgência! No contexto de banalização da democracia em que vivemos, a consciência histórica torna-se essencial para revalorizar o sistema político que garante a liberdade de todos. Para este objetivo maior, os Professores da área científica da História – cuja formação conta também com o contributo do Departamento de Educação e Psicologia da Universidade de Aveiro, onde está sediado o CIDTFF – têm um papel basilar no despertar e aprofundamento do pensamento crítico e da consciência cívica das crianças e jovens enquanto futuros adultos. Bem hajam e bom trabalho, Professores!
* Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF) da Universidade de Aveiro. Artigo publicado originalmente no site UA.pt.
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